28/12/2025

Publicado em 28.12.25 por

Leituras concluídas em 2025

2025 foi um ano bom, porém, creio não ter aproveitado tão bem o tempo como deveria. Trabalho, paternidade, projetos paralelos... Algumas áreas da minha vida passaram a exigir mais presença e cuidado, passando a ocupar um pouco mais de espaço. Ainda assim, a leitura permaneceu tendo seu lugar mesmo em meio a tantos afazeres do cotidiano

O número de livros lidos foi menor se comparado aos anos anteriores, o que não indica, pra mim, queda de qualidade na leitura, mas uma mudança de postura e ritmo. Ler menos não significou ler pior, mas ler de forma mais consciente, mais seletiva, quase como quem escolhe com cuidado as conversas que vale a pena ter.

No fim das contas, creio que esse tenha sido o maior aprendizado do ano: entender que nem todo crescimento é quantitativo. Alguns são discretos, quase invisíveis, mas profundamente transformadores. E, nesse sentido, mesmo com menos livros na estante dos “lidos”, esse ano deixou marcas que não se medem por números, mas por densidade e impacto. 

OBS: os livros dessa meta que ainda não foram resenhados entrarão nas primeiras postagens de 2026.

Para título de conferência, as obras que fizeram parte da meta anual 2025 seguem listadas abaixo:

• O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)

• Um homem bom é difícil de encontrar e outras histórias (Flannery O'Connor)

 As Cidades Mortas (Clifford Simak)

• O Passa-Paredes (Marcel Aymé)

• Cais da Sagração (Josué Montello)

• O Vermelho e o Negro (Stendhal)

• A Estrada (Cormac McCarthy)

 Benito Cereno (Herman Melville)

 Os Quinhentos Milhões da Begun (Júlio Verne)

 Casa Velha (Machado de Assis)

 Janela indiscreta e outras histórias (Cornell Woolrich)

Tijolão escolhido para 2026: David Copperfield (Charles Dickens)

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14/12/2025

Publicado em 14.12.25 por

Uma viagem sonora por Vinte Mil Léguas Submarinas


Não é segredo que "Vinte Mil Léguas Submarinas" é um dos meus livros favoritos e também não é de se estranhar que eu acabe achando interessante outros ítens referentes a esta curiosa obra. Foi assim que, em um dos meus garimpos online, encontrei uma adaptação radiofônica dessa obra em vinil e logo a adquiri sem pestanejar.

Para minha surpresa, a teatralização foi muito bem feita, respeitando o espírito aventureiro do romance sem diluir sua densidade imaginativa. As vozes foram bem escolhidas, com interpretações que conseguem transmitir o fascínio narrativo que permeia a obra de Verne. Não se trata de uma simples leitura dramatizada, mas de uma adaptação consciente das limitações e das possibilidades do meio radiofônico.

O uso dos efeitos sonoros também merece destaque: os sons marítimos, os ruídos mecânicos e as variações de ambiência contribuem para criar uma atmosfera imersiva que dialoga diretamente com a imaginação do ouvinte.

Obviamente, apenas meia hora não teria como fazer uma transposição muito ampla da obra, mas a proposta foi cabível ao formato, respeitando ao máximo a essência da história. A adaptação não tenta abarcar tudo, o que seria inviável, mas faz escolhas inteligentes, concentrando-se nos momentos mais emblemáticos da jornada do Nautilus e no conflito moral que envolve a figura enigmática do Capitão Nemo

No fim das contas, este disco não é apenas um item curioso na estante, mas um testemunho de como "Vinte Mil Léguas Submarinas" consegue sobreviver (e até se reinventar) fora do papel, mantendo intacto seu poder de encantar leitores e ouvintes de todas as idades.

FICHA TÉCNICA
Produtor Fonográfico: Gravações Elétricas S/A
Direção Artistica: Celso Rodrigues
Adaptação: Fred Jorge
Tradução: Maisa Byington
Coordenação de Produção: Fábio Gasparini
Técnico de Mixagem: Alberto Shimbau
Técnico de Montagem: Renato Cesar
Corte: Ademilton / Júlio
Capa: Direção de Arte: Oscar Paolillo
Arte Final: Walmir
Produção Gráfica: Toni
Estúdio: Gravodisc Outubro / 1980
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22/11/2025

Publicado em 22.11.25 por

À deriva entre o mistério e a verdade

Inspirado em um episódio real ocorrido em 1805, "Benito Cereno" transcende o mero relato marítimo para expor as complexas tensões morais e sociais do mundo ocidental do século XIX. A história tem início quando o capitão Amasa Delano decide visitar o navio San Dominick, que vagueia à deriva pelo mar. Desde sua chegada, um clima de estranhamento e mistério se instala, e o capitão passa a perceber, pouco a pouco, que há algo profundamente errado naquela embarcação. A partir deste cenário, Melville explora as ambiguidades da percepção e da confiança, fazendo da dúvida o eixo central da narrativa. 

