28/12/2024

Publicado em 28.12.24 por

Leituras concluídas em 2024

Parece até clichê o que irei falar, mas 2024 foi um ano repleto de desafios, principalmente, quanto à reserva de tempo para leitura. Ainda que eu quase não assista mais filmes, séries, etc, como antigamente, nem mesmo assim foi fácil separar um momento mais tranquilo para ler, principalmente, devido ao cansaço físico e mental proveniente do meu trabalho como professor. Apesar de tudo, me surpreendi com os resultados do ano que se passou, pois fui além daquilo que eu tinha imaginado.

Experiências assim me ensinam que, mesmo em meio às adversidades, a persistência e a disciplina são fundamentais para alcançar nossos objetivos. Geralmente, isso não é nada fácil, mas como dizia o filósofo Sócrates: "Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida." Pois bem, que venha 2025 com novas oportunidades e novas leituras! E falando nisso, o tijolão escolhido desta vez é "O Conde de Monte Cristo" (Alexandre Dumas) o qual já comecei a ler aproveitando o recesso do fim de ano. Entre uma página e outra, temos um longo caminho pela frente e a aventura só está começando!!

Para título de conferência, os livros que fizeram parte da meta anual 2024 seguem listados abaixo:

• A montanha mágica (Thomas Mann)

• A última cidade da Terra (Edmond Hamilton)

• O homem que via o trem passar (Georges Simenon)

• Linhos (Socorro Costa) - autora barreirinhense 

• Ficções (Jorge Luis Borges)

• Khadji-Murát (Liev Tolstói)

• O horizonte mora em um dia cinza (Tatielle Katluryn) - autora barreirinhense 

• Passeio ao farol (Virginia Woolf)

• Cantarei teu amor pra sempre (Martin Smith e Stuart Garrard)

• Contos (Jack London)

• Cavalo-marinho no céu (Edmund Cooper)

• Esperando Godot (Samuel Beckett)

• Enquanto agonizo (William Faulkner)

• Uma cidade flutuante (Jules Verne)

• Corpo vivo (Adonias Filho)

• Primeiro sangue (David Morrell)

• Histórias dos mares do sul (W. Somerset Maugham)

• O Despertar e outros contos selecionados (Kate Chopin)

• Grandes obras de Shakespeare vol. 2: Comédias [A megera domada; Sonho de uma noite de verão; O mercador de Veneza; A tempestade]

• Os correios do tempo (Robert Silverberg)

• O veredicto / Na colônia penal (Franz Kafka)

• Limo e luz (Roberto Santos) - autor barreirinhense 

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22/12/2024

Publicado em 22.12.24 por

Livros adquiridos (2° sem. 2024)


Concluindo a última parte da série de aquisições baseadas na minha lista de desejados, apresento nessa postagem os principais títulos que consegui no decorrer da segunda metade de 2024. São livros bem variados abrangendo autores de diversas nacionalidades, incluindo alguns clássicos do século XIX. Com isso, creio já ter obtido a maior parte daquilo que eu queria e, de agora em diante, o ideal é priorizar os títulos mais difíceis de encontrar ou algum lançamento ainda sem tradução no Brasil.

• Rebecca (Daphne du Maurier)

Romance gótico que conta a história de uma jovem ingênua que se casa com Maxim de Winter, um viúvo rico e reservado, e vai viver em sua mansão. Lá, ela descobre segredos obscuros sobre a primeira esposa dele, Rebecca, que ainda paira sobre a casa através das lembranças e mistérios que são revelados ao longo da trama.

• Rio Profundo (Shūsaku Endō)

Narra a trajetória de quatro turistas japoneses que viajam para Índia, cada um com objetivos e expectativas diferentes. Tendo que lidar com diversos questionamentos pessoais, eles buscam por algo que perderam e assim seguem em uma jornada espiritual que trará à tona tanto o sofrimento quanto a possibilidade de redenção.

• A Morte de Ahasverus (Pär Lagerkvist)

Foca na figura mítica de Ahasverus, conhecido como o “Judeu Errante”, um indivíduo condenado a vagar eternamente pela terra. Em sua jornada, ele encontra outros personagens que também estão em busca de redenção e significado, todos lidando com seus próprios dilemas morais e espirituais. O livro combina elementos de alegoria e parábola, refletindo a preocupação do autor com a condição humana e a complexidade da fé.

• Os Noivos (Alessandro Manzoni)

Clássico italiano que narra a história de Renzo e Lucia, um casal de camponeses cujo casamento é impedido pelo poderoso Don Rodrigo, que deseja Lucia para si. Ambientado na Lombardia do século XVI, o romance trata de temas como amor, opressão, fé e justiça, oferecendo um retrato profundo da sociedade italiana da época, enquanto os protagonistas passam por inúmeros obstáculos para ficarem juntos.

• Uma oportunidade (Joseph Conrad)

Conta a história de Flora de Barral, uma jovem que enfrenta dificuldades após a ruína financeira de seu pai. Narrada por várias perspectivas, a trama segue Flora enquanto ela busca autonomia e estabilidade refugiando-se no navio do capitão Anthony. Partindo dessa premissa, o romance aborda a respeito do destino e da luta pela independência em meio às adversidades.

• Reparação (Ian McEwan)

Relata a vida de Briony Tallis, uma jovem que faz uma falsa acusação que destrói a vida de seu amigo Robbie Turner. O romance trata das consequências desse erro ao longo dos anos, incluindo durante a Segunda Guerra Mundial, e segue os esforços de Briony para se redimir e reparar os danos causados.

• A Mulher de Branco (Wilkie Collins)

Narra um mistério envolvente, onde o encontro inesperado de um homem com uma mulher enigmática desencadeia uma série de eventos intrigantes. À medida que segredos do passado vêm à tona, os personagens se deparam com enganos, traições e dilemas emocionais. Um romance repleto de tensão psicológica e reviravoltas, que mantém o leitor intrigado até o último momento.

