31/03/2022

Publicado em 31.3.22 por

Aventuras e diamantes

A cada leitura que faço das obras de Verne fico surpreso com a precisão de dados científicos e geográficos que ele usava pra enriquecer a trama. Tais detalhes não são lançados de maneira aleatória, mas se enquadram perfeitamente em cada capítulo. Mesmo que várias passagens tenham certo teor didático, isso não atrapalha a narrativa, pelo contrário, cria a atmosfera ideal para a aventura. 

Em A Estrela do Sul temos uma história que se passa na África Austral, em meio ao frenesi da caça aos diamantes no século XIX. Nesse contexto, o autor aproveita para tecer críticas ao colonialismo inglês e à exploração desenfreada ocorrida naquele território durante esse período. Guiado até lá por mero interesse científico, o protagonista Cipriano se vê mergulhado num mundo de conflitos e ganância, onde logo enfrentará diversos desafios em prol da mão de sua amada Alice, filha de um rico proprietário de terras. 

Dos romances menos conhecidos de Verne, este se tornou um dos meus favoritos. Uma boa dose de diversão e aventura do jeito que só o autor francês sabia contar. Leitura leve e instigante que recompensa com boas surpresas e imaginação de sobra.

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27/03/2022

Publicado em 27.3.22 por

Um apelo em prol da leitura em tempos de redes sociais


Image source: unidentified 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, a internet e as redes sociais são uma das razões para a queda do percentual de leitores no Brasil. Com isso, não queremos aqui "demonizar" o uso desses recursos ou culpá-los por tal situação, afinal, tudo depende muito da forma como dividimos o tempo e organizamos nossas prioridades. Em meio a essas circunstâncias, é importante ressaltar que as pessoas hoje estão bem mais dependentes da internet não só devido questões profissionais, mas também no tocante aos estudos e aquisição online de produtos.

Mas, independentemente disso, creio que a falta de incentivo à leitura por parte de pais e educadores continua sendo um fator bastante decisivo nesse quadro. Vivemos bombardeados a todo tempo com inúmeras distrações oriundas do celular e da TV, mas o controle que deveria começar na família já se demonstra falho quando nós mesmos não impomos limites no uso das redes sociais dentro de nossos próprios lares e escolas.

Se quisermos ver as coisas mudarem, precisamos ser modelo para nossos filhos e alunos, despertando neles o amor pela leitura. É claro que isso não virá de maneira forçada, mas deve ser algo feito com carinho e dedicação. A mudança começa nos pequenos gestos e no exemplo diário é que ela ascende à plenitude.

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23/03/2022

Publicado em 23.3.22 por

Da queda ao renascimento

Pra mim, Tolstói sempre foi cirúrgico em suas narrativas, ainda que algumas tragam certos aspectos questionáveis que reflitam sua fase mais radical.

Padre Sérgio não é uma de suas melhores obras, mas acerta em cheio na crítica contra o institucionalismo religioso da época e mostra no desfecho da história a simplicidade prática que o autor enxergava nos Evangelhos.

No final das contas, uma resignação meramente legalista jamais irá substituir o propósito genuíno de uma vida justa e humilde que encontra no amor ao próximo o cumprimento da vontade divina.

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19/03/2022

Publicado em 19.3.22 por

Respondendo ao chamado


Sempre que ouço falar de alguma história que tenha cães como personagens logo me vem à mente algo de natureza piegas ou tosca (sei que a banalização da TV quanto a esse tipo de abordagem acabou resultando nesta minha desconfiança). No entanto, em O Chamado da Floresta isso ficou bastante longe de acontecer.

Ainda que este livro não possua o mesmo peso de O Lobo do Mar, ele não fica aquém do esperado para um clássico de Jack London. A obra cumpre muito bem o que promete, de forma bastante clara e sucinta. A narrativa é precisa e não faz rodeios na trama, sendo convincente em todos os aspectos, inclusive, geográficos. Eis aí uma excelente aventura que não se apega em discursos clichês ou soluções deus ex machina.

Obs: em outras edições, esse livro pode ser encontrado com o título de "O Chamado Selvagem" ou "O Apelo da Selva".

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15/03/2022

Publicado em 15.3.22 por

Dicas de Contos #4

Nossas sugestões continuam bem diversificadas e nesta postagem haverá contos que abordam desde questões psicológicas e fantásticas até histórias que retratam situações corriqueiras do dia a dia.

✔ Casa tomada (Julio Cortázar) - Onde encontrar: Bestiário (Círculo do Livro / Civilização Brasileira). Você também pode ler o conto online, disponível nesse link.

             

✔ Dias raros (João Anzanello Carrascoza) - Onde encontrar: Dias Raros (SESI-SP); O Volume do Silêncio (SESI-SP).       

                         

✔ A marca na parede (Virginia Woolf) - Onde encontrar: Contos Completos (Cosac Naify, também em versão pocket); A Arte da Brevidade (Autêntica).

