31/05/2022

Publicado em 31.5.22 por

Revitalização da minha prateleira de literatura nacional


Quando comecei a comprar os primeiros exemplares para minha biblioteca particular, dei prioridade aos livros de literatura estrangeira que eram um pouco mais difíceis de encontrar do que os nacionais. Pra compensar, na época adquiri alguns títulos de literatura brasileira em formatos econômicos e de qualidade bastante duvidosa, o que me causou certo arrependimento depois, uma vez que a encadernação e diagramação desses eram bem ruins. 

Levando em consideração que muitas editoras têm lançado mais obras nacionais recentemente, percebi que a qualidade e até os preços melhoraram muito e isso acabou me motivando a trocar meus velhos exemplares e adquirir mais alguns que ainda não tenho. 

Nessa primeira etapa, os títulos que escolhi foram:

• A Moreninha / A Luneta Mágica (Joaquim Manuel de Macedo)

 Cinco Minutos / A Viuvinha (José de Alencar)

• Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida)

A Falência (Júlia Lopes de Almeida)

Noite na Taverna / Macário (Álvares de Azevedo)

Inocência (Visconde de Taunay)

As Horas Nuas (Lygia Fagundes Telles)

Dom Casmurro / Quincas Borba (Machado de Assis)

Primeiras Estórias (João Guimarães Rosa)

Labirinto de Espelhos (Josué Montello)

• A Maçã no Escuro (Clarice Lispector)

Auto da Compadecida (Ariano Suassuna)

Aos poucos, irei fazendo a revitalização da prateleira e incluindo essas obras em futuras metas de leitura (ou releitura). Lembrando novamente que essa não é nenhuma lista definitiva de obras essenciais, mas apenas uma relação com os próximos livros nacionais que entrarão no acervo.

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27/05/2022

Publicado em 27.5.22 por

O destino traçado pelo algoz do tempo

Eduardo é um homem solteiro no auge de sua maturidade. Ainda que aparentemente bem resolvido, esconde dentro de si muitos temores que se perpetuaram no decorrer de sua vida. Um desses receios, inclusive, irá ganhar forma de superstição definitiva em sua mente: a ligação do seu velho relógio de família com a morte de entes queridos. Não demora muito para que esse presságio funesto se direcione também a ele no momento em que o relógio novamente para após anos sem isso acontecer (nas outras mortes, ocorrera a mesma coincidência). A partir daí, vemos todo o embate psicológico de Eduardo tentando se esquivar de prováveis situações fatais durante seu dia a dia. Em meio a essa paranoia, há diversos momentos de flashbacks que nos dão detalhes importantes sobre a história do protagonista, enriquecendo ainda mais a narrativa. Aliado a isso, também surgem alguns flashforwards que mostram perspectivas diferentes para algumas decisões que poderiam ser tomadas durante esse frenesi.

Ao concluir a leitura pude analisar que o medo da morte é algo inevitável e comum a todos, mesmo que isso se manifeste de forma diferente para cada um. Os inquietantes dilemas de Eduardo não são exclusividade de gente considerada "louca", antes, pertencem a qualquer pessoa que um dia já esteve a se indagar a respeito de seu próprio desfecho neste mundo.

Em vista de tudo isso, é no mínimo curioso que um livro tão bom assim não tenha o devido reconhecimento que merece. Sua trama é deveras interessante e não fica atrás de outros romances escritos na época de seu lançamento.

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23/05/2022

Publicado em 23.5.22 por

Duas novelas regidas com muita competência


Em A Promessa, Dürrenmatt subverte o romance policial com uma sagacidade admirável. Ao mesmo tempo em que o autor ironiza o gênero ele também faz uma primorosa homenagem ao mesmo, o que acabei achando sensacional. Essa misteriosa trama é muito bem conduzida e possui um anticlímax curioso que não chega a decepcionar quem entendeu o verdadeiro propósito da história.

Tudo se desenrola durante a interminável caçada pelo assassino de uma garotinha. Neste caso, o experiente inspetor Matthäi acaba vivendo um fracasso que não é necessariamente uma derrota em si, representando desse modo um paradoxo contundente que condiz com a realidade e foge das fórmulas que muitas vezes estamos acostumados a ver na ficção policial.

