31/12/2022

Publicado em 31.12.22 por

Leituras concluídas em 2022

2022 foi um ano de leituras intensas e de novas descobertas com autores dos quais eu ainda não tinha entrado em contato com nenhuma obra. Também foi um período de muitas reflexões e pesquisas que enriqueceram bastante meu conhecimento de mundo.

Inicialmente, tive longos três meses ao lado de "Guerra & Paz" no projeto "Tijolões" e no decorrer do ano, mais quinze títulos foram lidos. Cheguei a ler também "Macbeth" (Shakespeare) mas não quis inseri-lo nessa cota porque estou longe de terminar o volume com as quatro principais tragédias do bardo e irei lê-las em períodos intercalados com outros títulos no ano que vem.

Seria inevitável falar ainda que alterei minhas escolhas algumas vezes (acabo não resistindo e sempre troco algum livro de acordo com o interesse que tenho no momento). Cada experiência foi única e me sinto satisfeito por ter acompanhado tantas histórias formidáveis nessa jornada.

Como fiz no ano passado, citarei a lista com todos os títulos que fizeram parte da meta anual.

• Guerra & Paz (Liev Tolstói)

• Morte no Nilo (Agatha Christie)

• Cinco Minutos / A Viuvinha (José de Alencar)

• Outros Tempos, Outros Mundos (Robert Silverberg)

• A Linha de Sombra (Joseph Conrad)

• A Princesa de Clèves (Madame de La Fayette)

• Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago)

• Auto da Compadecida (Ariano Suassuna)

• Pedro Páramo (Juan Rulfo)

• A Coleção Particular (Georges Perec)

• O Pai Goriot (Honoré Balzac)

• O elogio do ócio e outros ensaios (Robert Louis Stevenson)

• Meridiano de Sangue (Cormac McCarthy)

• Cinco Semanas num Balão (Júlio Verne)

• O Natal de Poirot (Agatha Christie)

• Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida)

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24/12/2022

Publicado em 24.12.22 por

No Natal, todo lobo vira cordeiro (ou não)

Natal é época de confraternização e renovo, ou pelo menos, deveria ser. Em se tratando de Agatha Christie, nem essa data tão venerada escapa de ser palco de mais um sórdido crime. Quanto a isso, nessa aventura de Poirot, conhecemos a complicada família Lee. Cada parente possui algum atrito envolvendo traumas ou desentendimentos do passado em relação ao inescrupuloso patriarca Simeon Lee, que resolve convidar todos para passar o Natal em sua velha e solitária mansão. Desses conflitos familiares gera-se então o pivô que irá desencadear num assassinato e colocar os convidados na posição de suspeitos do crime. Com a intenção de ajudar o superintendente Sugden no caso, Hercule Poirot aparece para investigar o homicídio e acaba roubando a cena (pra variar). 

O background dessa obra é simples, mas construído de forma bastante convincente. A autora trabalha bem os diversos personagens ainda que os capítulos sejam pequenos (levando em consideração que este é um livro com menos de 300 páginas). Assim como em outros livros da Agatha, os suspeitos passeiam numa gama de interações que giram em torno do crime, ora deixando pistas nas entrelinhas, ora omitindo certos detalhes que só virão à tona quando o quebra-cabeças começar a ser montado. No que se refere a isso, Poirot e suas "células cinzentas" nunca deixam passar nada desapercebido. 

Apesar do clima sério da história, essa foi uma leitura bem fácil e divertida de se fazer. Não foi dessa vez que descobri o assassino, mas quem sabe, da próxima. A ilustre Rainha do Crime tem sempre uma carta escondida na manga pra nos surpreender.

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17/12/2022

Publicado em 17.12.22 por

Nem sempre o que parece supérfluo o é na verdade


Por questão de gosto pessoal, raramente leio obras de não-ficção, mas essa daqui foi uma ótima exceção e também uma agradável surpresa. Sempre gosto de ler ensaios de forma bem mais lenta, a fim de digerir melhor as ideias durante uma pausa entre os parágrafos, mas desta vez, a atraente escrita de Stevenson me trouxe uma leveza maravilhosa à leitura. A sensação que tive era como se o autor estivesse falando comigo num tranquilo diálogo entre amigos. 