• Ópera dos Mortos (Autran Dourado)

Romance que explora a decadência e os segredos de uma família em uma pequena cidade mineira. O enredo se desenrola ao redor de um casarão, que simboliza tanto o passado grandioso quanto as falhas e frustrações de seus habitantes. A obra reflete sobre o tempo, o isolamento e as relações familiares, enquanto revela, de forma simbólica e introspectiva, os mistérios que cercam a vida e os destinos dos personagens.

• Humilhados e Ofendidos (Fiódor Dostoiévski)

Explora os desafios emocionais e sociais enfrentados por um jovem escritor e as pessoas ao seu redor. Abordando temas como humilhação, amor e injustiça, a história mergulha nas complexidades das relações humanas e nas dificuldades impostas pela sociedade.

• Cartas a Milena (Franz Kafka)

Coletânea das cartas trocadas entre Franz Kafka e Milena Jesenská entre 1920 e 1923. As correspondências revelam um relacionamento profundo e complexo, com Kafka expressando seu amor, inseguranças e reflexões pessoais. O livro oferece uma visão íntima da mente de Kafka e do impacto de Milena em sua vida, destacando a intensa ligação emocional e intelectual entre os dois.

• A Falência (Júlia Lopes de Almeida) 

Conta a história de Camila, uma mulher burguesa, casada com Francisco Teodoro, um comerciante cuja empresa está à beira da falência. A obra oferece uma crítica à sociedade brasileira do final do século XIX, expondo mazelas como a corrupção, a decadência moral e as desigualdades sociais.

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07/12/2024

Publicado em 7.12.24 por

Uma via-crúcis existencial

 

"Enquanto agonizo" é mais uma obra-prima de William Faulkner (outra incompreendida por muita gente devido suas peculiaridades). A premissa parte da trajetória da família Bundren para enterrar sua matriarca, Addie Bundren, em sua cidade natal, conforme seu último desejo. No entanto, inúmeros infortúnios acabam ocorrendo no meio do caminho, fazendo dessa viagem uma verdadeira via-crúcis.

Nesse romance, Faulkner faz uso de uma narrativa "fragmentada", inovando ao utilizar o ponto de vista de 15 personagens diferentes no decorrer da história, cada um oferecendo sua perspectiva particular sobre os eventos. Essa técnica não apenas desafia o modelo tradicional de narração, mas também permite um mergulho mais profundo na psicologia da trama.

E falando nisso, o uso do fluxo de consciência e do monólogo interior dá ao leitor um acesso íntimo aos pensamentos dos personagens, intensificando ainda mais a experiência emocional da leitura. A jornada física dos Bundrens se torna então uma metáfora para a busca existencial de cada personagem, revelando assim suas fraquezas, esperanças e desespero. 

Este é um livro que exige do leitor paciência e atenção aos detalhes, mas que também o recompensa com uma rica tapeçaria de vozes e experiências humanas. Não se trata apenas de uma história sobre morte e luto, mas é uma meditação poderosa sobre a resistência e a fragilidade da alma humana diante das adversidades inevitáveis da vida.

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23/11/2024

Publicado em 23.11.24 por

Diante da espera sem fim no abismo da incerteza humana

Desafiando os modelos convencionais, Samuel Beckett apresenta uma peça completamente despojada de linearidade narrativa e do conforto emocional. Em "Esperando Godot", o autor mergulha os espectadores/leitores em um cenário onde a ação se reduz a uma espera interminável, sem nenhum objetivo claro além dessa própria espera.

A abordagem altamente filosófica e a necessidade de interpretar determinados simbolismos foram pontos que exigiram uma leitura mais cuidadosa. No entanto, o que me pareceu confuso em alguns momentos foi a natureza abstrata e ambígua da peça, que deu a impressão de não haver um propósito consistente ao longo da narrativa.

Para mim, essa foi uma experiência de leitura deveras "árida" dado o forte niilismo da obra. A visão desoladora da condição humana apresentada na peça, com seu foco na futilidade e no desespero é, sem dúvida, bem marcante, mas também desanimadora. 

Ao meu ver, "Esperando Godot" contempla questões existenciais sombrias, mas não oferece um caminho claro para uma resolução ou alívio disso tudo. Creio que essa falta de resolução pode ser vista como a essência da peça, pois em vez de guiar o espectador/leitor a uma conclusão específica, Beckett prefere deixar um espaço para a introspecção a fim de que cada um encontre seu próprio significado ou, talvez, aceite a ausência dele.

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10/11/2024

Publicado em 10.11.24 por

Abrigo Sonoro


Tinha saudade de escutar. Ouvir, meditar, se debruçar nas infinitas melodias do pentagrama musical. Aumentar o volume e apenas se deixar levar pelas ondas sonoras de uma linda canção.

Mesmo quando queria se distanciar, a música sempre o encontrava. Resolveu então não mais fugir e apreciar cada momento que esse deslumbre podia lhe proporcionar.

Precisava voltar a ouvir os seus velhos discos, dizia para si mesmo. Tudo aquilo era um "pequeno grande mundo" que ainda conservava algo deveras precioso em suas memórias: a música que jamais morre, o doce som que nunca se esvai.

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26/10/2024

Publicado em 26.10.24 por

Um microcosmo em alto mar

Esta é uma aventura que se passa em uma viagem pelo mar, a bordo do transatlântico Great Eastern durante uma travessia entre Liverpool e Nova York. A história é contada do ponto de vista de um narrador anônimo que descreve suas experiências e observações durante todo trajeto. Através dessa perspectiva, Verne nos apresenta o Great Eastern não apenas como um meio de transporte, mas como uma verdadeira "cidade flutuante", um microcosmo da sociedade europeia do século XIX.

