Muitas vezes, fugimos de leituras que escancaram a realidade da forma como ela é, e isso, até certo ponto, nos priva de experiências mais viscerais e implacáveis a respeito da brutalidade da vida. Sabemos que nem tudo debaixo do sol são flores, mas mesmo assim, histórias com temas sobre a decadência moral, a violência e a hipocrisia humana acabam sendo desconfortáveis para grande parte dos leitores desse nosso famigerado tempo.
É justamente nesta área que entram os escritos de Flannery O'Connor, a qual apresenta personagens que são frequentemente figuras excêntricas – deformadas física ou espiritualmente – em narrativas que giram em torno de reviravoltas brutais onde se revela a fragilidade humana diante do destino, da moralidade e da fé. A propósito, a autora não trata a fé como um refúgio, mas como um campo de batalha, onde seus personagens são desafiados e, muitas vezes, até mesmo destruídos.
Ao final de cada história, fica a sensação de que O'Connor nos empurra de um precipício do qual não há retorno e que nos obriga a encarar a realidade sob uma luz dura e impiedosa. Sua obra não busca conforto, mas sim a verdade, e é por isso que, mesmo décadas após sua morte, seus contos continuam tão relevantes e precisos.
Destaques:
O negro artificial
O Refugiado de Guerra
.jpg)