               

✔ Velhos (Dezsö Kosztolányi) - Onde encontrar: Contos Húngaros (Hedra).

✔ Sanatório sob o signo de clepsidra (Bruno Schutz) - Onde encontrar: Ficção Completa (Cosac Naify).

                                        
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11/03/2022

Publicado em 11.3.22 por

Vida longa e próspera, Enterprise!

Antes de tudo, é imprescindível assistir ao episódio "Todos os nossos ontens" (penúltimo capítulo da 3ª temporada da série clássica) para melhor compreensão dessa trama, uma vez que Portal da Tempo é uma continuação da mesma. Nesse livro, a escritora A. C. Crispin conseguiu captar bem a ambientação e os elementos que constituem o universo de Star Trek sem descaracterizar nada dos personagens ou da mitologia da série. Os argumentos do enredo não são jogados aleatoriamente, como acontece em tantas outras adaptações de sci-fi, mas são bem costurados, usando sempre referências de aventuras anteriores da franquia.

Nesta história, Spock se vê perante um incômodo dilema ao ter que lidar com um filho bastardo que foi fruto de sua transgressão dos costumes vulcanos. Ainda que em alguns momentos tenhamos o vislumbre de um Spock sentindo raiva ou decepção, essas raras demonstrações emotivas são expressas somente em seu íntimo, se exteriorizando apenas como uma mera indiferença perante os fatos. Particularmente, não vi problema nisso, uma vez que o personagem também tem seu lado humano, mesmo que inibido por suas fortes tradições.

De forma segura, Portal do Tempo está à altura dos roteiros originais de Jornada nas Estrelas e nos faz sentir como se estivéssemos assistindo a um novo capítulo da célebre saga intergaláctica.

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07/03/2022

Publicado em 7.3.22 por

Stevenson sabia mesmo como contar uma história

O que mais me encanta em Stevenson é a plasticidade e fluidez de suas histórias. Cada narrativa possui uma atmosfera tão distinta e envolvente que não tem como acharmos algo enfadonho ou prolixo na trama. Tudo é muito bem colocado dentro do desenrolar dos acontecimentos, levando o leitor a experimentar cada aventura de forma única (o próprio Stevenson certa vez disse que "todas as circunstâncias num relato devem se relacionar, como as notas numa melodia").

A riqueza desse volume me fez perguntar porque as editoras brasileiras não investem em outras obras do autor que estão fora de catálogo há décadas ou em algumas que nem sequer foram traduzidas para o português ainda. A propósito, esta coletânea da Cosac é ótima, mas merecia também a presença de mais contos notáveis do escritor escocês, como O diamante do Rajá, A Praia de Falesá e Thrawn Janet.

Obs: essa antologia traz duas novelas (O Clube do Suicídio e O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde) e três contos (Markheim, O Demônio da Garrafa e O Vestíbulo).

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01/03/2022

Publicado em 1.3.22 por

Livros adquiridos (jan/fev 2022)


O início desse ano rendeu alguns livros interessantes para nosso acervo. Como quase sempre, me ative aos preços promocionais de obras que eu já estava de olho há algum tempo. Abaixo, comento um pouquinho a respeito de cada exemplar adquirido no primeiro bimestre.

A Inquilina de Wildfell Hall (Anne Brontë)

Considerada a principal obra da caçula dos Brontë, este livro é um dos romances mais chocantes da Era Vitoriana. Há nele críticas pertinentes ao alcoolismo, à falsa moralidade e aos relacionamentos conjugais abusivos, além de abordar a luta da mulher pelos seus direitos. 

Ficções (Jorge Luis Borges)

Dentre os autores latino-americanos clássicos, Borges é um dos que eu ainda não tive contato até agora. Talvez, isso se deu mais pelo meu receio quanto à fama de dificuldade que os textos dele possuem. No entanto, resolvi não atentar pra isso e escolhi essa seleção de contos como porta de entrada para sua obra, a qual, pelo que já soube, passeia bastante pelo realismo fantástico. 

As Brasas (Sándor Márai)

Me interessei por Márai após ler algumas obras da literatura húngara e ter gostado bastante. Vi indicações boas quanto a esse livro e mesmo que esta edição não possua uma tradução direta, achei que valeria a pena tê-la. A trama é basicamente simples e conta a história de dois amigos que não se veem há 41 anos e pretendem se reencontrar.

Gente Pobre (Fiódor Dostoiévski)

A obra de estreia de Dostoiévski é uma pequena novela epistolar, mas que já apresentava muitas das características que iriam fazer parte do estilo do autor. Essa edição da Principis conta com o texto integral da obra e tradução direta do russo feita por Irineu Franco Perpétuo.

O Natal de Poirot (Agatha Christie)

Já garantindo minha leitura natalina desse ano, consegui uma nova edição dessa aventura de um dos detetives mais famosos da ficção policial: Hercule Poirot. Pela sinopse, é uma história que envolve conflitos familiares e ganância, além da investigação de um terrível assassinato.


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