O leitor não acostumado com o estilo do autor pode estranhar as longas descrições das várias características do navio, no entanto, a obra traz vários outros aspectos marcantes o suficiente para fazer a leitura valer a pena. Um deles é a mescla de crônica de viagem com elementos de mistério e drama envolvendo um triângulo amoroso e rivalidades pessoais.

Pelo que se sabe, esse livro não alcançou o mesmo nível de popularidade que outras obras de Verne, talvez, devido seu foco ser menos aventureiro e mais voltado a detalhes técnicos. Mesmo assim, é um título que não deixa de ser interessante, pois oferece uma visão singular das mudanças tecnológicas e sociais que estavam moldando o mundo naquela época.

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12/10/2024

Publicado em 12.10.24 por

Na linha tênue entre confronto e sobrevivência

Esse já é o terceiro livro de Jack London que leio e posso afirmar que o autor é sempre realista e direto ao ponto quando o assunto é retratar intensamente as condições brutais da vida. Suas histórias frequentemente apresentam personagens corajosos e resilientes que enfrentam desafios extremos e situações perigosas, seja na natureza ou em meio à própria sociedade.

Os contos dessa antologia abordam a luta pela sobrevivência, o conflito entre o homem e o ambiente natural, além das questões sociais e econômicas do início do século passado. É admirável como London consegue capturar a natureza da essência humana mesmo em poucas páginas, mérito esse que não se acha em qualquer autor.

Para leitores que apreciam uma combinação de realismo cru e narrativa envolvente, essa coletânea é indispensável. Jack London é certamente um dos melhores escritores do século passado e se destacava tanto em romances e novelas como nas narrativas curtas.

Destaques:

O Mexicano
Fazer uma Fogueira
Amor à Vida
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29/09/2024

Publicado em 29.9.24 por

Profundas revelações sobre a vida e o tempo

Há tempos que eu não me apegava tanto a um livro como aconteceu agora com "Passeio ao Farol". Já havia tido outro contato com Virgínia Woolf, mas não ao ponto de me sentir tão envolvido assim. A forma como a autora combina exploração psicológica com uma prosa lírica assaz envolvente faz dessa leitura uma experiência única e digna de inúmeras releituras!

Nessa obra, Woolf captura com maestria os momentos fugazes da vida e a inevitável passagem do tempo, oferecendo uma leitura profunda e contemplativa sobre a existência. O que importa aqui não é a "ação" de grandes acontecimentos, mas sim a análise minuciosa das sensações e pensamentos humanos.

Através de sua técnica de fluxo de consciência, a autora nos permite acessar as camadas mais íntimas de seus personagens, revelando as complexidades e contradições de cada um. Tudo isso é abordado de forma bastante subjetiva, criando um mosaico de vozes e perspectivas entrelaçadas numa narrativa repleta de insights.

Não direi que essa é uma obra de fácil leitura, até porque há muitos níveis de significados nela, mas posso afirmar que existe uma imensa riqueza a ser descoberta por quem desbravar suas páginas com atenção e sensibilidade.

Enfim, "Passeio ao Farol" traz consigo a revelação de que a verdadeira essência da vida é encontrada nos detalhes aparentemente insignificantes do cotidiano, como no silêncio e nos mínimos gestos daqueles que nos cercam. Também nos lembra que o tempo é implacável, mas que as lembranças que deixamos podem eternizar momentos que ainda serão importantes na vida de quem amamos.

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15/09/2024

Publicado em 15.9.24 por

Postagem comemorativa de três anos do blog

No último dia 10, este perfil literário completou seus três anos de existência, mas devido minhas correrias diárias, não pude fazer uma postagem comemorativa a tempo. Acabo por fazê-la hoje, ainda que de forma simples e breve, pois não queria que essa data passasse despercebida.

Coincidentemente, agora em 2024, completou-se também dez anos desde quando comecei a montar minha biblioteca, a princípio, adquirindo apenas livros usados nos sebos virtuais. De lá para cá, muita coisa aconteceu e o que antes era um modesto hobby acabou se transformando em uma profunda paixão pela literatura. Tudo que faço aqui é uma extensão desse amor pelos livros e pretendo continuar nessa jornada, compartilhando minhas impressões e descobertas com todos vocês.

Mais uma vez, gostaria de expressar minha gratidão a todos que me acompanham. Obrigado pelo apoio, pelas interações e por cada troca de ideias que tivemos. Que possamos continuar desvendando os mistérios e belezas que a literatura tem a nos oferecer nesse universo tão vasto e rico em possibilidades. Ler é vida!

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18/08/2024

Publicado em 18.8.24 por

Entre a honra e a redenção

Nessa obra, Tolstói nos transporta para o turbulento cenário do Cáucaso no século XIX, onde honra, traição e heroísmo se entrelaçam em uma história tensa de guerra e desconfiança. Por meio de uma narrativa moldura, somos apresentados a Khadji-Murát, um líder carismático e complexo que se vê dividido entre a lealdade a seu povo e sua busca pela redenção pessoal.

Mais uma vez, vemos Tolstói fazendo uso de sua incrível habilidade em retratar os dilemas morais e éticos enfrentados pelos seus personagens. Além disso, o autor apresenta uma visão crítica da guerra e do imperialismo, refletindo sobre o grande mal proveniente dos conflitos armados.

Infelizmente, tive o erro de nutrir esperanças por um final feliz e isso frustrou minhas expectativas no último capítulo. Ainda assim, essa é uma ótima história que combina elementos históricos e filosóficos, do jeito que só Tolstói sabia fazer. 

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03/08/2024

Publicado em 3.8.24 por

Uma jornada de fé e música

Conheci a banda delirious? na minha adolescência, lá no início dos anos 2000. Naquela época, a música cristã inglesa ainda estava conquistando espaço aqui no Brasil através do advento da internet e de programas de TV "gospel" que divulgavam videoclipes internacionais em sua grade. Como não havia ainda distribuição de CDs do delirious? por algum selo nacional, tive que me contentar com as MP3 por um bom tempo (só anos depois pude adquirir os CDs originais da banda, os quais foram lançados aqui no Brasil pelo ministério Joyce Meyer).