Apesar da demora em construir o clima de tensão e suspense em torno dos personagens, o autor está longe de ser prolixo: ele tece cuidadosamente uma atmosfera de tensão que envolve o leitor em um jogo de interpretações e enganos. Todo esse encadeamento de sutilezas me iludiu perfeitamente, e fiquei atônito com a reviravolta do final, que transforma por completo o sentido de tudo o que fora narrado até então. O que antes parecia apenas um enigma mostra-se uma trama engenhosamente construída, levando quem lê a repensar cada detalhe. 

Ao final, resta a impressão de que o verdadeiro tema da história não é apenas o que se revela, mas o modo engenhoso como a verdade se oculta até o último instante. Melville, famoso pelo monumental "Moby Dick", se mostra também tão preciso e intenso neste relato mais curto, provando que sua genialidade não depende da grandiosidade da forma, mas da profundidade com que investiga a natureza humana.

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08/11/2025

Publicado em 8.11.25 por

Paradoxos e possibilidades temporais

Em se tratando de viagens no tempo, assunto já bastante revistado pela cultura pop, "Os Correios do Tempo" de Robert Silverberg se destaca por apresentar uma abordagem diferenciada ao explorar as possibilidades e paradoxos dos deslocamentos temporais de uma maneira assaz inusitada. 

A história se passa em um futuro onde viagens no tempo se tornaram não apenas possíveis, mas também regulamentadas e comercializadas. O protagonista, Jud Elliot, é um jovem desiludido com sua vida mundana, mas que logo encontra um novo propósito ao se tornar um guia turístico temporal (estes guias conduzem turistas ricos em excursões pelo passado, permitindo-lhes testemunhar eventos históricos de perto, mas sem interferir nos acontecimentos). O itinerário mais visitado na trama é o do período Bizantino, no qual Jud Elliot trabalha. 

Durante o início de sua carreira, o jovem Correio acaba se deparando com muitas situações desconcertantes e precisa enfrentar dilemas que poderão por em risco sua própria vida. Dessa forma, o enredo vai seguindo uma trajetória envolvente e bem estruturada, com passagens históricas que mantêm o leitor atento aos detalhes enquanto são tratadas questões interessantes sobre a ética temporal e a interferência humana na história. Nesse ínterim, há inclusive ideias que poderiam ser bem mais aproveitadas pelo autor, mas fica a impressão de que o mesmo preferiu não se arriscar muito. 

Quanto ao desfecho, confesso que fui pego de surpresa. Apesar do final inesperado, tudo acaba da forma mais convincente possível, sem deixar pontas soltas a serem resolvidas. No geral, essa foi uma ótima leitura que conseguiu equilibrar boas doses de entretenimento com alguns momentos de reflexão.

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26/10/2025

Publicado em 26.10.25 por

Fragmentos de luz em meio às cinzas

 

Histórias ambientadas em cenários pós-apocalípticos geralmente beiram aos clichês e repetições, mas Cormac McCarthy, como um autor habilidoso e experiente, subverte esse lugar-comum ao priorizar a dimensão humana ao invés do espetáculo da destruição, transformando assim a trajetória de seus protagonistas em uma forte reflexão sobre amor, perda e sobrevivência.

O enredo de "A Estrada" aparenta ser linear, mas há camadas que exploram profundamente a psicologia dos personagens e suas fragilidades. McCarthy não se preocupa apenas em narrar eventos, mas também em transmitir sensações: o medo constante, a fome, o desespero e, ao mesmo tempo, a persistente esperança que vincula pai e filho na busca por dias melhores num mundo devastado.

A narrativa fragmentada reflete o caos e a brutalidade do ambiente, ao mesmo tempo em que aprofunda a intimidade da dupla de viajantes. Dessa forma, o que parece linear ganha profundidade, pois cada momento carrega um peso simbólico e emocional que nos leva a pensar sobre nossas escolhas e o que realmente significa ser humano.

No fim das contas, McCarthy nos lembra de que ainda há esperança mesmo nos dias mais sombrios. Mesmo que tudo pareça perdido, uma centelha de vida basta para resistir e continuar acreditando que a jornada valerá a pena.

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12/10/2025

Publicado em 12.10.25 por

Contradições entre ambição e fragilidade

Muitas coisas podem mudar na vida de alguém de origem humilde quando se pode ascender socialmente em meio a um jogo de manipulações e ambição. É num cenário assim que conhecemos Julien Sorel, um jovem inteligente e inquieto, que busca romper com as limitações impostas por sua condição social na França do século XIX.

Embora Stendhal concentre a narrativa na trajetória de um único personagem, ele consegue, ao mesmo tempo, captar com precisão os dilemas de uma sociedade em transição, marcada por conflitos entre tradição e progresso, fé e razão, aparência e verdade. Além disso, o autor explora com profundidade a psicologia de seus personagens, trazendo diversas reflexões que continuam extremamente válidas até hoje.

