18/06/2023

Publicado em 18.6.23 por

Nos limites da realidade

Na época em que comprei essa antologia do Hoffmann fui movido apenas pela mera curiosidade trazida pela sinopse do livro. Não por pouco, fui depois surpreendido do começo ao fim com a narrativa do autor alemão, o qual foi um dos pioneiros na escrita de histórias de horror e fantasia.

Seus contos são marcados por elementos sobrenaturais e trazem uma atmosfera gótica bem característica. São histórias quem viajam entre a linha do real e o imaginário, o bem e o mal, o normal e o estranho, criando um senso de ambiguidade recheado de mistério. Há também temas psicológicos sendo abordados com boas doses de ironia e humor negro e o autor ainda brinca com as expectativas do leitor, subvertendo as convenções literárias de sua época ao apresentar reviravoltas inesperadas na trama. 

Outro ponto que vale lembrar é a mistura que Hoffmann faz com os gêneros literários. Sua obra não se enquadra facilmente em uma única categoria, pois combina uma série de elementos que vão desde o romance gótico e o horror (como falei anteriormente) até os contos de fadas. 

Esse é um autor sensacional e espero que futuramente ele seja mais reconhecido aqui no Brasil mediante novas traduções e iniciativas culturais que despertem mais interesse pela literatura alemã.

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10/06/2023

Publicado em 10.6.23 por

Religare

Mergulhe sem medo. Quando a necessidade da alma urgir, não tenha receio de se entregar à fonte da sua existência. O Imensurável, ainda que ignorado por muitos, continua sendo a resposta aos anseios mais emergentes do coração humano. Ele não pode ser sondado mediante nossas baixas perspectivas mortais, mas oferece o que há de melhor para nos consolar das agruras dessa jornada. Ainda que estejas sem forças, encontrarás vigor. Se tiveres fome, serás farto. Se tiveres sede, serás saciado. A vida nunca será vazia enquanto for ligada ao Princípio Eterno de todas as coisas.

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03/06/2023

Publicado em 3.6.23 por

A fúria do mar versus a intrepidez humana

Ambientado na ilha de Guernsey, no Canal da Mancha, esse romance conta a história de Gilliatt, um homem simples e dotado de muitas habilidades, mas que acaba ganhando uma fama agourenta no povoado local. Ele vive sozinho numa velha casa que era conhecida por ser "mal-assombrada", o que só vem a piorar a repulsa que a população tem contra ele.

Mesmo em seu isolamento, Gilliatt acaba se apaixonando por uma jovem chamada Déruchette e para provar seu amor, ele decide enfrentar uma ferrenha luta contra a selvageria do mar e seus perigos. A partir daí, vemos como a determinação e resiliência de Gilliatt estão à altura de um herói modelo capaz de enfrentar as mais duras provações. Seu sofrimento se transforma em combustível para superar os duros obstáculos da sua difícil missão de resgate ao motor da embarcação Durande, desafio este que irá testá-lo até suas últimas forças. 

Em suma, esse é o grande foco da história, mas outro ponto que fica bastante evidente em todo livro é a celebração à natureza da ilha de Guernsey, que o autor enaltece mediante incontáveis descrições. A propósito, uma coisa que eu já havia percebido em "Os Miseráveis" se repete aqui: Victor Hugo chega a ser prolixo em vários momentos, mas aproveita as digressões para explorar ao máximo as características dos cenários e sua parte histórica. Dessa forma, demorou um pouco até que a trama se desenrolasse e finalmente conseguisse prender minha atenção.

Confesso que em termos de empatia e identificação com os personagens não consegui me conectar com Déruchette e o cura Ebenezer. Achei que lhes faltou mais desenvolvimento e ainda que as justificativas a favor deles fossem críveis, o autor poderia tê-los explorado bem melhor. Já com Gilliatt, existe um aprofundamento significativo, até porque ele é o protagonista do romance, mas isso não impediria que houvesse um pouco mais de foco nos outros personagens também.

No final de tudo, mesmo que eu tenha ficado inconformado com o desfecho, não posso negar que essa história mostra o quão é importante ter força de vontade e coragem para enfrentar os problemas da vida, ainda que nem sempre tenhamos sucesso em tudo aquilo que desejamos. O ideal de uma realização não se limita apenas à conquista da vitória, mas na capacidade de resistir firmemente durante a jornada.


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