Nessa pequena coletânea de ensaios, Stevenson fala com propriedade de coisas que muitas vezes cheguei a refletir mas nunca consegui elucidar através de palavras, por isso me identifiquei tanto com esses textos. São assuntos que tratam do ideal aproveitamento do ócio, do valor de uma boa conversa, do prazer de um passeio a pé e até mesmo sobre como aproveitar lugares desagradáveis. 

Consegui extrair desse pequeno livro muitas lições importantes que irão me acompanhar no meu dia a dia e aprimorar meu senso crítico. Obrigado, R.L.S, por me proporcionar tantos momentos frutíferos de reflexão e aprendizado.

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10/12/2022

Publicado em 10.12.22 por

5 Livros que apresentam gatos como protagonistas

Há séculos, os gatos sempre foram associados à perspicácia e sapiência. São considerados até hoje como animais símbolo de graciosidade e vez ou outra aparecem na literatura como personagens de algum conto ou romance. 

Para os amantes de bichanos e livros, selecionei 5 livros interessantes que trazem gatos como protagonistas bastante peculiares. 

Reflexões do gato Murr (E. T. A. Hoffmann)

Com certeza, essa é uma das melhores obras já escritas com a presença de um gato no enredo. A ironia e sagacidade de Hoffmann ao usar um bichano como narrador são de uma criatividade ímpar e merecem destaque.


Eu sou um Gato (Natsume Soseki)

Aqui temos um bichano altivo que critica todos à sua volta de uma forma bem divertida e ainda provoca reflexões filosóficas muito oportunas. Um dos grandes sucessos da literatura japonesa.


Os Gatos (T. S. Eliot)

Uma coletânea deliciosa de poemas infantis que narram as peripécias de um grupo de gatos de maneira bem afetuosa e agradável. Essa obra inclusive serviu de base para o musical "Cats", que estreou em 1981.


Relatos de um gato viajante (Hiro Arikawa)

A carismática jornada do gato Nana com seu dono Satoru Miyawaki é repleta de aprendizados sobre amizade e autoconhecimento. Uma história sensível e meiga que certamente comoveria qualquer gateiro de plantão.


Sete Vidas: Sete Contos Mínimos de Gatos (Heloísa Seixas)

Essa pequena seleção de contos curtos retrata a natureza dos felinos em situações corriqueiras que abordam diferentes temas do cotidiano.


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03/12/2022

Publicado em 3.12.22 por

Não sei, só sei que foi assim!

Certa vez, Ariano Suassuna contou que um dramaturgo tentara o desencorajar de escrever o Auto da Compadecida sob o argumento de que o estilo teatral estaria ultrapassado e a temática do sertão nordestino desgastada. Além disso, ainda contestou que os nomes dos personagens principais seriam intraduzíveis para outras línguas. O autor claramente não se deixou levar por essas objeções e o resultado vemos hoje nessa que é uma das mais conhecidas (senão a mais popular) peça brasileira. 

Auto da Compadecida é uma daquelas obras que dispensam apresentações, principalmente por ser já tão conhecida do público em geral (mérito esse muito impulsionado pela adaptação que a peça teve para televisão). O leitor que assistiu ao filme não encontrará muitas diferenças na versão original de Suassuna e com certeza dará inúmeras risadas. 

A dinâmica da dupla João Grilo e Chicó é uma das mais engraçadas que já vi e não perde em nada para outras grandes obras cômicas da literatura universal. A propósito, é notório que Ariano bebeu muito das antigas tradições medievais e também da literatura nordestina de cordel, mas todas essas influências ganham um sabor especial na forma como o autor vai desenrolando sua história. Os personagens são caricatos, porém isso faz parte da performance e só enriquece mais a trama. Elementos como a religiosidade e a sátira são pontos fundamentais que se aliam à crítica inteligente de Suassuna numa narrativa assaz cativante.

Após essa leitura, fui rever alguns vídeos de Ariano na internet e novamente me diverti com tantos causos relatados pelo escritor mediante sua vasta experiência de vida. Esse é o tipo de coisa que me faz lembrar do grande legado deixado por autores nacionais que lançaram mão da cultura popular para produzir obras incríveis de nossa literatura.

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