Por várias vezes, tive raiva de Julien. Em outras, tive pena dele. É difícil manter uma posição estável diante de um personagem tão contraditório, que oscila entre a ambição cega e momentos de sincera fragilidade. Essa complexidade, no entanto, é justamente o que o torna tão humano e tão próximo de nós, ainda que em muitos momentos seja impossível aprová-lo. 

Certamente, essa é uma leitura que não vou esquecer, tamanha a sua riqueza e complexidade psicológica. Stendhal me mostrou que personagens podem ser ao mesmo tempo falhos e fascinantes, até porque a alma humana raramente consegue se encaixar em definições mais simples de se entender.

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28/09/2025

Publicado em 28.9.25 por

Ecos de um Maranhão esquecido

Desvendar as nuances de uma história de maneira profundamente sensível é uma proeza que nem todo escritor consegue fazer com eficácia. No entanto, Josué Montello se destaca nesse quesito ao construir personagens e cenários que podem facilmente se relacionar com a nossa própria realidade e conflitos pessoais sem abrir mão de uma prosa limpa e concisa.

Em "Cais da Sagração" o autor nos conduz por uma trama marcada por sutilezas e introspecções que passeiam entre passado e presente sem se perder em excessos ou digressões desnecessárias. Como Montello era dono de uma escrita refinada e precisa, tal qualidade por si só consegue cativar o leitor sem deixar que o ritmo da narrativa se perca no meio do caminho.

A história gira em torno de um barqueiro chamado Mestre Severino que, após uma vida repleta de lutas e decepções, chega à velhice com uma missão autoimposta de treinar seu neto Pedro para ocupar seu lugar no leme do "Bonança". Ao mesmo tempo, Severino é um homem simples, porém rude, que prefere arcar com as consequências de suas atitudes do que assumir um erro. Ao longo do livro isso se torna claro na medida em que os capítulos vão revelando diversos acontecimentos da vida do barqueiro, que entre acertos e tropeços, segue sustentado por um orgulho que o isola, mas ao mesmo tempo, o define.

Além de mestre Severino, também achei os demais personagens do romance profundamente verossímeis: Lourença, Vanju, Pedro, Padre Dourado e Davi exalam singularidades incrivelmente humanas que enriquecem o enredo da forma mais autêntica possível. Montello desenha muito bem cada um deles, os moldando como um conjunto complexo de figuras que atravessam a narrativa não como meros coadjuvantes, mas como ecos fundamentais da paisagem emocional que envolve o protagonista.

Apesar de toda riqueza da obra, não entendo o motivo de "Cais da Sagração" não ter o devido reconhecimento no rol dos clássicos brasileiros. Josué Montello é um autor que merece ser relido, debatido e respeitado, não como uma nota de rodapé na história da literatura nacional, mas como um de seus maiores escritores.

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14/09/2025

Publicado em 14.9.25 por

Postagem comemorativa de quatro anos do blog

Fiquei pensando se deveria fazer uma publicação em comemoração aos 4 anos do blog, afinal, não pretendo ser repetitivo com esse tipo de postagem anual. Quem sabe, apenas relembrar esse marco pessoal, uma vez ou outra, já seja suficiente para manter viva a lembrança de como tudo começou. No fundo, esse espaço nasceu como um registro das minhas leituras, mas acabou se transformando também em um memorial de experiências literárias. 

Talvez, a verdadeira comemoração não esteja em números ou datas, mas no simples fato de ainda haver vontade de escrever, trocar ideias e descobrir novas histórias. E isso, por si só, já é algo que merece ser celebrado, mesmo que de forma esporádica. 

Enfim, quero ainda dizer que seguirei com o blog em modo slow content, uma vez que as leituras exigem tempo, assim como as resenhas. Ultimamente, tenho tentado equilibrar mais meu tempo na internet, e por isso vou continuar postando sem pressa, priorizando a qualidade e o prazer das leituras. 

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24/08/2025

Publicado em 24.8.25 por

Ironia nas fronteiras entre o real e o absurdo

Esta curiosa antologia apresenta 10 contos que lançam mão do fantástico em histórias que desafiam os limites convencionais da lógica cotidiana. Com uma crítica sutil e irônica, Marcel Aymé explora até onde vai o comportamento humano em situações que transitam entre o absurdo e o real, flertando até mesmo com a ficção científica em alguns momentos.

Desejo de liberdade, hipocrisia, autoritarismo e os paradoxos morais do homem moderno são temas muito bem trabalhados pelo autor, que utiliza o fantástico como um espelho para revelar as contradições e fragilidades da sociedade. Com sua prosa ágil e um humor perspicaz, Aymé não perde a chance de ironizar as convenções sociais e até mesmo provocar o leitor a questionar certos paradigmas.

