24/08/2025

Publicado em 24.8.25 por

Ironia nas fronteiras entre o real e o absurdo

Esta curiosa antologia apresenta 10 contos que lançam mão do fantástico em histórias que desafiam os limites convencionais da lógica cotidiana. Com uma crítica sutil e irônica, Marcel Aymé explora até onde vai o comportamento humano em situações que transitam entre o absurdo e o real, flertando até mesmo com a ficção científica em alguns momentos.

Desejo de liberdade, hipocrisia, autoritarismo e os paradoxos morais do homem moderno são temas muito bem trabalhados pelo autor, que utiliza o fantástico como um espelho para revelar as contradições e fragilidades da sociedade. Com sua prosa ágil e um humor perspicaz, Aymé não perde a chance de ironizar as convenções sociais e até mesmo provocar o leitor a questionar certos paradigmas.

Essa é uma leitura que recomendo para quem gosta de histórias que desafiam o senso comum com boas dosagens de humor e crítica social. São contos que divertem ao mesmo tempo que trazem reflexões pertinentes ao nosso tempo.

Destaques

O Passa-Paredes 
O cupom do tempo
O decreto 
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09/08/2025

Publicado em 9.8.25 por

Contos de uma humanidade extinta

Um futuro muito distante, onde a humanidade estaria extinta e os cachorros dominariam a Terra após se tornarem seres racionais através de uma mutação. A princípio, esse plot pode parecer bobo ou caricato, mas a forma como Clifford Simak trabalha esses elementos está longe de ser algo tosco.

Nessa história, os cães são os narradores e transmissores de lendas humanas, o que confere a esse livro uma estrutura cíclica e bem peculiar, ou seja, os contos que compõem a obra são apresentados como mitos antigos, debatidos por estudiosos caninos que analisam possíveis provas da existência (ou inexistência) do homem.

Ao longo dos oito capítulos, vemos um processo quase pacífico de transformação: os humanos abandonam suas cidades, rejeitam a sociedade industrial e, aos poucos, desaparecem do mundo, enquanto os cães herdam a Terra, agora um paraíso pastoril e silencioso. Nesse sentido, a ficção científica de Simak se aproxima muito mais de uma fábula sobre o que realmente significa ser civilizado e até onde vale a pena sustentar uma ideia de progresso baseada em dominação e expansão.

A meu ver, não encaro esse livro como uma tentativa de imaginar um futuro distópico cheio de ruínas e desespero. Pelo contrário, o autor dá a entender que talvez a humanidade tenha simplesmente escolhido desaparecer, como uma forma de se libertar dos seus próprios impulsos destrutivos (vemos isso muito bem representado na atitude de Jon Webster, o último representante humano que aparece na história).

Com certeza, essa foi uma das melhores obras de sci-fi que já li e não foi à toa que a mesma ganhou o International Fantasy Award como melhor livro de ficção de 1953. Infelizmente, Simak é um escritor quase esquecido aqui no Brasil, mas assim como tantos outros de sua época, ele também merece voltar às nossas prateleiras.

OBS: Descobri que existe um epílogo (ainda sem tradução em português) que saiu em uma edição especial. Se alguém souber onde encontrar, me avisa. 

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