Na segunda novela presente no volume, intitulada A Pane, temos uma narrativa bastante original que nos apresenta um julgamento em forma de "jogo". Um grupo de idosos experientes na área jurídica penal põe em cheque toda certeza de inocência de um caixeiro-viajante que até então se achava isento de qualquer delito em sua vida. Além da atmosfera cômica, temos novamente assuntos como justiça e culpa sendo abordados em situações delicadas e cruciais.

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19/05/2022

Publicado em 19.5.22 por

Cinco obras menos conhecidas de Júlio Verne que também são ótimas

Image source: Edition Hetzel

Quando se fala do escritor Júlio Verne (ou Jules Verne, se preferir), geralmente as pessoas lembram apenas de suas obras mais divulgadas (A Volta ao Mundo em 80 Dias, Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, A Ilha Misteriosa e Cinco Semanas num Balão) as quais são realmente ótimas e por isso mesmo as editoras acabam focando mais nestes livros do que em outros títulos diferentes do autor que precisam de novas traduções no mercado editorial. Até mesmo o conhecido Da Terra à Lua, que ultimamente ganhou novas edições aqui no Brasil, quase sempre tem sua continuação esquecida (com exceção da edição bilíngue lançada pela Landmark, Ao Redor da Lua só pode ser encontrado em sebos).

Júlio Verne teve uma produção muito prolífica, com mais de 60 obras (algumas, divididas em dois ou três volumes) e boa parte delas está fora de catálogo há décadas. Nos anos 60, a antiga editora Matos Peixoto chegou a lançar quase toda a coleção Viagens Extraordinárias, façanha esta conquistada décadas depois apenas pela portuguesa RBA (obviamente, estou me referindo somente às edições em nossa língua). No entanto, ainda podemos encontrar vários volumes disponíveis nos sebos online, até porque a RBA lançou e exportou recentemente uma nova tiragem com o mesmo formato em capa dura que ela já havia publicado no início dos anos 2000.

Pois bem, a seguir irei dar algumas indicações de excelentes livros de Júlio Verne que não são tão conhecidos por aqui, mas que não deixam a desejar quando o assunto se trata de uma aventura bem contada. 


1. Miguel Strogoff
A viagem do Correio do Czar é sem dúvida uma das histórias mais eletrizantes do autor. Tem um clima completamente cinematográfico e com reviravoltas que capturam a atenção de quem lê. O enredo se passa na antiga Rússia em meio a uma inesperada insurreição contra o monarca. 

2. A Estrela do Sul
Outra aventura com elementos bastante pitorescos e ambientação única. Aqui também temos uma jornada heroica, só que desta vez, incitada por uma motivação mais pessoal. A trama se desenrola na África Austral e mostra todo ímpeto da corrida por diamantes naquela região durante o século XIX. 


3. O Castelo dos Cárpatos
Diferente das outras obras de Verne, essa traz uma temática mais voltada ao suspense e terror, dispondo inclusive de várias características do romance gótico. Tudo se passa numa aldeia localizada na Transilvânia, onde diversos mistérios sinistros deixam os moradores apreensivos quanto a um suposto castelo amaldiçoado que seria a causa de tais infortúnios. 

4. O Testamento de um Excêntrico
De todos os romances de Verne, este é um dos que mais apresenta descrições geográficas extensas intercalando os episódios do enredo. Apesar do alto teor informativo, as peripécias dos personagens são bem divertidas, assim como o plano de fundo ser bastante original pra época, apresentando uma espécie de "reality show" pré-televisão, se assim posso dizer. A história é ambientada nos Estados Unidos e segue uma temática baseada no famoso Jogo do Ganso. Infelizmente, no momento, existe apenas uma edição limitada desse livro em nosso idioma, a qual foi lançada pela Carambaia em 2017.