Essa é uma leitura que recomendo para quem gosta de histórias que desafiam o senso comum com boas dosagens de humor e crítica social. São contos que divertem ao mesmo tempo que trazem reflexões pertinentes ao nosso tempo.

Destaques

O Passa-Paredes 
O cupom do tempo
O decreto 
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09/08/2025

Publicado em 9.8.25 por

Contos de uma humanidade extinta

Um futuro muito distante, onde a humanidade estaria extinta e os cachorros dominariam a Terra após se tornarem seres racionais através de uma mutação. A princípio, esse plot pode parecer bobo ou caricato, mas a forma como Clifford Simak trabalha esses elementos está longe de ser algo tosco.

Nessa história, os cães são os narradores e transmissores de lendas humanas, o que confere a esse livro uma estrutura cíclica e bem peculiar, ou seja, os contos que compõem a obra são apresentados como mitos antigos, debatidos por estudiosos caninos que analisam possíveis provas da existência (ou inexistência) do homem.

Ao longo dos oito capítulos, vemos um processo quase pacífico de transformação: os humanos abandonam suas cidades, rejeitam a sociedade industrial e, aos poucos, desaparecem do mundo, enquanto os cães herdam a Terra, agora um paraíso pastoril e silencioso. Nesse sentido, a ficção científica de Simak se aproxima muito mais de uma fábula sobre o que realmente significa ser civilizado e até onde vale a pena sustentar uma ideia de progresso baseada em dominação e expansão.

A meu ver, não encaro esse livro como uma tentativa de imaginar um futuro distópico cheio de ruínas e desespero. Pelo contrário, o autor dá a entender que talvez a humanidade tenha simplesmente escolhido desaparecer, como uma forma de se libertar dos seus próprios impulsos destrutivos (vemos isso muito bem representado na atitude de Jon Webster, o último representante humano que aparece na história).

Com certeza, essa foi uma das melhores obras de sci-fi que já li e não foi à toa que a mesma ganhou o International Fantasy Award como melhor livro de ficção de 1953. Infelizmente, Simak é um escritor quase esquecido aqui no Brasil, mas assim como tantos outros de sua época, ele também merece voltar às nossas prateleiras.

OBS: Descobri que existe um epílogo (ainda sem tradução em português) que saiu em uma edição especial. Se alguém souber onde encontrar, me avisa. 

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20/07/2025

Publicado em 20.7.25 por

Uma viagem pelos horizontes da alma

Em "Limo e Luz", seu livro de estreia, o poeta barreirinhense Roberto Santos convida os leitores a uma profunda viagem pelas emoções e existência humanas. Desde o prefácio, o autor revela sua habilidade de transformar sonhos, desilusões e esperanças em versos carregados de beleza e reflexão.

Ao longo de cada poema Roberto se define como um poeta provocador, solitário e apaixonado, capaz de enxergar além do óbvio e trazer à tona a fantasia oculta na realidade cotidiana. Sua sensibilidade transita habilidosamente entre o romântico e o realista, explorando as diversas facetas da vida humana em meio às suas complexidades.

Este livro é um convite para que o leitor caminhe ao lado do poeta, explorando os horizontes da alma e buscando o infinito em cada verso. É também uma jornada introspectiva que nos desafia a questionar nossos próprios sentimentos e percepções.

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05/07/2025

Publicado em 5.7.25 por

Entre páginas e descobertas

Você mergulha, você sente. 

Cada página é um passo, cada palavra um suspiro. 

Você se perde pra se encontrar. 

Você descobre o mundo e a si mesmo.

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22/06/2025

Publicado em 22.6.25 por

Decadência, fé e feridas

Muitas vezes, fugimos de leituras que escancaram a realidade da forma como ela é, e isso, até certo ponto, nos priva de experiências mais viscerais e implacáveis a respeito da brutalidade da vida. Sabemos que nem tudo debaixo do sol são flores, mas mesmo assim, histórias com temas sobre a decadência moral, a violência e a hipocrisia humana acabam sendo desconfortáveis para grande parte dos leitores desse nosso famigerado tempo.

É justamente nesta área que entram os escritos de Flannery O'Connor, a qual apresenta personagens que são frequentemente figuras excêntricas – deformadas física ou espiritualmente – em narrativas que giram em torno de reviravoltas brutais onde se revela a fragilidade humana diante do destino, da moralidade e da fé. A propósito, a autora não trata a fé como um refúgio, mas como um campo de batalha, onde seus personagens são desafiados e, muitas vezes, até mesmo destruídos.

Ao final de cada história, fica a sensação de que O'Connor nos empurra de um precipício do qual não há retorno e que nos obriga a encarar a realidade sob uma luz dura e impiedosa. Sua obra não busca conforto, mas sim a verdade, e é por isso que, mesmo décadas após sua morte, seus contos continuam tão relevantes e precisos.

