17/02/2024

Publicado em 17.2.24 por

O pouco que diz muito

Falecido em 2013, Ettore Bottini é um nome ainda desconhecido pra muitos na literatura nacional. Eu mesmo nem sabia quem ele era até adquirir essa pequena antologia, atraído meramente pela capa (a propósito, esse autor foi um capista de mão cheia, tendo trabalhado durante anos na arte gráfica de dezenas de livros). Pois bem, apesar deste livro ser bastante curto, ele traz alguns contos interessantes, ainda que os demais sejam facilmente esquecíveis.

Os temas visitados por Bottini são variados, indo desde questões familiares e acontecimentos triviais até uma história sobre piratas. Boa parte desses contos são alicerçados em recordações do autor e se entrelaçam entre ficção e realidade, sempre com um toque sobremaneira despretensioso. Tudo é muito sucinto e sem "gordura", mas também sem pressa pra terminar.

Apesar de não ter gostado de alguns contos, outros me chamaram muito a atenção e fizeram a leitura valer a pena. Essa antologia não chega ao nível de autores renomados do século XX, mas também não fica atrás de outros contistas nacionais contemporâneos.

Destaques:

Grama leve
Mundo natural
Todos os medos
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03/02/2024

Publicado em 3.2.24 por

Projeto Tijolões: Lendo "A Montanha Mágica"

Image source: Freepik 

Em 2024, esse clássico alemão completa 100 anos e nada mais propício do que entrar de cabeça nessa que é uma das mais emblemáticas obras da literatura mundial. Escolhi esse tijolão pois ainda não havia lido nada de Thomas Mann e queria vencer o receio que tinha quanto ao tamanho e complexidade desse livro. 

Diferente do que fiz nos anos anteriores, elaborando apenas um resumo dos capítulos enquanto registrava o histórico de leitura no Skoob, desta vez não tive disposição pra isso e achei até que seria fastidioso, dado que "A Montanha Mágica" apresenta uma linha um tanto peculiar em sua forma, focando longas conversas e descrições meticulosas. 

A impressão que tive no início era de que o enredo andava em círculos, repleto de trivialidades e sem grandes acontecimentos. As discussões filosóficas, apesar de pertinentes, soaram um tanto maçantes em determinados momentos. Ainda assim, as que achei mais curiosas foram aquelas que tratavam da natureza do tempo e da mortalidade.

Pude perceber também que a história traz muitos simbolismos, o que exigiu maior atenção para compreender as várias camadas de significado que foram surgindo (tive até que pesquisar algumas referências). Não achei a leitura em si muito densa, mas a narrativa lenta e a falta de ação em grande parte do livro me cansaram bastante. No entanto, meu esforço foi recompensado pela ótima escrita de Thomas Mann e as demais passagens fluíram sem problema. 

De resto, como agora que passei da metade do livro, muita coisa ainda está por vir e irei concluir minhas impressões na postagem da resenha definitiva. Até lá, continuarei fazendo meus apontamentos e evitando ser curioso demais com spoilers, rsrsrs.

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