5. Os Filhos do Capitão Grant (trilogia)
Essa história é dividida em três partes que envolvem aventuras marítimas na América do Sul, Austrália e Oceano Pacífico, mas por se tratar de uma única sequência, a considero como uma obra só. A jornada de lorde Glenarvan com os irmãos Roberto e Mary em busca do desaparecido Capitão Grant explora várias curiosidades geográficas, além de aspectos exuberantes da fauna e flora em regiões até então remotas para o europeu daquela época.

OBS: É importante lembrar que as recomendações feitas aqui se referem ao texto integral das obras e não às suas adaptações infanto-juvenis.

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15/05/2022

Publicado em 15.5.22 por

Desesperança perante a sequidão

Há tempos eu estava devendo a mim mesmo essa leitura. Descobri nesse primeiro contato com Rachel de Queiroz que ela era dona de uma escrita muito límpida e concisa, que não se atinha a detalhes demorados, sejam quais fossem as descrições que eram feitas. Mesmo breves, tais detalhes nos fazem sentir na pele aquilo que está sendo narrado. O sertão nordestino já foi tema em muitos romances, mas nas mãos de Rachel ele ganha um panorama mais "enxuto", se assim posso dizer. 

A fluidez do texto é muito boa em meio aos curtos capítulos, não perdendo o ritmo em nenhum momento. Os personagens se apresentam bem verossímeis com a dura realidade da época, imprimindo toda miséria e insegurança que o Nordeste sofreu durante a grande seca de 1915. O desfecho da história pode não agradar a todos, mas pelo menos, é algo que está em conformidade com o triste cenário que foi desenhado no enredo. Certamente, esta é uma obra que merece seu lugar no rol dos clássicos brasileiros.

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11/05/2022

Publicado em 11.5.22 por

Do mero cotidiano às naves espaciais

Publicada em 1953, essa antologia é um testemunho da habilidade de Bradbury em mesclar elementos científicos com profundos questionamentos a respeito da condição humana. Seja explorando mundos desconhecidos ou revisitando o passado, cada conto revela camadas de significado, desafiando a mente do leitor e estimulando a imaginação.

Talvez, a ideia que a editora quis passar com esse livro era de que o mesmo fosse uma coletânea apenas de ficção científica, no entanto, aqui também temos histórias que passeiam desde o suspense, literatura fantástica até relatos triviais do cotidiano.

Em alguns contos senti uma deliciosa melancolia, sempre envolta de reflexões a respeito da vida e seus entraves. Em outros, havia um ar mais cômico e recreativo, mas sem perder o propósito da mensagem principal. Tenho que ressaltar também o ótimo equilíbrio que há entre os capítulos desse volume, além da leveza objetiva que envolve o leitor logo nas primeiras linhas de cada conto.

Engraçado como muita gente considera a ficção científica como uma espécie de "subliteratura". Assim como em qualquer outro gênero, ela também possui obras de excelente qualidade, ainda que a natureza de suas histórias não seja bem do interesse do grande público.

Destaques:

A sirene do nevoeiro
O assassino
O vasto mundo lá fora 
Um som de trovão

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07/05/2022

Publicado em 7.5.22 por

Projeto Tijolões: Lendo Guerra e Paz (vol. 2)

Image source: Serguei Adamovitch

No decorrer da minha leitura desse segundo volume, coincidentemente, se deu a invasão militar da Ucrânia pela Rússia. Alguns fatores nesse conflito despertaram a minha atenção quanto ao contexto histórico-cultural desses dois países e me situaram mais ainda na trama de Guerra & Paz através do paralelo que envolve o horror e a destruição causados pela guerra. Ainda que essas sejam histórias ocorridas em tempos diferentes, ambas mostram aspectos incisivos da crueldade humana no tocante aos conflitos bélicos entre nações.

Apesar do grande tempo despendido nessa leitura, o retorno que recebi foi altamente gratificante e me sinto muito satisfeito com essa experiência. Tolstói mais uma vez me surpreendeu.

Assim como fiz na postagem anterior sobre o andamento da leitura, citarei o histórico de cada parte dos tomos desse volume também (contendo SPOILERS). 