Destaques:

Um homem bom é difícil se encontrar 
O negro artificial 
O Refugiado de Guerra
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08/06/2025

Publicado em 8.6.25 por

Vingança e redenção moldadas pelo tempo

 Mais do que um tratado sobre a vingança, "O Conde de Monte Cristo" se apresenta como uma trama habilmente conduzida, onde tudo aquilo que parece ser uma mera coincidência se conecta a outros elementos que fazem parte de uma grande rede de intrigas e segredos. Alexandre Dumas, como exímio contador de histórias, não aborda apenas as consequências morais da injustiça, como também mostra que a esperança ainda pode ser alcançada mesmo nos dias mais sombrios.

O que podemos enxergar em Edmond Dantès vai além de um protagonista movido pelo desejo de justiça, pois ele é um personagem que pode muito bem representar a resiliência humana diante das adversidades. Sua jornada não é apenas física, mas também psicológica e moral, passando da ingenuidade à astúcia, da resignação à ação fria e calculada, até finalmente chegar no limiar entre a vingança e a redenção. 

Nessa trajetória, Dumas trabalha muito bem a passagem do tempo, fazendo com que a mesma tivesse um impacto significativo tanto na narrativa quanto na percepção do leitor. A alternância de episódios entre os personagens é outro ponto crucial para a dinâmica da história, pois permite que diferentes perspectivas sejam exploradas sem que a trama perca seu ritmo.

Ao final, "O Conde de Monte Cristo" não é só uma grande aventura literária cheia de reviravoltas, mas também uma lembrança de que qualquer coisa pode ser mudada pela ação inexorável do tempo, inclusive, a forma como enxergamos nossas próprias dores e feridas do passado.

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18/05/2025

Publicado em 18.5.25 por

O peso da tortura como metáfora do poder absoluto

Kafka sempre me surpreende com sua capacidade de criar histórias que, embora distópicas e absurdas, são capazes de transmitir inquietações profundamente humanas. Em "Na colônia penal", o autor constrói uma narrativa que é, ao mesmo tempo, claustrofóbica e expansiva, como se cada palavra carregasse o peso da máquina de tortura descrita por ele, a qual parece não apenas esmagar o corpo, mas também a alma.

É incrível o quanto essa obra permanece assustadoramente atual, servindo como um lembrete incômodo de que a barbárie não está restrita ao passado ou a lugares distantes. Ela habita em nós, nas escolhas que fazemos (ou deixamos de fazer) e na forma como nos relacionamos com o poder. Kafka, mais uma vez, nos desafia a olhar para o abismo, e a reconhecer que, talvez, ele já esteja dentro de nós mesmos.

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04/05/2025

Publicado em 4.5.25 por

Autodescoberta em descompasso

Essa novela narra a história de Edna Pontellier, uma mulher casada e mãe de dois filhos que, ao longo do romance, desperta para suas próprias necessidades e desejos, iniciando uma jornada de exploração emocional e sexual que desafia as convenções sociais do final do século XIX.

No entanto, toda essa busca pessoal por autoconhecimento e liberdade é frequentemente marcada por uma desconexão emocional dos outros, revelando atitudes egoístas e inconsequentes para com seu marido e família. Essa falta de consideração e maturidade da protagonista, prejudicou muito minha empatia por ela, pois ao invés de encontrar um equilíbrio entre suas aspirações e deveres, Edna acaba por agir de forma impulsiva e irresponsável (a propósito, liberdade sem responsabilidade não resulta em coisa boa).

Sua recusa em conformar-se às normas sociais e familiares, ao meu ver, foi um ato de rebeldia sem um propósito claro ou plausível, o que acabou por isolá-la ainda mais, a colocando em situações altamente vulneráveis (em muitos momentos, essa procura de Edna por liberdade parece mais uma fuga do que uma afirmação de sua identidade). A sensação que fica é de que a luta da protagonista não é plenamente realizada, sendo uma trajetória que carece de desenvolvimento emocional e consequências mais elaboradas para suas escolhas.

Por fim, compreendo o papel que esse livro tem quanto aos assuntos relacionados à autonomia da mulher e repressão feminina, contudo, a forma como a autora trabalhou esses temas não foi tão convincente, sendo até mesmo linear, especialmente quando comparada à profundidade e complexidade com que, por exemplo, Tolstói aborda as questões do gênero em Anna Kariênina ou Flaubert em Madame Bovary.

OBS: Os demais contos do livro são bons, apesar de serem bem curtos. Dentre os melhores destaco: "Além do remanso", "Ma'ame Pélagie" e "O Bebê de Desirée".

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19/04/2025

Publicado em 19.4.25 por

Entre amores, justiça e poder

Chegando ao segundo volume do box "Grandes obras de Shakespeare", me deparei com mais um conjunto maravilhoso de peças que refletem admiravelmente a condição humana em vários aspectos.

