22/02/2022

Publicado em 22.2.22 por

Ter um contato com o Criador do universo...

Sem sombra de dúvidas, Brother Simion é um dos maiores expoentes do underground cristão brasileiro. Sua relevância dentro desse cenário é algo que não deveria ser ignorado, nem mesmo pelo público mais tradicional.

Simion surgiu numa época efervescente de bandas que romperam com os tabus religiosos e procuravam alcançar vidas por meio do rock como ferramenta de evangelismo. Sua trajetória, contada neste livro de forma bem descontraída, é um belo testemunho de como alguém destruído pelas drogas pode ser liberto e alcançar redenção.

Durante a leitura, acompanhamos a jornada de Brother desde a sua dura infância e adolescência até chegar à vida adulta em loucas viagens pela Europa, onde ele se viu metido em diversas enrascadas, principalmente, decorrentes da dependência química. Após muitas desventuras e de volta ao Brasil, decide por uma mudança radical ao se converter ao Cristianismo, vivendo a partir daí, experiências ímpares em sua vida espiritual. Logo, o processo de composição de músicas autorais vai florescendo naturalmente e Simion se engaja na formação da banda Katsbarnea em fins da década de 80, tornando-se uma figura emblemática dentro do rock cristão nacional.

Ao longo dos anos, a história de Brother confundiu-se com suas canções, sendo um reflexo de uma vida que realmente se entregou ao Evangelho sem depender de fundamentos legalistas ou modismos. Com certeza, Johnny está mais vivo do que nunca.

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18/02/2022

Publicado em 18.2.22 por

Projeto Tijolões: Lendo Guerra e Paz (vol. 1)

Image source: Serguei Adamovitch

Durante minha leitura de Guerra & Paz, fui fazendo algumas breves anotações sobre os pontos principais de cada parte dos tomos. Não se trata de um resumo, mas apenas de um histórico para me guiar quanto à sucessão dos acontecimentos (se você se incomoda com SPOILERS, recomendo não continuar). A leitura foi bem mais fluída do que imaginei e novamente me surpreendi bastante com a escrita de Tolstói.

A seguir, menciono o progresso do primeiro volume, o qual possui dois tomos.

Tomo 1

Primeira parte

Achei o autor bem diferente daquele Tolstói contista que eu havia lido antes. Confesso que demorei um pouco pra me envolver com a história, mas o progresso dela ganhou contornos mais abrangentes depois. Nessa parte, temos um panorama inicial de vários membros da aristocracia russa que serão personagens-chave no romance, inclusive, alguns deles irão para a iminente guerra que já ameaça as fronteiras do país.

Segunda parte 

Não imaginava que a história adentrasse na guerra contra o exército de Napoleão logo nessa segunda parte do primeiro tomo. Muitas passagens trouxeram momentos tensos do combate entre as tropas russas e as francesas. Vemos a batalha sob vários ângulos, ora focando na atuação do príncipe Andrei, ora evidenciando a participação de Nikolai Rostóv e Dólokhov.

Terceira parte

Esse trecho começa com Pierre e suas novas vivências como herdeiro da fortuna do conde Bézoukhov. O mesmo acaba se vendo encurralado num difícil dilema a respeito de um casamento praticamente arranjado com a princesa Hélène. Em uma situação similar se encontra também a princesa Mária em relação a Anatole, filho do príncipe Vassíli. Enquanto isso, as tropas russas e austríacas entram em um novo confronto decisivo contra os franceses.

Tomo 2

Primeira parte

De volta da guerra, os sobreviventes da derrota em Austerlitz reencontram suas famílias. Andrei chega de surpresa no momento em que sua esposa dá a luz e assiste sua morte no parto. Pierre tem sérios problemas de ciúmes com Hélène por causa de Dólokhov e o desafia para um duelo. Posteriormente, Rostóv também se envolve em uma controvérsia com Dólokhov mediante uma alta dívida contraída nas apostas de um jogo de cartas.

Segunda parte

Perdido em indagações existenciais, Pierre conhece o intrigante maçom Ióssif Alekséievitch, o qual coloca em xeque todos os seus questionamentos. Pierre logo recebe o convite para fazer parte da maçonaria. Não muito tempo depois, ele resolve visitar Andrei, com quem tem uma conversa que expõe a diferença da visão de mundo entre os dois. Rostóv e seu amigo Deníssov voltam para o regimento e enfrentam uma terrível fome que assola os soldados. O Imperador Alexandre acaba firmando um acordo de paz com Napoleão.