Tomo 3

Primeira parte

Tolstói inicia esse tomo com uma descrição histórica dos vários motivos que acarretaram as guerras napoleônicas. Voltando à trama, Napoleão prepara seu exército para atacar enquanto o Imperador Alexandre e as tropas russas estão acomodados e sem muitas expectativas de um ataque iminente. Alexandre envia uma carta a Napoleão como última tentativa de conciliação, mas o Imperador francês não aceita as exigências e inicia o ataque. Sentindo-se ultrajado pela atitude de Anatole para com Natacha, Andrei volta para o exército e pensa em desafiá-lo para um duelo, mas não o encontra entre as tropas russas na Turquia e retorna. No campo de batalha, Nikolai Rostóv lidera uma investida bem sucedida e é condecorado, mas uma nova inquietação a respeito do horror da guerra o perturba. Em Moscou, Natacha continua em seu auto-isolamento após ter adoecido em meio ao remorso de sua traição a Andrei. Aos poucos, ela vai tendo uma gradativa melhora e passa a encontrar consolo nas visitas de Pierre à sua casa. Pierre passa a ficar constrangido pois percebe que começa a nutrir um sentimento diferente por Natacha e que ela também discretamente demonstra um afeto mais profundo por ele. O Imperador Alexandre convoca toda nobreza e a classe dos comerciantes para lhes solicitar contribuições de materiais para a guerra e homens para o exército.

Segunda parte

Montes Calvos, a propriedade do príncipe Bolkónsk, se encontra em perigo devido a proximidade da guerra na cidade vizinha de Smolensk. O príncipe Andrei consegue avisar sua família, esperando que todos fujam para Moscou, no entanto, seu pai decide ficar e organizar uma milícia composta de servos e camponeses a fim de resistir ao ataque. Inesperadamente, ele logo sofre um ataque que o deixa mortalmente ferido. De luto pelo pai e impedida de sair da aldeia pelos mujiques, a Mária se encontra desolada em Bogutchárovo quando recebe a inesperada visita de Nikolai, que chega em busca de feno sem saber que alí se encontrava a princesa. Ele então a ajuda impondo sua autoridade sobre os camponeses, garantindo assim a partida de Mária, que acaba se enamorando de Nikolai. Enquanto isso, o general Kutúzov (que havia sido designado para o cargo de comandante-em-chefe) recebe Andrei e o consola por decorrência da morte de seu pai. Em Moscou, Pierre finalmente decide entrar para o exército motivado por uma superstição particular sobre seu destino na guerra. Saindo então em busca das tropas russas, ele alcança o regimento em Górki e de lá chega às linhas de combate em Borodinó, onde encontra Andrei, que o recebe com indiferença. Dado início à batalha, Pierre sobe a colina para observar tudo de perto, porém o ataque se torna acirrado e ele acaba fugindo para não ser morto. Durante o ponto alto do conflito, Andrei é atingido por uma granada e levado ferido para uma enfermaria onde, para sua grande surpresa, acaba sendo colocado ao lado de Anatole, que tem sua perna amputada em meio a muito sofrimento. Encerrada a luta em Borodinó, Napoleão, com seu orgulho ferido, não admite a forte resistência dos russos, os quais se sobressaíram mesmo em desvantagem.