Minha admiração pelo delirious? me levou a procurar mais material a respeito da banda e foi aí que tive a grata surpresa em descobrir o livro "Cantarei teu Amor pra sempre", o qual não é apenas um relato sobre o grupo, mas uma exploração do processo criativo e espiritual que levou à criação de suas músicas. O vocalista Martin Smith, juntamente com o guitarrista Stu G, compartilham nesta obra experiências pessoais de como receberam inspiração para suas composições, oferecendo aos leitores uma visão intimista de seu ministério musical.

Essas experiências demonstram como a música pode ser um canal de expressão da fé em Deus e transmissão de mensagens evangelísticas. Cada capítulo oferece uma combinação de memórias inspiradoras, insights espirituais e orientações práticas, tudo escrito em uma linguagem bastante clara e objetiva.

Essa é uma leitura essencial para qualquer fã da banda ou para aqueles envolvidos com música cristã contemporânea. É uma celebração do poder da música para transcender o cotidiano e nos conectar com o Eterno, proporcionando um lembrete constante de que Deus ainda opera através dos louvores.

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16/07/2024

Publicado em 16.7.24 por

Dias cinzentos, horizontes de esperança

O romance cristão é um gênero que ainda está começando a ganhar espaço aqui no Brasil e isso não somente quando se trata de autores estrangeiros, mas também de escritores nacionais. Desbravando esse terreno ainda pouco explorado, Tatielle Katluryn ressoa como uma das representantes do gênero e inova ao mesclá-lo com influências do dorama coreano.

Ambientado na Coreia do Sul, "O Horizonte mora em um dia cinza" explora os desafios e as emoções de um inesperado relacionamento intercultural. Em um momento delicado de sua vida, a jovem Ayla Vasconcellos encontra-se com Joon Hyuk, um gentil rapaz coreano. À medida que suas vidas se cruzam, eles acabam compartilhando não apenas dores semelhantes, mas também suas esperanças e sonhos.

Ainda que certos elementos da trama possam ser clichês, o tratamento dado à história é coerente com a proposta apresentada, sendo que cada interação entre os protagonistas é carregada de significado, refletindo assim suas lutas internas e a busca por entendimento e aceitação mútua.

A fé desempenha um papel crucial na jornada de Ayla e Joon Hyuk, não apenas como um apoio espiritual, mas também como um catalisador para o crescimento pessoal e a superação dos traumas passados, mostrando que pode haver cura para as feridas mais profundas onde menos se pode esperar.

Ao final, somos deixados com uma reflexão sobre a capacidade de superação e a beleza de encontrar luz nos dias mais sombrios. É uma leitura que conduz esperança, mostrando que mesmo nos dias mais cinzentos, há sempre um horizonte a ser alcançado.

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06/07/2024

Publicado em 6.7.24 por

Livros adquiridos (1° sem. 2024)

Nesse semestre, dei uma boa reduzida na quantidade de livros comprados. Se comparado aos anos anteriores, 2024 tem sido mais contido e já não tenho me afobado tanto pra conseguir algum exemplar da minha lista de desejados (sei que tal controle é necessário, pois de nada adianta apenas acumular livros na estante). No demais, vou seguindo nessa linha e finalizar a série sobre aquisições no final desse ano.

• Middlemarch (George Eliot)

Ambientado na fictícia cidade provinciana de Middlemarch, o romance retrata a vida de uma ampla gama de personagens em uma sociedade inglesa do século XIX. No centro da trama está Dorothea Brooke, uma jovem idealista que busca encontrar propósito e significado em sua vida, mas que se vê presa em um casamento infeliz

• Stoner (John Edward Williams)

Segue a vida de William Stoner, um professor de literatura na Universidade de Missouri, e sua jornada de lutas pessoais, relacionamentos complexos e busca por significado em meio à vida acadêmica e pessoal. É uma meditação tocante sobre solidão, paixão pelo conhecimento e a transcendência através da arte.

• Cidades da planície (Cormac McCarthy)

Encerramento da aclamada trilogia "Fronteira", esse romance é situado no sudoeste dos Estados Unidos e narra uma história de amizade e paixão entre um jovem veterano de guerra, um rancheiro solitário e uma jovem mexicana. Enquanto eles lutam para encontrar seu lugar em um mundo hostil e perigoso, enfrentam desafios que irão testar seus limites e sua determinação.

• Oliver Twist (Charles Dickens)

A emocionante história de um órfão que enfrenta a dura realidade das ruas da Londres vitoriana. Da infância difícil em um orfanato até os encontros com personagens como o trapaceiro Fagin e o cruel Bill Sikes, Oliver luta para encontrar sua identidade em meio à pobreza e à injustiça.

• As aventuras de Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle)

Antologia de contos que acompanha as brilhantes investigações do detetive Sherlock Holmes e seu parceiro, Dr. Watson, enquanto desvendam uma série de mistérios intrigantes na Londres vitoriana. As histórias exploram uma variedade de casos, desde assassinatos intrigantes até roubos astutos, destacando a genialidade de Holmes e seu método único de investigação.

• Os elixires do diabo (E. T. A. Hoffmann)

Narra a história de Medardo, um monge capuchinho que, após beber um elixir diabólico, abandona seu mosteiro e parte em uma jornada por Roma. Durante sua busca pela identidade, ele encontra figuras enigmáticas e confronta seu próprio duplo. Misturando elementos fantásticos, góticos e detetivescos, a obra explora temas de tentação, loucura e dualidade, com forte influência do Romantismo.

• A Taberna Ambulante (G. K. Chesterton)

Sátira ambientada em uma Inglaterra distópica onde a venda de álcool é terminantemente proibida. O taberneiro Humphrey Pump e seu amigo Patrick Dalroy viajam pelo país com um barril de rum e uma placa de taverna, improvisando bares e desafiando a lei. A história critica a burocracia desmedida e o puritanismo exacerbado, celebrando a liberdade e a tradição.

