29/01/2022

Publicado em 29.1.22 por

Relembrando a editora Círculo do Livro


Apesar de ter idade suficiente pra ter alcançado as publicações da Círculo do Livro, infelizmente, não cheguei a ter contato com suas edições na época de seu apogeu (até o final dos anos 90, o lugar onde moro não era muito atualizado quanto a novidades literárias e até mesmo a biblioteca municipal fechou por falta de recursos e manutenção). Ainda assim, quando da chegada da internet, pude conhecer e adquirir alguns exemplares da Círculo do Livro através dos sebos online e com isso, acabei criando apreço pela mesma. 

Não obstante já ter visto pessoas reclamando das capas da editora, dizendo que eram "bregas" e "sem graça" (de certa forma, algumas até são), considero muitas delas ótimas e com um delicioso ar retrô. Devido ao fato de todas serem no formato capa dura, esse diferencial acabava se destacando à frente das edições de outros selos. Mais um detalhe que vale a pena ressaltar era a grande variedade de títulos do seu catálogo, abordando os mais diferentes estilos e obras (inclusive, vários desses títulos nunca foram relançados por nenhuma editora brasileira até hoje).

Atualmente, existem no mercado diversos serviços similares no quesito de "clube do livro", ainda que com preços bem mais altos de assinatura e critérios nem sempre interessantes quanto a escolha das obras enviadas. Para os saudosistas e colecionadores de plantão, ainda restam milhares de exemplares da Círculo do Livro espalhados pelos sebos de nosso Brasil. Aproveite então e (re)descubra essas relíquias!

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27/01/2022

Publicado em 27.1.22 por

O que temos feito do nosso tempo?


Quantas coisas importantes deixamos para trás e só depois percebemos que já é muito tarde para recuperá-las? O tempo fugaz está sempre a nos enganar, nos fazendo pensar que amanhã (ou quem sabe, no ano que vem) poderemos reaver oportunidades perdidas e amizades que há muito deixaram de existir. Quando nos deparamos com a crua realidade, tudo já passou e não se pode mais achar nenhum alento no fim da jornada. Drogo viveu isso, e por mais que tentasse, se viu preso em uma falsa expectativa, aguardando por uma chance de mudança que nunca veio.

Esse livro me fez refletir bastante sobre o dilema do tempo e suas nuances. Sabemos que a vida é passageira, mas mesmo assim, quase não nos damos conta disso. Preferimos adiar decisões, encontros e abraços, até que tudo que nos reste seja apenas indiferença e solidão. Assim como Giovanni Drogo, muitos acabam por se apegar a um último resquício de esperança que ainda lhes dê algum sentido na vida, no entanto, tal fundamento pode se revelar inútil quando o peso dos anos anunciam que não existe mais vigor nenhum a se aproveitar e todos os anseios remanescentes já caíram no esquecimento.

Ao fim dessa leitura, lembrei-me da letra de uma música que diz: "O tempo não foi feito pra ser gasto, o tempo é pra ser desfrutado". Que bom que despertei a tempo de descobrir isto.

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25/01/2022

Publicado em 25.1.22 por

Um quebra-cabeças sobre a degradação humana

Ler Faulkner sempre me traz um misto de sensações e resenhar alguma obra dele é algo que não considero fazer com primazia. Mesmo assim, depois de algum tempo da sensacional (e peculiar) experiência que tive com O Som e a Fúria, percebi que era necessário separar outro momento oportuno para voltar ao condado de Yoknapatawpha (inclusive, em breve falarei desse outro clássico dele aqui no blog). 

Pois bem... Santuário, assim como outras obras de Faulkner, se desenvolve em passagens entrecortadas e repletas de lacunas propositais, deixando a cargo do leitor a responsabilidade de decifrar aquilo que fica nas entrelinhas. Por muitas vezes pode ser difícil definir as verdadeiras intenções dos personagens, mas as peças logo vão se encaixando no decorrer da trama. A decadência e a frustração humanas são feridas constantemente tocadas aqui, nos colocando perante embaraçosos dilemas pessoais e/ou éticos.

Pelo menor número de páginas, confesso ter imaginado que seria uma leitura fácil (tinha até ouvido falar que este era o romance mais "acessível" do autor). No entanto, certos capítulos exigiram bastante da minha atenção, exigência esta que só me fez mergulhar ainda mais na história. Quando cheguei ao fim de mais uma jornada "faulkneana", me senti imensamente recompensado pelo esforço empreendido. São obras assim que me tiram da zona de conforto.

