04/04/2022

Publicado em 4.4.22 por

Sobrevivência em meio à solidão

É completamente desnecessário falar aqui o quanto esse livro se diferencia de suas adaptações ao cinema, no entanto, a pessoa que o lê pela primeira vez precisa logo ter em mente que todos aqueles clichês apocalípticos que hoje em dia estão saturados na cultura pop ainda não eram nada vigentes na época em que essa obra foi lançada. Assim sendo, percebemos que os elementos apresentados em Eu Sou a Lenda soam bastante originais e pode-se dizer que esta é uma distopia que envelheceu muito bem.

A instigante história de Robert Neville nos transforma em seus cúmplices durante toda sua solitária saga, repleta de momentos inquietantes e desolados. Tudo isso se torna ainda mais intenso mediante os fatores psicológicos explorados pelo autor ao nos apresentar uma verossimilhança que não passa despercebida (tenho certeza de que a maioria das pessoas agiriam da mesma forma que Neville se vivessem no mesmo tipo de situação).

Sentir a angústia do protagonista me fez refletir sobre o próprio estado da condição humana perante sua eminente extinção, seja ela moral, física ou até mesmo espiritual. Com os rumos que a humanidade anda seguindo atualmente, vejo que a ficção não está tão longe assim da realidade.