Como da outra vez, não vou me ater aos detalhes dos enredos, mas sim focar nas impressões que pude tirar de cada uma das peças do volume. Gostei muito de todas elas e me diverti bastante nessa leitura, me surpreendendo mais uma vez com a perspicaz genialidade do bardo. Pois bem, vamos direto ao assunto:

"A Megera Domada" nos leva a refletir sobre o equilíbrio entre liberdade individual e as expectativas sociais, desafiando-nos a pensar sobre o verdadeiro significado do amor e da parceria no matrimônio.

"Sonho de uma Noite de Verão" explora a natureza volátil dos sentimentos e destaca que o verdadeiro amor transcende ilusões e encantamentos, reforçando a importância da lealdade e da honestidade nos relacionamentos.

"O Mercador de Veneza" provoca questionamentos morais profundos, mostrando que a justiça precisa ser temperada com compaixão e que o rancor e a vingança apenas perpetuam um ciclo de sofrimento e destruição.

"A Tempestade" aborda o perdão, a redenção e o uso do poder, ressaltando como a compaixão e a renúncia podem ser mais transformadoras do que a busca pela vingança.

Como podem ver, essas quatro peças trazem temas universais que ainda ressoam nos dias de hoje. São histórias que certamente nunca perderam (e nem perderão) a sua relevância, pois tratam de singularidades fundamentais da humanidade em geral, fator este que sempre encontrará eco em diferentes épocas e culturas.

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05/04/2025

Publicado em 5.4.25 por

Mares distantes, emoções próximas

Decidi começar a ler Somerset Maugham pelos seus contos e a antologia que achei mais interessante foi justamente essa, pois sempre me encantei por histórias que se passam no mar ou em seus arredores (se vocês perceberem, já postei muitas obras com essa temática por aqui).

Em seus cinco contos, esse livro explora as complexidades emocionais e sociais da vida nas ilhas do Pacífico Sul através de uma série de narrativas envolventes, onde o autor aborda os encontros culturais e os conflitos interiores de seus personagens, nos dando uma visão rica e multifacetada da vida colonial. As histórias não são conectadas entre si, mas tematicamente todas possuem o mesmo elemento em comum, que é o impacto do ambiente exótico sobre os indivíduos, mostrando assim as tensões entre a civilização urbana e as culturas nativas.

O estilo de Maugham é marcado por uma prosa clara e direta, rica em detalhes sensoriais que evocam vividamente os cenários tropicais (algo que acho deslumbrante). Sua capacidade de construir diálogos naturais e penetrantes permite que os personagens transpareçam suas nuances e vulnerabilidades da maneira mais autêntica possível.

Gostei muito do modo como o autor consegue capturar a essência dos dilemas humanos e das interações culturais em um ambiente tão distante e diferente do nosso. Essa é uma dinâmica que nem sempre consegue fugir de clichês quando abordada por outros escritores. Recomendo a leitura!

Destaques:

O Poço
Chuva
Vermelho
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23/03/2025

Publicado em 23.3.25 por

Muito além da violência

Assim como muitos garotos nascidos nos anos 80, Rambo também foi uma das minhas franquias favoritas na infância, além de representar o ícone de uma época em que ser durão e invencível era o arquétipo do herói ideal. Anos depois, fiquei surpreso ao saber que a história do primeiro filme da série havia sido inspirada em um livro, o qual procurei muito até encontrar uma edição brasileira esgotada há décadas.

Nesta leitura da obra original pude perceber melhor a riqueza de vários detalhes que o autor David Morrell utilizou para explorar questões importantes que até então eram ignoradas pela sociedade americana pós-Vietnã, como o trauma da guerra e a alienação que muitos veteranos enfrentavam ao reintegrar-se à vida civil. 

A sina do jovem Rambo representa muito bem isso, mostrando que suas cicatrizes não eram apenas físicas, mas também emocionais, refletindo a luta interna de um homem que não consegue encontrar paz em um mundo que não o compreende. Dessa forma, essa é uma história que vai muito além da mera violência gratuita, pois trata abertamente sobre a dor da solidão e a busca por aceitação.

Uma questão bem importante que acho necessário apontar aqui são algumas diferenças fundamentais entre o livro e o blockbuster estrelado por Sylvester Stallone em 1982. Sendo assim, vamos lá:

No livro de David Morrell, a trama é mais orientada para o desenvolvimento psicológico e emocional de Rambo, assim como do xerife Teasle. Já no filme, o protagonista é retratado mais como um herói de ação do que como um personagem problemático. Além disso, a interpretação de Stallone, juntamente com o roteiro, imprime no personagem uma áurea mais "overpower" durante os conflitos com a polícia. Fora isso, ainda há o desfecho, que é bem menos trágico no cinema se comparado com o livro.