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21/01/2022

Publicado em 21.1.22 por

Curto e objetivo

O. Henry era objetivamente preciso em seus contos. Sua escrita é levemente fluída e sem rodeios, além de trazer quase sempre um "elemento surpresa" ao final de cada história. Por não ter um conhecimento prévio sobre o autor, confesso que não esperava muita coisa dessa leitura, mas fui surpreendido logo no primeiro conto (A Última Folha) e daí para frente, cada narrativa me chamava atenção de uma forma particularmente especial. Algumas são morais e reflexivas, outras, divertidas e irônicas, mas sempre com aquele toque despretensioso de um ótimo prosador. Apreciei também as descrições do panorama social estadunidense do início do século XX, o qual é apresentado com bastante singularidade e franqueza. Finalmente, só lamento que esta coletânea possua apenas dez contos, sendo que haveria espaço pra no mínimo mais cinco narrativas curtas nesta edição pocket da Hedra.

Destaques:

A Última Folha
Reabilitação e Regeneração
Histórias de uma nota ilícita de dez dólares

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19/01/2022

Publicado em 19.1.22 por

Cuidando bem de seus livros


Nesta publicação, irei mencionar alguns fatores importantes quanto a limpeza e armazenamento de livros. Apesar de não ter nenhuma profissionalização na área de biblioteconomia e afins, quero usar da minha pouca experiência como leitor para passar algumas dicas que considero serem de suma relevância no tocante ao assunto. 

1. Para melhor aproveitamento de espaço, uma tradicional estante de aço é bem mais econômica e prática para se guardar os livros. Evite pôr os exemplares mais pesados ("tijolões") nas prateleiras superiores. Deixe esse espaço para livros menores e mais leves. Lembre-se ainda de mantê-los na posição vertical, evitando muito aperto entre eles. 

2. Se você usa algum tipo de armário, tenha o cuidado de sempre abri-lo, pois não é aconselhável deixar seus exemplares em ambiente fechado e sem ventilação por longos períodos. Da mesma forma, não mantenha os livros dentro de embalagens plásticas por muito tempo, pois eles precisam de arejamento.

3. Não coloque sua estante num lugar que receba diretamente luz do sol, que tenha muita umidade ou fique próxima demais da cozinha. Em apartamentos ou casas pequenas, muitas vezes o pouco espaço acaba levando as pessoas a deixarem suas prateleiras perto de áreas assim. Eu mesmo, inclusive, enfrentei esse problema durante anos, já que minha sala era bem em frente à cozinha, sem nenhuma separação por parede para evitar quaisquer contatos com a fumaça de frituras e cozimentos. Mesmo com a distância em que coloquei as estantes, ainda tive que deixar muitos livros dentro de suas embalagens plásticas no intuito de protegê-los.

4. Nunca se esqueça de fazer uma limpeza periódica em suas prateleiras usando álcool em gel e um pano limpo para remover a poeira acumulada. Usar espanador apenas alastra a poeira e pode ser um infortúnio caso você tenha um nariz mais sensível. 

5. Para os livros, use um pincel na limpeza do corte e procure folheá-los sempre que possível. Analise bem se não há traças ou outros insetos se alojando entre as páginas ou na parte interna da lombada. Em caso de boxes, preste atenção na parte de dentro da caixa, pois pode haver sujeira lá também. 

6. Se for necessário colar alguma página ou partes danificadas de capas, utilize cola branca (a isopor não é aconselhável). Para remover oxidações do corte você poderá usar uma lixa d'água (aquela mais fina possível). Mas lembre-se: essa é uma operação muito delicada e que só deve ser feita com bastante cuidado e delicadeza (em livros muito avariados ou antigos demais, não recomendo esse procedimento). 

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17/01/2022

Publicado em 17.1.22 por

Pelas águas do Mississípi numa jangada


Sei da importância que Huckleberry Finn tem para literatura Norte-Americana, principalmente, pelo contexto histórico em que foi escrito, no entanto, achei a maior parte de sua narrativa bastante cíclica e linear, mesmo levando em consideração toda bagagem de Twain. O autor já havia me cativado em O Príncipe e o Mendigo, porém, em Huckleberry Finn, o efeito foi moroso e um tanto insípido. Creio que se a obra tivesse 100 páginas a menos, seu conteúdo não seria afetado em muita coisa (há diversas passagens que soam cansativas e quase sem nenhum acréscimo relevante para a história).

