Em se tratando de viagens no tempo, assunto já bastante revistado pela cultura pop, "Os Correios do Tempo" de Robert Silverberg se destaca por apresentar uma abordagem diferenciada ao explorar as possibilidades e paradoxos dos deslocamentos temporais de uma maneira assaz inusitada.
A história se passa em um futuro onde viagens no tempo se tornaram não apenas possíveis, mas também regulamentadas e comercializadas. O protagonista, Jud Elliot, é um jovem desiludido com sua vida mundana, mas que logo encontra um novo propósito ao se tornar um guia turístico temporal (estes guias conduzem turistas ricos em excursões pelo passado, permitindo-lhes testemunhar eventos históricos de perto, mas sem interferir nos acontecimentos). O itinerário mais visitado na trama é o do período Bizantino, no qual Jud Elliot trabalha.
Durante o início de sua carreira, o jovem Correio acaba se deparando com muitas situações desconcertantes e precisa enfrentar dilemas que poderão por em risco sua própria vida. Dessa forma, o enredo vai seguindo uma trajetória envolvente e bem estruturada, com passagens históricas que mantêm o leitor atento aos detalhes enquanto são tratadas questões interessantes sobre a ética temporal e a interferência humana na história. Nesse ínterim, há inclusive ideias que poderiam ser bem mais aproveitadas pelo autor, mas fica a impressão de que o mesmo preferiu não se arriscar muito.
Quanto ao desfecho, confesso que fui pego de surpresa. Apesar do final inesperado, tudo acaba da forma mais convincente possível, sem deixar pontas soltas a serem resolvidas. No geral, essa foi uma ótima leitura que conseguiu equilibrar boas doses de entretenimento com alguns momentos de reflexão.


