29/10/2022

Publicado em 29.10.22 por

Livros adquiridos (set/out 2022)

Já estamos perto do fim de ano e com isso nossa série de publicações a respeito dos novos livros adquiridos em 2022 também se encontra na reta final. Confiram nossas indicações!

Quatro Peças (Anton Tchekhov)

Depois de adquirir dois volumes de contos do Tchekhov, chegou a vez de ter pelo menos algumas de suas peças. Este volume traz quatro das principais obras teatrais do autor: A gaivota, Tio Vânia, Três irmãs e O jardim das cerejeiras. Ao invés de comprar edições com as peças separadas, achei bem mais interessante aguardar por um volume que reunisse algumas delas numa única publicação.

Eugénie Grandet (Honoré de Balzac)

Após a ótima experiência que tive lendo "O Pai Goriot", fui atrás de outras obras de Balzac e lembrei dessa indicação. O livro narra a história de um amor proibido e também aborda temas como o materialismo, ascensão social e o declínio da nobreza francesa na primeira metade do século XIX.

A Aventura do Estilo (Henry James / Robert Louis Stevenson)

Confesso que não sou muito fã de obras de não-ficção (com algumas raras exceções), mas esta, em especial, me chamou muito a atenção. Se trata de um compilado das correspondências trocadas entre os escritores Henry James e Robert Louis Stevenson, grandes amigos, diga-se de passagem. 

• A Cidade e as Serras (Eça de Queirós)

Último romance de Eça de Queirós, narra a história de Jacinto, herdeiro afortunado da antiga aristocracia rural portuguesa, que é obrigado a deixar sua confortável vida na França para tratar de assuntos familiares num pequeno lugarejo serrano conhecido como Tormes.

Janela Indiscreta e Outras Histórias (Cornell Woolrich)

Antologia contendo cinco breves narrativas policiais de um dos mais famosos escritores do gênero (inclusive, o conto que dá título à coletânea foi adaptado ao cinema pelas mãos do grande diretor Alfred Hitchcock). Os outros contos presentes nesse volume são: Post-mortem, Três horas, Homicídio trocado e Impulso

Os Contos (Lygia Fagundes Telles)

Ao contrário do que muitos pensam, essa antologia de contos da Lygia pela Cia das Letras não traz todas suas narrativas curtas, mas apenas aquelas que a própria autora havia permitido publicar em vida (muitos contos de sua juventude não foram mais republicados). Apesar disso, esta é uma compilação interessante que apresenta todos os contos de sua maturidade num único volume, o que faz esse exemplar valer muito a pena. 

Eneida (Virgílio)

Esse poema épico foi escrito por Virgílio no século I a.C. e conta a saga de Eneias, um troiano sobrevivente da Guerra de Troia que viaja errante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica, onde se tornará o ancestral dos fundadores da Roma antiga.

A morte de Virgílio (Hermann Broch)

Considerado um dos maiores romances do século XX, essa obra reconstitui as últimas horas de vida do poeta romano Virgílio, que viaja de navio até Brundísio a convite de Augusto por ocasião dos festejos de aniversário do Imperador. Narra ainda a decisão frustrada do poeta em queimar sua obra-prima, Eneida, e sua reconciliação final com seu destino.

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21/10/2022

Publicado em 21.10.22 por

A responsabilidade de ter olhos quando os outros perderam

Esse foi o meu primeiro contato com Saramago e, à princípio, estranhei um pouco a escrita peculiar dele, com parágrafos enormes e a ausência de pontuação na maior parte das frases. De certa forma, essa maneira de narrar se aliou perfeitamente às passagens tensas do livro, transmitindo um nervosismo que há tempos eu não sentia numa leitura.

O autor apresenta aqui um verdadeiro laboratório sobre a decadência da natureza humana. Sentimentos desprezíveis, como o egoísmo e a indiferença, são potencializados nessa trama sob o viés extremo da alienação causada pela "cegueira branca". Há situações bastante repulsivas no decorrer dos capítulos e que são consequências inevitáveis do terrível quadro epidêmico que se alastrou.

Aqui vale notar que os personagens não são nomeados, sendo identificados apenas por alguma característica pessoal que os designe. Aos poucos a desumanização deles vai acontecendo, até chegar num ápice onde é difícil manter a razão e a civilidade. Apenas no grupo da mulher do médico (a única pessoa que enxerga) é que ainda existe algum resquício de esperança em meio a todo aquele caos. A sobrevivência vai sendo garantida dia após dia com grandes, e até fatais, dificuldades. Quando chegamos no último capítulo, já estamos tão apreensivos que o alívio do final é sobremodo reconfortante.

Este é um livro que eu não recomendaria pra qualquer pessoa. Apesar de ser uma obra digna da fama que possui, é necessário "ter estômago" pra aguentar certas passagens. Claramente, Saramago quis ilustrar muita coisa através dessa história, como se a mesma também fosse uma parábola a respeito da real condição do homem em uma sociedade arruinada e sem solução, onde todos estariam cegos em seus temores e ignorância. Em contrapartida, o autor também mostra que nem tudo está perdido e que ainda pode existir bondade e compaixão para com o próximo mesmo num mundo repleto de terror e morte.