Em suma, só tenho a dizer que essa é uma leitura essencial para quem deseja compreender melhor um dos ícones mais emblemáticos da cultura pop. Seja no livro ou no filme, Rambo transcende o mero entretenimento e continua a suscitar reflexões sobre a natureza da violência e os males causados pela guerra, se tornando assim um símbolo de questões bem mais profundas e universais.

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09/03/2025

Publicado em 9.3.25 por

Um verdadeiro faroeste à lá Brasil

A trama apresenta a trajetória de Cajango, um homem que carrega em si a dureza e a brutalidade do interior baiano na época do ciclo do cacau. Após o assassinato de sua família, o jovem Cajango é o único que escapa do massacre, sendo ajudado pelos empregados de seu pai e indo se refugiar no meio da mata fechada do sul da Bahia.

Já adulto, Cajango retorna em busca de vingança e acaba reunindo um grupo de foras da lei dispostos a lutar ao seu lado. A narrativa é construída em torno desse desejo de vingança, mas, à medida que a história avança, torna-se claro que o embate é muito mais do que uma simples questão de ajuste de contas: é uma luta contra o destino, contra a própria terra que molda e destrói. 

Os episódios são narrados a partir da perspectiva de João Caio, um novato do grupo, que vai conhecendo a história de Cajango e seus homens por meio de pequenos relatos que o leitor irá acompanhando mediante flashbacks esparsos entre os capítulos.

Por mais que boa parte da trama seja repleta de violência, Adonias Filho escreve tudo de uma forma tão envolvente que nada ali é supérfluo ou aleatório. A saga de Cajango como um anti-herói é praticamente um "faroeste à lá Brasil" e não perde em nada para outros grandes clássicos literatura nacional. 

Adonias Filho é mais um dos autores esquecidos e injustiçados de nosso país e devia ser redescoberto pelas novas gerações. Sua obra oferece uma visão crua e poética do sertão baiano, revelando as complexidades e contradições de uma terra marcada pela luta e pela resistência. Redescobrir Adonias Filho não é apenas resgatar um grande talento literário, mas também se conectar com um pedaço essencial da identidade cultural brasileira.

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22/02/2025

Publicado em 22.2.25 por

Suspense e mistérios cósmicos

"Cavalo-Marinho no Céu" possui uma premissa super interessante e com muitas reviravoltas inesperadas. É um daqueles livros onde qualquer informação adicional pode facilmente virar spoiler, por isso, vou me ater apenas em algumas características da obra.

O estilo de Cooper é bastante simples e direto. Não evoca muitos detalhes paralelos, mas consegue criar rapidamente um ambiente de fácil assimilação com os elementos da trama. A propósito, muitos desses elementos seriam bastante recorrentes em produções cinematográficas posteriores (inclusive, o início da história lembra muito o seriado "Lost"). São ingredientes indispensáveis que os amantes do gênero já estão familiarizados a ver, tais como: extraterrestres, origem da vida, sobrevivência, etc.

A interação entre os personagens funciona muito bem e não há divagações que atrapalhem o desfecho da aventura. Tudo acaba sendo interligado no decorrer dos capítulos debaixo de bastante suspense e sem enrolação. No final, o epílogo dá um breve relance sobre o futuro dos personagens, deixando algumas questões em aberto e incentivando o leitor a imaginar possíveis continuações para a história, a qual deixa uma impressão duradoura apesar da brevidade da trama.

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08/02/2025

Publicado em 8.2.25 por

Projeto Tijolões: Lendo "O Conde de Monte Cristo"

Image source: Grok

Como já havia dito anteriormente, aproveitei o período de recesso para mergulhar na leitura de "O Conde de Monte Cristo" e, embora ainda esteja na metade do livro, já estou profundamente cativado pela engenhosidade da narrativa de Alexandre Dumas. A história é formada por uma série de acontecimentos que se entrelaçam e cada capítulo parece puxar uma nova trama, revelando conexões e segredos que mantêm a tensão no limite (a propósito, essa é justamente uma das principais características da literatura de folhetim).

Percebi que várias "coincidências" são muito visíveis durante a trama, mas isso não chega a torná-la inverossímil, uma vez que as peças vão se encaixando de forma precisa durante os episódios. Outro ponto interessante é o equilíbrio que o autor dá entre os momentos de inquietude e reflexão, o que nos ajuda a acompanhar melhor as nuances de cada personagem e os desdobramentos da história.

