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Minha primeira escolha para ler Balzac foi certeira! Nesse clássico da obra A Comédia Humana temos uma ótima história com personagens muito bem construídos e pautados num realismo fascinante. O autor soube descrever com fidelidade parte do cotidiano da grande Paris, seja na figura de seus habitantes como também da aristocracia francesa.
Temos no romance o desenvolvimento de duas histórias distintas que se entrelaçam: a do pai Goriot e do jovem estudante Eugène Rastignac. Ambos moram na mesma pensão (a casa Vauquer) juntamente com outras pessoas que compartilham com eles da mesma mesa durante as refeições diárias.
Nesse pequeno círculo, pai Goriot é alvo de constantes chacotas dos outros moradores devido sua personalidade mais reservada e atitudes aparentemente estranhas, porém nem todos sabem do motivo que o fez se isolar naquela pensão. Após certo tempo, ele começa a receber a visita de duas senhoritas elegantes que sempre entram e saem misteriosamente sem nenhuma explicação. Essas duas jovens são suas filhas, que apesar de já casadas com homens ricos, ainda tiram proveito dos últimos bens de seu genitor, o qual faz de tudo para ver o bem delas. Todo pai quer o melhor para seus filhos, mas em se tratando do velho Goriot, dar esse melhor acabou incluindo sacrifícios que o exauriram ao limite a ponto de o mesmo ficar quase sem recursos para sobreviver.
É nessa hora que entra Eugène, que por uma irônica coincidência, acaba se envolvendo com Delphine, uma das filhas de Goriot. Eugène tinha começado a frequentar bailes e reuniões da alta sociedade parisiense e se apoiava na influência de sua prima rica a fim de conseguir adentrar nesse requintado mundo. No entanto, o ambicioso jovem se depara com vários desafios, principalmente por ser de uma classe social mais baixa. Ainda assim, ele se esforça para alcançar seus objetivos em meio ao agridoce sabor das conquistas e frustrações dessa nova fase.
Em meio a esse conjunto de acontecimentos somos levados a diversas reflexões que sempre colocam em evidência pontos importantes nos quais os personagens se encontram envolvidos, seja em jogos de interesses pessoais ou em conflitos éticos. Tudo caminha rumo às consequências das escolhas de cada um dentro desse inconstante redemoinho.
Enfim, sei que A Comédia Humana é uma série bem extensa e com muitos personagens interligados, mas recomendo esse livro em especial para aqueles que ainda não conhecem Balzac e procuram uma boa porta de entrada para sua obra. Eis aqui uma ótima amostra da genialidade deste grande autor francês.

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