• Maria da Tempestade (João Mohana)

Narra a história de Maria, uma jovem de personalidade forte e espírito indomável, vivendo em uma pequena cidade do interior do Maranhão. O enredo se desenrola em meio às dificuldades e desafios enfrentados por Maria ao longo de sua vida, marcada por eventos dramáticos e intensas reviravoltas.

• Lance Mortal (William Faulkner)

Antologia de contos que giram em torno de temáticas sulistas e exploram questões como moralidade, racismo, e os conflitos internos dos personagens. Cada história oferece uma visão penetrante da vida no sul dos Estados Unidos, caracterizada pela prosa característica de Faulkner, que mistura realismo e introspecção psicológica profunda.

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22/06/2024

Publicado em 22.6.24 por

Explorando os labirintos da realidade e imaginação

"Ficções" é uma coleção de contos que desafia habilmente as fronteiras da realidade e da imaginação. Com sua prosa intricada e erudita, Borges cria mundos labirínticos que exploram o infinito, a temporalidade, universos paralelos e até o caráter da própria narrativa. Seus contos são repletos de referências literárias, filosóficas e históricas, que se entrelaçam de maneira magistral para questionar a natureza da percepção e da existência.

Nisso o autor é enigmático em essência, mas não a ponto de ser inacessível. Os "jogos intelectuais" de Borges são uma marca registrada da sua escrita e conduzem facilmente o leitor a enigmas, paradoxos e profundas reflexões. Além disso, embora ele não seja estritamente um autor de literatura fantástica, seus contos frequentemente flertam com esse gênero, criando atmosferas misteriosas e inquietantes.

Gostei muito dessa minha primeira experiência com o autor e já estou curioso para ler "O Aleph". Borges realmente é diferenciado e me pergunto o porquê dele nunca ter ganhado um Nobel de literatura.  

Destaques:

As Ruínas Circulares
A Biblioteca de Babel
O Jardim de Veredas que se Bifurcam 
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08/06/2024

Publicado em 8.6.24 por

Cheio de vazio

O consolo que ele achava poder encontrar em todo aquele universo virtual não passava de uma mera ilusão. Redes sociais, curtidas, vídeos breves, informação rápida... Tudo era muito instantâneo e superficial. Não havia a profundidade que se prometia e logo o vácuo da solidão enchia sua alma de nada. Era uma contradição até intrigante: estar cheio de vazio (inclusive, já tinha ouvido essa expressão na letra de uma antiga música). 

Enfim, procurar refúgio naquilo que aparentemente estava munido de tantas atrações e novidades oriundas da tecnologia era como correr atrás do vento, uma vez que tais espetáculos apenas o condicionava a uma dependência emocionalmente doentia e compulsiva. Ver-se livre disso seria seu verdadeiro conforto. Seria estar em plenitude mesmo quando tudo ao redor emanasse somente angústia e aflição.

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19/05/2024

Publicado em 19.5.24 por

Uma ode ao artesanato barreirinhense

Obra póstuma de Socorro Costa, "Linhos" é uma reunião de pequenos textos que giram em torno do artesanato barreirinhense e suas peculiaridades, mostrando o papel que as artesãs possuem na preservação da identidade cultural e no fortalecimento dos vínculos comunitários. 

Com muita sensibilidade, a autora revela a conexão íntima entre a expressão artística e a vida cotidiana, permeada por valores como resiliência e amor pela tradição. Ao explorar esse aspecto, Socorro Costa nos lembra da importância de encontrar beleza e significado mesmo nas tarefas mais simples da vida. 

Esse é um singelo tributo a todas as artesãs que, com suas mãos talentosas, tecem não apenas fios e linhas, mas também os laços que unem passado, presente e futuro numa teia de tradição e esperança.

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04/05/2024

Publicado em 4.5.24 por

Nos percalços da transgressão e da busca pelo sentido

"Breaking Bad" é uma expressão idiomática em inglês que refere-se ao fato de alguém agir bruscamente de forma violenta ou meramente se tornar um criminoso. Essa sentença ficou bem mais conhecida mundialmente depois da série homônima que fez muito sucesso anos atrás. Mas no que o livro de Georges Simenon me fez lembrar disso? O protagonista Kees Popinga e o famigerado Walter White tem algumas coisas parecidas entre si: ambos começam como homens comuns, aparentemente inofensivos, mas que após um estopim sobrevindo de situações trágicas, são impulsionados a mergulhar em um mundo de crime e violência. Ambos sofrem uma espécie de quebra de identidade, deixando para trás suas vidas anteriores para se tornarem figuras completamente diferentes, descobrindo assim, facetas obscuras de si mesmos.

Em "O Homem que via o trem passar", Simenon habilmente retrata essa tumultuosa trajetória de Popinga através de um abismo de transgressão moral e caos existencial, caminhando em meio a um turbilhão de emoções e eventos imprevisíveis. A complexidade e indiferença do protagonista são aspectos de destaque ao mesmo tempo em que ele se vê envolvido em situações cada vez mais desconcertantes enquanto tenta fugir da polícia.

Além de apresentar uma narrativa envolvente e suspense pulsante, esse livro também nos desafia a refletir sobre o que realmente define a essência de um ser humano e até onde ele está disposto a ir em busca de autoafirmação. Enfim, Kees Popinga e Walter White são personagens que até podem ter tido finais diferentes, mas chegaram num ponto onde tiveram que encarar aquilo que qualquer infrator cedo ou tarde irá sofrer: as terríveis consequências de suas próprias escolhas.