Terceira parte 

Após o encontro com Pierre, Andrei reflete sobre sua situação e sente esperança de voltar à sua vida normal, interrompida após a morte de sua esposa. Pierre começa a se decepcionar com algumas questões dentro da Irmandade Maçônica, mas segue atuante na ordem mesmo em meio a divergências de ideias. Nesse meio tempo, ele reata seu matrimônio com Hélène ainda que a contragosto. Berg pede Sônia em casamento enquanto Bóris tenta se desvencilhar de Natacha. Em contrapartida, Andrei se apaixona por Natacha e pede sua mão para surpresa da família Rostóv.

Quarta parte 

Atendendo ao pedido de seus pais, Nikolai retorna para casa a fim de ajudar a cuidar dos negócios da família. Após uma caçada em grupo, Nikolai, Natacha e Pétia seguem para a casa de seu tio para uma rápida e agradável visita. Na tentativa de salvar sua família da ruína financeira, a condessa Rostova tenta convencer Nikolai a se casar com a rica herdeira Julie Karáguin. Durante o período do Natal, Nikolai e Sônia assumem seu relacionamento para desgosto da condensa. Nikolai volta então para seu regimento, mas decidido a deixar o serviço militar o quanto antes para se casar com Sônia.

Quinta parte

Ainda decepcionado com o rumo que sua vida tomou, Pierre retorna a Moscou e volta ao seu antigo e despreocupado estilo de vida, regado a farras e bebidas. O príncipe Bolkónski e sua filha Mária continuam receosos quanto ao matrimônio de Andrei, ao passo que Bóris pede Julie em casamento depois de hesitar bastante nessa decisão. Durante uma apresentação no Teatro, Natacha sente uma inesperada atração por Anatole, após o mesmo lhe lançar várias indiretas. Os dois acabam tendo um flerte e planejam fugir às escondidas, porém, são descobertos e impedidos a tempo. Ao saber disso, Pierre se enfurece com seu cunhado (Anatole) e ordena que ele deixe Moscou. Em seguida, Pierre tenta acalmar os ânimos tanto de Andrei quanto de Natacha, mas não tem sucesso. [fim do 1º volume]

Apesar desta leitura exigir muito mais tempo, estou conseguindo levá-la aos poucos e sem pressa. Assim que concluir o segundo volume (tomos 3 e 4), irei postar o andamento dele também como parte do histórico do projeto.

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16/02/2022

Publicado em 16.2.22 por

Do nascimento de uma Flor

Seus olhinhos resplandeciam uma pureza tão rara que dificilmente eu veria algo parecido em toda minha vida. Sutil inocência em sua completa maneira de ser. Plena e delicada, demonstrando a mais tenra alegria de existir. Deus havia trazido ao mundo a mais bela expressão de sua criação. Nela estavam a cor e o aroma dos sonhos. Tão suave e encantadora como um radiante dia de primavera. A flor que nascera para deleitar nossos dias.


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12/02/2022

Publicado em 12.2.22 por

Vidas interligadas pelo ofício

Por já ter vivenciado diversas situações similares com as descritas nesses contos, minha identificação foi logo imediata. A maneira como Roberto Mariani descreve os episódios ocorridos no microcosmo do escritório é deliciosamente agradável, ainda que por vezes possa ser brusca. Também há sutilezas dentro da medida certa de cada história, todas, de alguma forma interligadas com a instituição chamada de "A Casa". A ambiência urbana do início do século XX é outro dos pontos interessantes, oferecendo um plano de fundo bem sugestivo à obra.

Os ossos do ofício que envolvem os trabalhadores da "Casa" são sempre acompanhados por circunstâncias peculiares que, mesmo parecendo banais ou rotineiras, podem revelar muito do caráter dos personagens. Tudo isso em meio a momentos de surpresa, frustração, triunfo e até indiferença por parte dos mesmos.

No final, desejei muito que esse livro fosse um pouco maior. Em boa parte dos contos fiquei querendo um pouco mais, principalmente, no desfecho. No entanto, percebi que talvez a intenção do autor fosse justamente ser breve, além de deixar algumas questões em aberto para que o próprio leitor tirasse suas conclusões.