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14/10/2022

Publicado em 14.10.22 por

Esquadrinhando os conflitos do coração

Antes de tudo, devo ressaltar que a dinâmica dessa história é um pouco diferente daquilo que estamos acostumados a ver, já que a mesma se trata de um romance do século XVII. Justamente por isso, A Princesa de Clèves deve ser lido analisando-se também o contexto histórico-cultural do período em que foi escrito.

Logo no começo, somos apresentados a um quadro de intrigas, ciúmes e traições da corte francesa, sempre envolta em terríveis jogos de interesse. Em certos momentos tive dificuldade em me ater à narrativa devido às idas e voltas que a autora faz constantemente com histórias paralelas (alguns episódios são jogados em meio a uma mistura de personagens que podem facilmente confundir o leitor). Somente na terceira parte é que o romance segue pra uma linha mais concisa e fluida, deixando tudo mais claro, e logo vemos o porquê desse livro ser considerado um dos precursores do romance psicológico ao acompanharmos de perto os pensamentos da senhora de Clèves e do duque de Nemours em suas desventuras amorosas. A propósito, Albert Camus certa vez disse que nessa obra "há uma desconfiança constante em relação ao amor", e é assim que realmente se sucede por parte dos principais personagens.

O enredo realista que aborda a luta da heroína contra sentimentos adúlteros é completamente diferente para os padrões de sua época. Madame de La Fayette vai ainda mais além e cria um drama sem nenhum direito a finais felizes ou momentos açucarados. O que temos são conflitos pessoais que pululam a cada instante até a chegada de um anticlímax nada acalentador. 

A senhora de Clèves, mesmo sofrendo com as consequências de seu destino, se torna uma representação indômita da luta contra os desejos mais confusos do coração. Ela decide subsistir de forma implacável perante as contrariedades da vida e encontra nisso um propósito honrado que deve ser seguido a todo custo, ainda que tal escolha possa lhe omitir a felicidade.

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04/10/2022

Publicado em 4.10.22 por

Projeto Viagens Extraordinárias


Image source: Vantik (DeviantArt)

Visionário e imaginativo, Jules (Júlio) Verne já cativou milhares de leitores por meio de uma extensa e produtiva obra repleta de instigantes aventuras. Uma das principais características de suas histórias são as ricas informações geográficas dos lugares narrados, além da famosa "jornada do herói", que mostra o protagonista superando vários obstáculos até conquistar sua meta. Outro elemento bastante abordado pelo autor são os curiosos avanços tecnológicos presentes de forma interessante em muitas das máquinas/dispositivos usados pelos seus personagens (isso, inclusive, deu origem ao conceito chamado steampunk, que é um subgênero da ficção científica). 

Quem me acompanha por aqui sabe que sou um grande admirador de Júlio Verne. O apreço que tenho por suas obras começou quando eu ainda era criança. Na época, minha mãe havia comprado pra mim e minha irmã diversos clássicos adaptados, sendo que 20 Mil Léguas Submarinas estava entre os volumes daquela coleção. Apesar das ilustrações simples e do texto enxuto, aquela fascinante história do capitão Nemo e seu submarino ficou marcada na minha memória afetiva. Mais de duas décadas depois, quando comecei a comprar os primeiros exemplares da minha biblioteca particular, adquiri essa obra em sua versão integral e a partir dessa leitura, me animei na busca por outros livros do autor. Com o passar do tempo, decidi ler pelo menos um título dele por ano, até concluir todos os volumes que eu já tinha da série Viagens Extraordinárias, no entanto, por falta de planejamento, acabei falhando na proposta. 

Em 2021, retomei o meu modesto projeto de leitura anual das obras de Verne. Não estou seguindo nenhuma linha cronológica por ordem de publicação, mas tenho escolhido os títulos apenas por afinidade com a sinopse (até porque não tenho a coleção completa). A seguir, cito uma pequena relação das obras já lidas e pretendo atualizá-la sempre que concluir algum livro do autor.

2015: Vinte Mil Léguas Submarinas

2016: A Volta ao Mundo em 80 DiasViagem ao Centro da TerraMiguel Strogoff

2018: O Testamento de um Excêntrico

2021: A Estrela do SulO Eterno Adão (lido na antologia Das Estrelas ao Oceano)

2022: Cinco Semanas num Balão 

2023: Da Terra à Lua 

2024: Uma Cidade Flutuante 

2025: Os Quinhentos Milhões da Begum (leitura a começar)

Para acessar a resenha de cada obra, basta clicar no título da mesma.

OBS: Alguns livros podem não ser considerados precisamente parte da série, pois são obras póstumas ou com uma premissa diferenciada (como por exemplo: Paris no Século XX e O Eterno Adão). Mesmo assim, achei interessante inseri-los no projeto.

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