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20/04/2024

Publicado em 20.4.24 por

Sob o sol vermelho de um futuro incerto

Apesar de ter sido um prolífico autor de ficção-científica, Edmond Hamilton geralmente é mais conhecido por ter escrito "Superman Under the Red Sun", assim como outros trabalhos para a DC Comics entre as décadas de 40 a 60. Já no romance "A última cidade da Terra" (no original, "City at World's End"), o autor nos transporta para um futuro distante, depois que um evento cataclísmico desencadeia uma viagem inesperada para além dos limites do espaço e do tempo.

A narrativa começa com esse estranho fenômeno que subitamente transporta a cidade de Middletown milhões de anos à frente, em uma Terra moribunda e fria. Diante disso, os habitantes da pequena cidade devem enfrentar os desafios de sobreviver em um mundo estranho e hostil enquanto lutam para encontrar ajuda.

Hamilton explora de forma direta as complexidades da condição humana em face da adversidade, retratando o desespero e a esperança que surgem quando se enfrenta difíceis dilemas em uma realidade completamente diferente. São questões relativas ao destino e o papel do indivíduo no universo, indagações essas que nem sempre nos levam a respostas objetivas, mas que mesmo assim nos ajudam a compreender um pouco mais de nós mesmos.

Por fim, é interessante lembrar que esse livro foi escrito seis anos após a catástrofe das bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, o que explica o caráter de receio e novidade quanto aos efeitos que esse tipo de arma poderia causar caso fosse aprimorada ainda mais. Isso não apenas reflete os temores da era pós-guerra, mas também serve como um lembrete impactante das consequências devastadoras do mau uso da ciência e da tecnologia.

OBS: Alô, editora Aleph! Esse é um livro que merece muito uma edição brasileira! 

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07/04/2024

Publicado em 7.4.24 por

Existe autoria pura?

Foto: fotografierende/Unsplash

Estive pensando certo dia que quase tudo que a cultura televisiva faz hoje é fruto da influência da literatura dos séculos passados. Desde o famoso "caldeirão das bruxas fazendo poções" (cena de Macbeth, de Shakespeare) em desenhos animados até os episódios intrigantes de "Black Mirror" (muito baseados nos contos de Asimov, Bradbury, Silverberg & Cia), vê-se um enorme leque de referências que quase sempre passa despercebido aos telespectadores. Eu poderia enumerar aqui uma lista infindável dessas referências, mas minha intenção no momento é apenas reafirmar o fato de que os livros ainda exercem bastante influência na indústria cinematográfica atual, influência essa que molda a forma como vemos personagens, histórias e cenários que se tornaram ícones da cultura popular.

Sempre costumo dizer aos meus amigos que não existe ideia "100% original" e que quando alguém "cria" qualquer obra, tal pessoa teve que captar inspiração de outros autores, mesmo que alguns conceitos acabem por ser mesclados a fim de se obter um resultado mais distinto. É claro que não estou condenando o fato de se buscar referências pela literatura afora, afinal, ninguém está isento de beber em outras fontes.

A propósito, isso me faz lembrar que Jorge Luis Borges também não acreditava na existência de uma autoria "pura". Para ele, todo texto é construído a partir de um conjunto prévio de influências e referências culturais e históricas. A criação literária é então um processo de intertextualidade, em que o escritor dialoga com obras e tradições anteriores, e que a originalidade está mais relacionada com a maneira como essas influências são combinadas e reconfiguradas do que com uma suposta "genialidade" do autor. Posso reiterar que tal quadro não se aplica somente aos livros, como também (mais ainda) às produções cinematográficas.

É uma pena que boa parte do público não seja ciente disso (e quem dera se todos fossem). Captar referências literárias em qualquer obra é bem mais do que fazer parte de um seleto grupo de "entendidos", é antes mergulhar em um vasto universo repleto de ideias entrelaçadas. Reconhecer isso não apenas enriquece nossa experiência como espectador, mas também destaca a riqueza cultural que permeia tanto a literatura quanto o cinema. 

É justamente quando compreendemos que a criação artística é essa espécie de "colagem de inspirações" é que podemos apreciar ainda mais a habilidade dos criadores em sintetizar diferentes correntes literárias e transformá-las em algo único. A intertextualidade, como Borges argumentava, acaba sendo um diálogo contínuo entre o passado e o presente, e que molda constantemente nossa compreensão do mundo através de diversas perspectivas (lembrei agora do "Cone da Memória" de Bergson, conceito que vi pela primeira vez num vídeo da Tatiana Feltrin a respeito do conto As ruínas circulares do Borges).

Enfim, independentemente do que poderá acontecer nos anos que virão, a literatura continuará firme e forte, inspirando a criação de novas formas de entretenimento e ajudando a traçar os rumos da cultura pop contemporânea, pois a fusão de diferentes conceitos e a reinvenção de temas são elementos essenciais capazes de dar vida a novas narrativas.

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16/03/2024

Publicado em 16.3.24 por

Tempo e transcendência no alto da Montanha

O tempo e a efemeridade da vida são temas caros que nem sempre são explorados de forma adequada por todo escritor, mas em se tratando da habilidade de Thomas Mann, essas questões ganham uma profundidade excepcional, ainda que bem densas em sua exposição.

"A Montanha Mágica" segue a jornada do jovem Hans Castorp, que visita seu primo adoentado em um sanatório nos Alpes suíços. Inicialmente, sua estadia planejada para três semanas se estende por muito mais tempo devido à uma série de situações que irão surgir naquele lugar, onde o tempo parece suspenso e as pessoas agem de maneira bastante peculiar e até excêntrica.

A partir daí, acompanhamos gradualmente a transformação de Hans Castorp durante todo período em que ele passa internado. A propósito, o sanatório não é apenas um local de tratamento médico, mas também um espaço onde ideias conflitantes sobre a vida são debatidas entre os pacientes, refletindo as tensões e pensamentos da Europa antes da Primeira Grande Guerra.

A meticulosidade de Mann na caracterização dos personagens contribui para a riqueza da trama uma vez que há inúmeras representações sociais através dessas figuras. O autor também soube utilizar a ambientação isolada da montanha para criar uma atmosfera peculiar e reflexiva que fosse propícia aos debates de Hans com os outros enfermos dentro de um microcosmo onde a doença é o fator motriz que rege todas as convenções.