Por fim, preciso ainda mencionar a riqueza das descrições dos cenários, que é um aspecto bem expressivo trabalhado por Dumas. No decorrer da leitura não foi difícil me imaginar andando pelas ruas de Marselha, Roma ou até mesmo experimentando o confinamento na prisão do Castelo de If. Esse detalhamento visual tem tornado a leitura bastante envolvente e creio que assim vai se manter até o final dessa intrigante saga.
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25/01/2025

Publicado em 25.1.25 por

Colecionismo: nos limites do bom senso

Muitas pessoas colecionam livros e CDs como uma forma prática de preservar a memória cultural ou simplesmente por mera nostalgia. E isso não é por menos, uma vez que vários desses itens carregam um valor histórico e emocional inestimável, no entanto, o prazer da busca e a vontade de adquirir podem facilmente se transformar em uma obsessão desenfreada. É justamente nesse ponto que o desejo de ter ultrapassa o valor intrínseco do produto, transformando o colecionismo em um fardo ao invés de uma atividade saudável. Essa linha tênue entre paixão e compulsão é algo que conheço bem, pois também já cheguei a experimentar momentos assim, ainda que não tenha perdido o controle da situação

Desde criança, eu sempre gostei de colecionar itens específicos, indo desde figurinhas até latas de refrigerante. Esse hobby continuou na adolescência com os CDs e se intensificou na vida adulta com a minha biblioteca particular. Passei anos correndo atrás de exemplares raros ou que estivessem dentro da minha área de interesse, claro que não apenas no intuito de "tê-los", mas principalmente, para apreciar todos os benefícios que tais artigos poderiam me oferecer.

No caso dos CDs, o valor sentimental que um álbum tem pra mim é o fator primordial para adquiri-lo. Quanto aos livros, tudo sempre girou em torno da minha curiosidade, seja no tocante a obras clássicas ou não. Minhas aquisições são guiadas por esse critério e não gosto de forçar a barra para comprar algo só porque está na moda.

Apesar de vários riscos que assumi no decorrer dos anos, nunca me endividei por conta disso, mas houve alguns casos em que quase exagerei na dose e tive que estabelecer limites claros para os meus gastos, senão, acabaria por desequilibrar minhas finanças, além de me tornar um mero acumulador.

Hoje, compreendo que é necessário manter o colecionismo dentro de limites saudáveis, com muita autoconsciência e moderação. Colecionar é maravilhoso, mas é necessário que essa paixão esteja alinhada com um propósito claro e realista, evitando que o desejo de possuir se sobreponha ao prazer genuíno de explorar e desfrutar das experiências que cada item proporciona.

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12/01/2025

Publicado em 12.1.25 por

Lembranças da península

Quando os pingos d'água bateram em meu rosto naquela fria manhã de inverno, abri os olhos e lembrei que ainda estava deitado próximo à popa do barco em que viajávamos. Tinha dormido bastante e perdido a noção do tempo. Meu pai estava ainda resoluto em sua posição de sentinela, sempre olhando adiante e alerta. Ele havia sido chamado para fazer um breve "bico" de eletricista e nossa jornada tinha como destino a Praia do Caburé, local muito frequentado por pescadores, mas que já começava a receber viajantes de fora do Estado devido à forte tendência turística. Apesar do propósito dessa viagem não ser o lazer, aproveitei para me divertir em mais uma aventura, prestando também atenção aos mínimos detalhes da natureza à nossa volta.

Nossa chegada foi bem antes do meio-dia e quando saltei em terra firme, me senti como um bucaneiro veterano que sondava novas paisagens de uma ilha deserta. O cheiro da maresia era inebriante e trazia uma sensação única de desbravamento, enquanto cada passo dado naquela areia fofa e úmida perpetuava o ar de novidade que me invadia. Ali eu abraçava a vida, mesmo sem saber. Quis correr o máximo que podia em direção à pousada mais próxima, como se toda aquela velocidade pudesse aumentar a intensidade da alegria que era estar naquele recinto.

Ao avistar o largo horizonte retilíneo com o barulho das ondas ao longe, percebi que ainda estava bem distante do mar. A propósito, naquela época, a península do Caburé era muito mais ampla, o que proporcionava inúmeras aventuras em toda sua extensão. Percorrer aquelas imediações era mais que um ato de liberdade, era deixar a vida fluir a plenos pulmões, voando sem ter asas e nem pressa de chegar.

Me entreguei facilmente àquela visão, desprendido de quaisquer preocupações ou infortúnios, pois a revigorante brisa marítima me acalmava levemente. O tenro mar de meu coração correspondia à porção do Atlântico diante de mim: o infinito das águas se encontrando com a imaginação fértil de menino, como se ambos compartilhassem mistérios antigos e eternos. Um mergulho sem precedentes surgia a partir dessa simbiose, revelando profundo enlace com a ondulação das ondas, as quais pareciam carregar fragmentos de histórias não contadas e recordações distantes.

Foi então que papai me despertara daquela epifania, com seu jeito apressado e enérgico de falar: "Junin - disse ele - hora de ir. Depois a gente volta pra tomar um banho". Acordei dos meus devaneios e regressei à vereda que cortava caminho à pousada. Certamente, o mar me esperaria a tempo de mostrar mais de suas belezas naquela inesquecível manhã de domingo.

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