04/05/2024

Publicado em 4.5.24 por

Nos percalços da transgressão e da busca pelo sentido

"Breaking Bad" é uma expressão idiomática em inglês que refere-se ao fato de alguém agir bruscamente de forma violenta ou meramente se tornar um criminoso. Essa sentença ficou bem mais conhecida mundialmente depois da série homônima que fez muito sucesso anos atrás. Mas no que o livro de Georges Simenon me fez lembrar disso? O protagonista Kees Popinga e o famigerado Walter White tem algumas coisas parecidas entre si: ambos começam como homens comuns, aparentemente inofensivos, mas que após um estopim sobrevindo de situações trágicas, são impulsionados a mergulhar em um mundo de crime e violência. Ambos sofrem uma espécie de quebra de identidade, deixando para trás suas vidas anteriores para se tornarem figuras completamente diferentes, descobrindo assim, facetas obscuras de si mesmos.

Em "O Homem que via o trem passar", Simenon habilmente retrata essa tumultuosa trajetória de Popinga através de um abismo de transgressão moral e caos existencial, caminhando em meio a um turbilhão de emoções e eventos imprevisíveis. A complexidade e indiferença do protagonista são aspectos de destaque ao mesmo tempo em que ele se vê envolvido em situações cada vez mais desconcertantes enquanto tenta fugir da polícia.

Além de apresentar uma narrativa envolvente e suspense pulsante, esse livro também nos desafia a refletir sobre o que realmente define a essência de um ser humano e até onde ele está disposto a ir em busca de autoafirmação. Enfim, Kees Popinga e Walter White são personagens que até podem ter tido finais diferentes, mas chegaram num ponto onde tiveram que encarar aquilo que qualquer infrator cedo ou tarde irá sofrer: as terríveis consequências de suas próprias escolhas.