Apesar de ter gostado muito da escrita de Thomas Mann, achei alguns aspectos da história bem cansativos, ainda que isso não tenha me tirado o interesse pela leitura, a qual tive que fazer mais devagar em algumas passagens devido as longas frases e parágrafos extensos. Falando nisso, a falta de ação direta muitas vezes dá espaço para diálogos filosóficos e divagações, abordagem essa que exige uma paciência extra, mas que oferece uma oportuna análise sobre os mais diversos temas universais.

Achei ainda os últimos capítulos mais superficiais se comparados com a profundidade apresentada nas demais partes do romance. As motivações de alguns personagens no final ficaram sem explicações precisas e a impressão era de que o autor correu pra terminar a história. Fiquei me indagando: o que a longa experiência de Hans no sanatório proporcionou a ele depois na Guerra? Tudo se interrompe bruscamente e o jovem parte sem nenhuma análise de sua decisão (lembremos de que ele não estava em perfeita saúde). Por mais que haja pretextos subentendidos nisso tudo, o leitor fica desejoso de uma melhor explanação.

Finalmente, "descendo a Montanha", só posso dizer que essa obra me trouxe impressões ambíguas, oscilando entre momentos ímpares e outros exaustivos. Ainda assim, não há como negar o talento de Thomas Mann numa obra tão rica e multifacetada como essa, que certamente, faz jus à sua reputação.

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02/03/2024

Publicado em 2.3.24 por

Conan Doyle além de Sherlock Holmes

Deixando um pouco de lado Sherlock Holmes (sua maior criação), Conan Doyle nos apresenta uma coletânea onde explora o mistério e o sobrenatural em histórias curtas, porém muito bem boladas. Os treze contos deste livro nos mostram que o autor podia muito bem enveredar por outras narrativas diferentes sem perder o ritmo.

Como em quase toda antologia, há nessa pontos altos e outros medianos, mas ainda assim, o autor consegue criar uma atmosfera envolvente pra cada conto, analisando questões intrigantes que sempre trazem reviravoltas inesperadas no final. 

Vale ressaltar também que as histórias apresentam vários elementos do contexto sociocultural da Inglaterra do século XIX, e por isso, carregam crenças e estigmas daquela época, sendo um panorama enriquecedor para compreendermos melhor tal período.

Apesar de alguns contos possuírem partes bem tensas, esse é um livro divertido e de fácil leitura, ideal pra qualquer um que goste do gênero mistério/suspense ou que deseja conhecê-lo melhor em sua forma clássica.

Destaques:

O gato brasileiro
O funil de couro
O caviar 
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17/02/2024

Publicado em 17.2.24 por

O pouco que diz muito

Falecido em 2013, Ettore Bottini é um nome ainda desconhecido pra muitos na literatura nacional. Eu mesmo nem sabia quem ele era até adquirir essa pequena antologia, atraído meramente pela capa (a propósito, esse autor foi um capista de mão cheia, tendo trabalhado durante anos na arte gráfica de dezenas de livros). Pois bem, apesar deste livro ser bastante curto, ele traz alguns contos interessantes, ainda que os demais sejam facilmente esquecíveis.

Os temas visitados por Bottini são variados, indo desde questões familiares e acontecimentos triviais até uma história sobre piratas. Boa parte desses contos são alicerçados em recordações do autor e se entrelaçam entre ficção e realidade, sempre com um toque sobremaneira despretensioso. Tudo é muito sucinto e sem "gordura", mas também sem pressa pra terminar.

Apesar de não ter gostado de alguns contos, outros me chamaram muito a atenção e fizeram a leitura valer a pena. Essa antologia não chega ao nível de autores renomados do século XX, mas também não fica atrás de outros contistas nacionais contemporâneos.

Destaques:

Grama leve
Mundo natural
Todos os medos
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03/02/2024

Publicado em 3.2.24 por

Projeto Tijolões: Lendo "A Montanha Mágica"

Image source: Freepik 

Em 2024, esse clássico alemão completa 100 anos e nada mais propício do que entrar de cabeça nessa que é uma das mais emblemáticas obras da literatura mundial. Escolhi esse tijolão pois ainda não havia lido nada de Thomas Mann e queria vencer o receio que tinha quanto ao tamanho e complexidade desse livro. 

Diferente do que fiz nos anos anteriores, elaborando apenas um resumo dos capítulos enquanto registrava o histórico de leitura no Skoob, desta vez não tive disposição pra isso e achei até que seria fastidioso, dado que "A Montanha Mágica" apresenta uma linha um tanto peculiar em sua forma, focando longas conversas e descrições meticulosas. 

A impressão que tive no início era de que o enredo andava em círculos, repleto de trivialidades e sem grandes acontecimentos. As discussões filosóficas, apesar de pertinentes, soaram um tanto maçantes em determinados momentos. Ainda assim, as que achei mais curiosas foram aquelas que tratavam da natureza do tempo e da mortalidade.

Pude perceber também que a história traz muitos simbolismos, o que exigiu maior atenção para compreender as várias camadas de significado que foram surgindo (tive até que pesquisar algumas referências). Não achei a leitura em si muito densa, mas a narrativa lenta e a falta de ação em grande parte do livro me cansaram bastante. No entanto, meu esforço foi recompensado pela ótima escrita de Thomas Mann e as demais passagens fluíram sem problema. 

De resto, como agora que passei da metade do livro, muita coisa ainda está por vir e irei concluir minhas impressões na postagem da resenha definitiva. Até lá, continuarei fazendo meus apontamentos e evitando ser curioso demais com spoilers, rsrsrs.