Destaques:

Rillo
Santana
Toulet

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10/02/2022

Publicado em 10.2.22 por

A pequenez do homem diante da natureza


Após anos vendo opiniões negativas sobre a obra máxima de Melville, resolvi tirar minhas próprias conclusões quanto a Moby Dick. Constatei que mesmo com tantas passagens repletas de digressões extensas, o livro não perde em nada de sua grandiosidade. É verdade que a história não possui tantos momentos de ação como a maioria imagina (talvez, tal perspectiva surgiu devido as inúmeras adaptações duvidosas que a obra sofreu tanto na TV quanto no cinema). O grande mérito de Moby Dick não se resume nas passagens que narram os conflitos da tripulação do Pequod com as baleias, mas envolve toda uma série de detalhes minuciosos em torno do cotidiano do navio e seu ofício. Além disso, os diálogos (e monólogos) do capitão Ahab são essenciais na trama, mostrando toda sua obsessiva sede por vingança como força motriz na incansável busca pelo cachalote branco.

Dentre as muitas interpretações da obra, pude ver o grande Leviatã principalmente como a representação da fúria e impetuosidade da natureza que se nega a ser domada pelo homem. Já Ahab é a síntese da obstinação humana na perene luta contra os poderes ancestrais, sempre frustrada em suas pífias tentativas contra aquilo que está longe de seu alcance mortal. Moby Dick, apesar de ser uma baleia, ganha um status quase que mítico em toda sua opulência como titã dos mares. Ela se torna o símbolo de tudo aquilo que nunca venceremos em nossa ânsia pelo controle absoluto das coisas.

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08/02/2022

Publicado em 8.2.22 por

Velocidade de leitura é importante?

Image source: Schakutjee/iStock

Existe um tempo estipulado pro término de uma leitura? Obviamente, não. Se você lê mais rápido ou mais devagar, o que vale é se realmente conseguiu absorver algo nessa experiência. Não importa o tempo que demore para concluir um livro, não se cobre de forma desnecessária. Eu mesmo vivia me achando "lento" nesse quesito e considerava isso um grande problema. Hoje sei que cada um possui seu próprio ritmo, o qual também é bastante influenciado pelo cotidiano. Há pessoas com mais tempo livre e nem por isso aproveitam essa vantagem para ampliar suas leituras, enquanto existem aqueles que mesmo em meio às correrias do dia a dia ainda conseguem ler alguma coisa. Creio que tudo isso envolve força de vontade e equilíbrio, basta querer. Qualquer um pode traçar metas e se esforçar para cumpri-las dentro de sua própria realidade. A motivação maior deve sempre partir de nós mesmos.

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04/02/2022

Publicado em 4.2.22 por

O eterno embate do duplo


De todas as obras que já li no tocante à famosa "questão do duplo", esta se tornou uma das minhas preferidas. É intrigante a obsessão de Féraud e D'Hubert no interminável embate que nunca chega a uma conclusão e sempre gera mais conflitos. O plano de fundo tendo como momento histórico a era napoleônica também dá um toque especial à trama, tornando a narrativa bem verossímil. É interessante notar ainda que Conrad demonstra uma habilidade incrível em desenrolar uma ótima história mesmo em uma novela mais curta (a mesma façanha o autor também já fez em outras de suas obras).

Outro elemento bem empregado é a ação, que nos dá aquela sensação de estarmos assistindo a uma produção cinematográfica de época (inclusive, Ridley Scott dirigiu uma adaptação dessa história). Cada capítulo nos traz novas surpresas e reviravoltas que vão colidindo com as expectativas dos personagens no decorrer dos anos que se passam, chegando a um clímax satisfatório no final. Este é um livro que certamente vale a pena ser relido!

OBS: em outras edições, esse livro pode ser encontrado com o título de "O Duelo".

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02/02/2022

Publicado em 2.2.22 por

O mal mora logo ali...


Uma alegoria? Uma paródia? Uma sutil análise da maldade oculta no coração do homem? Este livro é tudo isso e muito mais. Ainda que à primeira vista pareça uma história clichê, a desventura de Ralph e seus companheiros nos levam aos recônditos mais profundos e tenebrosos da alma. Passando por momentos singulares e indo até o tenso amargor, O Senhor das Moscas é um clássico atemporal que nos mostra o quanto a natureza humana pode ser nociva e perigosa, principalmente, em seu estado mais mordaz.

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