Apesar de tudo, o ritmo vai ficando melhor a partir da metade do livro em diante, mesmo com o demasiado uso de mentiras e trapaças cometidos por Huck & Cia (recurso este que se torna repetitivo por demais ao longo da trama). No final de tudo, entre altos e baixos, o saldo da leitura foi satisfatório, ainda que este não tenha ficado entre os meus clássicos favoritos.

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15/01/2022

Publicado em 15.1.22 por

Um suspense clássico de primeira


Essa obra é certamente um dos ápices de criatividade de Agatha. A trama não traz nenhum de seus protagonistas conhecidos, mas possui um encadeamento de situações muito bem elaborado, ainda que não haja nenhum detetive/investigador que resolva o caso. É interessante notar que, neste livro, a autora delineou bem a parte psicológica dos personagens, mostrando as perspectivas de cada um de forma bem mais particular. O suspense é perceptível em cada página, seja em capítulos curtos ou nos mais longos. O leitor é levado adiante não apenas pela mera curiosidade, mas também pelo envolvimento com a própria história em si. Pois é, senhoras e senhores, eis mais um instigante livro da dona Agatha que me surpreendeu pela sagacidade do enredo e ambientação dos personagens.

Obs: em edições mais antigas, esse livro pode ser encontrado com o título de "O Caso dos Dez Negrinhos".

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11/01/2022

Publicado em 11.1.22 por

Uma história sobre redenção

Esse é um daqueles livros curtos que te cativam ao ponto de você desejar que ele tivesse pelo menos mais algumas páginas. Graham Greene é muito hábil nessa narrativa, sendo objetivo e direto ao criar uma série de acontecimentos muito bem amarrados no decorrer dos capítulos. Ao ler esta história, a impressão é a de que você está assistindo a um filme muito bem dirigido e com ótimas interpretações (realmente, o livro foi levado às telas pela MGM em 1988, tendo ninguém menos do que o talentoso Anthony Hopkins como protagonista).

Gostei bastante da jornada de redenção de Chavel, a qual me foi plenamente convincente, apesar de dolorosa. O Décimo Homem foi uma leitura muito agradável e rápida de se fazer, sendo um dos melhores livros do autor na minha opinião.

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07/01/2022

Publicado em 7.1.22 por

Projeto Tijolões

Antes de tudo, quero ressaltar aos leigos que o conceito de tijolão se refere a livros grandes (calhamaços), que demandam bem mais tempo para serem concluídos não só pelo tamanho, mas também pela densidade da trama. Já havia lido alguns assim antes, mas não tinha pretensões de criar uma meta a respeito deles, principalmente, por ter receio de abandonar a leitura caso não tivesse maturidade suficiente para compreender certas referências. 

Foi durante a quarentena de 2020 que dei início então a um modesto projeto de leitura que se basearia em ler pelo menos um tijolão por ano. O primeiro foi Os Miseráveis (Victor Hugo), que inclusive, se tornou um dos livros favoritos da minha vida, chegando ao notável feito de me arrancar lágrimas no final. Em 2021, foi a vez de Moby Dick (Herman Melville), um livro que tem muita fama de ser tedioso e difícil, mas que pra mim, foi uma experiência sem igual. Agora em 2022, iniciei Guerra e Paz (Liev Tolstói), que já garante ser um grande marco também.

As próximas obras dessa imponente lista são: Dom Quixote, O Conde de Monte Cristo, David Copperfield, Anna Kariênina, Norte e Sul, As Vinhas da Ira, A Casa Soturna, A Montanha Mágica, A Divina Comédia e Paraíso Perdido. Na medida em que eu for adquirindo outros tijolões, irei incluí-los na sequência, dando prosseguimento ao projeto anual. Devido a grande correria em meio ao trabalho, tenho dado preferência a essas leituras mais extensas somente no período das férias, pois assim fico mais à vontade e sem muitas pausas durante a semana.

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01/01/2022

Publicado em 1.1.22 por

Rastro Perene

Eternize-se... Na lembrança alegre que ficou na mente daqueles que você ama.

Eternize-se... Nas cativantes prosas que com os amigos você compartilhou.

Eternize-se... Em versos e cartas que um dia você escreveu para alguém que tanto lhe estima. 

Eternize-se... No aprendizado de um pupilo que aprendeu de ti as mais inesquecíveis lições. 

Eternize-se... Vivendo naquEle que é o autor e dono da eternidade. NEle, tudo que é realmente bom jamais fenece.

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