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20/01/2024

Publicado em 20.1.24 por

Investigando comportamentos humanos em situações extremas

Iniciando pela primeira vez a leitura integral das peças de Shakespeare, achei interessante começar pelos volumes do box da Nova Fronteira, que contém quatro peças cada, além de uma ótima tradução. No decorrer do ano passado, intercalei essa leitura com outros livros e assim pude aproveitar sem pressa esse primeiro tomo. 

Antes de tudo, devo frisar que as obras do bardo frequentemente exploram complexas questões morais e humanas, e as interpretações sobre elas podem variar em muitos casos. No entanto, vou destacar aqui alguns pontos relevantes sobre cada uma das tragédias desse primeiro volume, o qual reúne as quatro mais conhecidas do autor.

"Romeu e Julieta": Evidencia as consequências trágicas da rivalidade e do ódio entre as famílias Montecchio e Capuleto. A história aponta os perigos de preconceitos e hostilidades irracionais que podem trazer desastres inevitáveis. No demais, a peça também examina a impulsividade da juventude e as decisões tomadas sem considerar as consequências.

"Hamlet": Põe em xeque a vingança, mostrando como a busca por ela pode levar a um ciclo de tragédia e morte. Além disso, a introspecção e a luta de Hamlet também tocam em questões de moralidade pessoal e dilemas éticos bastante contundentes. O protagonista é um grande questionador e nunca para de buscar a verdade, apesar querer usá-la como pressuposto para fazer justiça com suas próprias mãos.

"Otelo, o mouro de Veneza": Retrata a destruição causada pela inveja e a manipulação das emoções humanas. A peça mostra como a falsidade pode corroer os relacionamentos e causar enormes prejuízos. Também explora o perigo da confiança cega nos outros e como a falta de comunicação pode levar a mal-entendidos trágicos.

"Macbeth": Gira em torno da ambição desenfreada e a corrupção que ela pode trazer. A busca de Macbeth pelo poder o leva a cometer atos terríveis ao ponto de perder sua humanidade. A peça alerta sobre os perigos da ganância e do anseio por status a qualquer custo, destacando como essa busca pode levar a resultados desastrosos e auto-destruição. Essa se tornou a minha preferida, apesar do final meio apressado.

Enfim, posso afirmar ainda que cada peça é bem rica em camadas, o que também permite múltiplas visões e análises de um mesmo tema. Dessa forma, elas nunca se esgotam numa única leitura e podem ser amplamente estudadas e discutidas. Shakespeare me impressionou bastante e aguardo novas surpresas em suas outras peças.

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08/01/2024

Publicado em 8.1.24 por

Livros adquiridos (2° sem. 2023)

Olá, pessoal! Acabei atrasando essa postagem pois houve um pedido que foi extraviado durante o período da Black Friday e tive que refazê-lo após certa demora com a política de devolução do pagamento. No demais, encerramos 2023 com muita coisa boa entre pechinchas e garimpos bem sucedidos. Venha conferir!

Até o último fantasma (Henry James)

Essa antologia apresenta uma seleção de histórias que exploram temas como o sobrenatural, o desconhecido e o inexplicável. Henry James é conhecido por sua abordagem sutil e psicológica no gênero dos contos de fantasmas, evocando uma atmosfera de tensão e ambiguidade repleta de mistérios.

A velha Nova York (Edith Wharton)

Antologia que reúne quatro novelas da melhor fase da autora: “Falso amanhecer”, “A solteirona”, “A faísca” e “Dia de Ano-Novo”. São histórias que retratam a alta sociedade de Nova York no final do século XIX, destacando as rígidas normas sociais, as restrições e as convenções daquela época. 

Jaqueta branca (Herman Melville)

Apresenta uma narrativa semelhante a um diário, baseada nas experiências do autor a bordo de um navio de guerra. A obra é uma análise detalhada da difícil vida dos marujos em meio ao rigoroso sistema hierárquico presente na marinha dos EUA no século XIX.

• Passeio ao farol (Virginia Woolf)

Conhecida por sua narrativa experimental e introspectiva, essa obra explora a complexidade das relações familiares e da psicologia humana. A autora trata da passagem do tempo e das percepções da memória, enquanto mergulha nas mentes dos personagens e revela suas esperanças, medos e anseios.

O tradutor cleptomaníaco (Dezsö Kosztolányi)

Antologia de treze contos de um dos mais conhecidos autores húngaros. Cada narrativa é uma janela única para os intricados aspectos do cotidiano, muitas vezes permeado por elementos de ironia e humor característicos de Kosztolányi.

Trilogia Cósmica (C.S. Lewis)

A série é uma exploração épica de ficção científica que segue as aventuras do Dr. Elwin Ransom enquanto ele viaja por planetas diferentes, encontrando seres extraterrestres e enfrentando questões filosóficas e teológicas. A trilogia aborda assuntos como o bem e o mal, livre-arbítrio e a natureza da divindade, entrelaçando elementos científicos com a fértil imaginação de Lewis.

O Aleph (Jorge Luis Borges)

Uma das mais famosas coletâneas de contos do renomado autor argentino. Suas histórias mergulham nas fronteiras entre o real e o imaginário, explorando labirintos, questões mitológicas e reflexões metaficcionais. Cada conto revela a maestria de Borges em entrelaçar conceitos enigmáticos com uma prosa ricamente simbólica.

Lord Jim (Joseph Conrad)

Conta a vida de Jim, um jovem oficial da marinha britânica, cujo ato de covardia durante um desastre marítimo o assombra. Em busca de redenção, Jim enfrenta desafios e dilemas morais ao longo de suas viagens, tentando lidar com a culpa e superar suas falhas do passado.

• Onde os velhos não tem vez (Cormac McCarthy)

A história se desenrola no sudoeste dos Estados Unidos e segue um caçador que encontra uma valise contendo dinheiro após um tiroteio entre traficantes de drogas. Por meio de um cenário árido e implacável, McCarthy apresenta uma narrativa intensa e contemplativa sobre as escolhas humanas diante da brutalidade do mundo.

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