Terceira parte

Os generais russos se reúnem no conselho de Fili para decidirem se as tropas restantes defenderiam Moscou da invasão ou recuariam. Apesar das opiniões controversas, Kutúzov decide por retroceder, já que o exército ainda não estava em condições de enfrentar um novo ataque. Paralelo a esses acontecimentos, Hélène arma estratégias para conseguir se separar de Pierre e casar-se com um dos dois pretendentes já escolhidos por ela. Pierre volta à Moscou logo após a batalha e tem uma conversa com o conde Rostoptchin, que é o governador-geral da cidade. Rostoptchin então o acusa de manter ligações com supostos traidores e o deporta de Moscou. Já farto de tudo aquilo e após ler a carta de Hélène sobre o pedido de divórcio, Pierre foge sem deixar pistas de seu paradeiro. Após muita insistência, Pétia (o caçula dos Rostóv) ingressa no regimento dos cossacos a contragosto de sua mãe. Em meio a toda confusão que aflige a capital, os Rostóv se preparam para ir embora e cedem sua casa como abrigo para vários feridos recém chegados. Entre eles, se encontra o príncipe Andrei em péssimo estado, o qual acaba partindo junto com todos após o conde Rostóv ceder suas carroças para transporte dos feridos. Ao chegar em Moscou, Napoleão se frusta por achar a cidade praticamente abandonada. Os soldados franceses logo invadem a cidade à procura de bens para pilhar e de casas para abrigo. Pierre, que estava escondido na casa de seu falecido benfeitor, o maçon Ióssif Alekséievitch, acaba recebendo um oficial francês com alguns de seus subordinados. Durante essa indesejada visita, o velho irmão louco de Alekséievitch atira contra o capitão Ramballe, mas é impedido bem na hora por Pierre. A partir daí, o oficial se considera em dívida com ele e tenta cultivar sua amizade. Sônia conta à sua irmã sobre o Príncipe Andrei estar na mesma caravana que eles e Natacha acaba saindo escondida à noite para ver seu ex-noivo. Ainda em delicado estado de saúde, Andrei consegue reconhecer nela seu antigo amor e ambos se reconciliam alí mesmo. Enquanto isso, um incêndio sem precedentes se alastra pela cidade e Pierre salva uma garotinha de uma casa em chamas e logo em seguida é preso por defender uma família de armênios que estava sendo saqueada por soldados franceses.

Tomo 4

Primeira parte

Após ficar supostamente depressiva devido sua polêmica situação quanto a um novo matrimônio, Hélène adoece e morre de uma overdose de remédios. O Imperador Alexandre recebe a notícia da tomada de Moscou, mas se mostra determinado a enfrentar Napoleão até às últimas consequências. Nikolai está em Voróniej e lá encontra sua tia e a governadora da cidade, a qual tenta chegar convencê-lo a se casar com a princesa Mária. O jovem Rostóv percebe então que seu interesse pela princesa aumenta e logo se vê perante uma difícil escolha, uma vez que o mesmo ainda está comprometido com Sônia. Por coincidência, nesse mesmo período, Nikolai recebe uma carta de seu antigo amor, liberando ele de seu compromisso. Mal sabe ele que sua mãe havia antes pressionado Sônia para que ela desistisse desse relacionamento. Pierre é interrogado pelos franceses, mas não revela seu nome, sendo considerado como um incendiário. O general Davout ordena que Pierre seja levado juntamente com outros prisioneiros para uma execução pública, porém poupa sua vida no último minuto. Mária fica sabendo que seu irmão está com os Rostóv em Iaroslavl e se apressa para alcançá-los. Ao chegar lá, encontra Andrei desanimado e sem esperanças, ainda bastante mal devido seu ferimento de guerra. Apesar de todos os cuidados médicos, o príncipe não resiste e acaba morrendo. 

Segunda parte 

Os franceses perdem de vista o exército russo, o qual havia se deslocado para o sul, ficando em uma posição bem mais favorável para uma nova investida. As tropas russas fazem um ataque surpresa aos franceses em Tarútino e conquistam uma razoável vitória. Enquanto isso, Napoleão tenta colocar ordem em Moscou, porém tudo já está fora de controle. Pierre, que se encontrava preso há um mês no barracão dos soldados, ganha simpatia de todos e muda sua concepção sobre a vida após passar por tantas adversidades. O exército francês, juntamente com os prisioneiros, partem de Moscou e o comandante Kutúzov recebe essa notícia em primeira mão da parte de um mensageiro russo. O velho e experiente comandante decide evitar ataques desnecessários e esperar o momento certo antes de decidir por um novo confronto.

Terceira parte

Pétia se une a Deníssov, que agora comanda um grupo de guerrilheiros. Deníssov, com a ajuda de Dólokhov, planejam uma investida contra um grande comboio francês no meio da estrada. Dólokhov e Pétia entram disfarçados no acampamento francês e tentam colher algumas informações importantes sobre aquele regimento. O ataque é iniciado no dia seguinte logo pela manhã bem cedo e Pétia morre em meio ao tiroteio. Os russos vencem e libertam os prisioneiros, dentre os quais se encontra Pierre. Enquanto isso, o restante do exército francês continua sucumbindo ao cansaço, à fome e ao frio, além de sofrerem constantes ofensivas dos russos pelo caminho. 

