É notável o frenesi de muitos leitores pelas edições esgotadas da extinta Cosac Naify e, de certa forma, isso até tem certo fundamento quando o assunto se trata de colecionismo ou mero sentimento de apego pelo livro-objeto.
Lembro-me que quando a editora anunciou o encerramento de suas atividades, foi um alvoroço na internet. Muita gente saiu afoita atrás das promoções de ponta de estoque que estavam disponíveis exclusivamente na Amazon (eu mesmo fiz isso várias vezes na época). Já o "raspa do tacho", como costumamos dizer aqui no Nordeste, foi parar no Mercado Livre e nos sebos virtuais, os quais começaram a cobrar valores exorbitantes pelos remanescentes ainda lacrados. Se o interessado fosse daqueles bons em "garimpar", ainda conseguia vez ou outra encontrar um exemplar mais em conta, mesmo que usado.
Apesar de muitos desses títulos terem sido relançados posteriormente por outros selos, ainda há entusiastas que preferem as cobiçadas edições da Cosac. Realmente, não tem como negar a excelência dos lançamentos da editora paulista, que se destacou como nenhuma outra no mercado editorial brasileiro. Mesmo que suas derradeiras publicações tivessem sido de uma qualidade um tanto questionável (vide formato e encadernação de "Os Miseráveis" ou a fragilidade do box "Contos Completos" de Tolstoi), a Cosac Naify estava bem à frente quanto ao padrão conceitual e estético de um bom livro, isso sem falar nas excelentes traduções e na diversidade de títulos nada óbvios de seu catálogo. Após o fim da editora, outras tentaram seguir a mesma pegada, como a Carambaia e a Ubu, atendendo a uma demanda específica por edições exclusivas e luxuosas.
Encerrando meu breve comentário, indico essa ótima matéria sobre o assunto publicada no Portal G1.
Atualização (27/03/25): A editora retornou ao mercado, mas desta vez, focada mais em arte, cinema, fotografia e história do Brasil. Site oficial: Cosac Edições