Quarta parte

Natacha e Mária ainda estão enfrentando o terrível luto pelo falecimento de Andrei quando chega a notícia da morte de Pétia. A comoção se torna geral na casa dos Rostóv e toda família sofre intensamente durante semanas. As tropas russas continuam a perseguir os franceses morimbundos, mas Kutúzov prefere apenas afugentá-los para fora do país, a fim de não correr o risco de ter mais perdas desnecessárias entre os soldados. Chegando em Vilna, Kutúzov, contra a vontade do soberano, retém a maior parte das tropas e lá mesmo permanece por dias. Alexandre I logo chega na cidade e condecora Kutúzov pelos seus últimos esforços na guerra, mas ao mesmo tempo, também se demonstra insatisfeito com as atitudes do velho comandante. O imperador despacha então Kutúzov da liderança e transfere todo poder da regência para ele mesmo. Após sua libertação do cativeiro, Pierre vai para Oriol e lá adoece, ficando em convalescença por três meses, durante os quais começa a viver sob uma perspectiva mais simples e prática.

Voltando para Moscou, Pierre visita a princesa Mária e fica surpreso ao ver Natacha, que estava passando alguns dias na casa da amiga. Superando o clima de tristeza que ainda pairava, as duas convidam Pierre para um jantar e pedem que ele lhes conte sobre suas experiências na guerra. Após esse encontro, reacende no coração do jovem conde o amor velado que ele tinha por Natacha e assim, ele começa a alimentar esperanças de que ela possa aceitar um provável pedido de casamento seu. Enquanto isso, Natacha também desperta o amor por Pierre e revela à Mária seus sentimentos, pedindo conselhos a respeito dessa situação.

Epílogo

Pierre se casa com Natacha e o casal vai morar em São Peterburgo. No mesmo ano, o velho conde Rostóv adoece e morre, deixando uma grande quantidade de dívidas a serem pagas. Nikolai assume então os negócios da família, mas não consegue lidar com tantos credores. Devido à delicadeza do momento, ele se muda juntamente com sua mãe e sua prima Sônia para uma casa menor a fim de cortar gastos, tentando esconder da velha condessa o triste quadro em que se encontram as finanças. A princesa Mária resolve visitar os Rostóv mas encontra Nikolai frio e indiferente e acaba se afastando dele. Nikolai resolve ceder à sugestão de sua mãe e vai visitar a princesa alguns dias depois e ambos conseguem se entender novamente. O jovem Rostóv se casa então com Mária e consegue quitar todas as dívidas usando seus próprios esforços sem depender da fortuna da esposa. O casal vai morar em Montes Calvos e lá Nikolai prospera trabalhando no setor agrícola. Enfim, para concluir a história dos personagens após a guerra, Tolstói relata algumas trivialidades no cotidiano das famílias Rostóv e Bezukhóv, ambas já com filhos e compartilhando uma vida mais simples, longe dos holofotes da alta sociedade russa. Encerrando o epílogo, o autor apresenta sua filosofia sobre a guerra em um breve ensaio onde ele discorre a respeito da força que move os povos em acontecimentos históricos. 

Enfim, chegamos ao final desta longa jornada. Em breve, também postarei minhas impressões gerais sobre esse clássico.

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03/05/2022

Publicado em 3.5.22 por

Uma ótima reflexão sobre a pena de morte

Ainda que não seja tão envolvente quanto outras obras de Victor Hugo, O Último Dia de um Condenado é bom o suficiente pra despertar no leitor um sentimento de empatia pelo personagem principal (mesmo que não saibamos o motivo de sua sentença de morte). A narração é feita de uma forma simples e até um tanto ingênua, mas não se engane, pois à medida que mergulhamos na história, começamos a ver a situação sob a ótica do condenado, nos colocamos no lugar dele também.

Essa obra não é apenas uma crítica ao sistema penal de sua época, mas, além de tudo, é um forte clamor em prol da valorização da vida humana.

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