Atualmente, é perceptível a ausência de centenas de títulos musicais dentro das plataformas digitais, o que acabou motivando uma busca incessante de tais obras pelos admiradores de vários artistas/bandas, os quais viram diversas dessas gravações serem esquecidas no decorrer dos anos, ao ponto de serem jogadas praticamente no limbo. Através deste quadro, criou-se uma verdadeira "arqueologia virtual" em torno de discos raros, desde os clássicos vinis dos anos 60/70, passando pelos sucessos dos anos 80 e, finalmente, os álbuns mais contemporâneos a partir da década de 90. É notável que muitas músicas voltaram a ser valorizadas recentemente não só devido a nostalgia coletiva, mas por causa da forte relevância cultural e alta qualidade das letras/melodias que estes trabalhos possuem até hoje. Quem é discófilo há pelo menos 25 anos e acompanhou o crescimento da música popular brasileira sabe do que estou falando.
A começar pelas gravadoras de renome, vemos um amplo catálogo de excelentes álbuns que, infelizmente, não foram relançados em formato digital. Muitos outros selos ainda encerraram suas atividades abruptamente, levando consigo um vasto número de memoráveis discos/singles que marcaram a vida de milhares de ouvintes brasileiros (e estrangeiros). E o que falar das gravadoras remanescentes, que apesar de ainda estarem na ativa, omitem completamente de seus catálogos raridades ímpares que as mesmas não relançam simplesmente porque aquele cantor ou banda não faz mais parte de seus casts? Nessa esfera, inclui-se também as diversas questões judiciais envolvendo ambiciosas disputas de copyright.
Ademais, para os que não possuem “alternativas legais” a fim de ter consigo aquela sua velha e estimada canção, resta-lhes apenas o bom uso da criatividade aliada à modernidade tecnológica do século XXI, pois qualquer usuário habilidoso de computador hoje em dia pode converter as músicas de um dispositivo analógico para o formato digital usando programas específicos de captura de áudio (inclusive, muitas almas bondosas já fizeram isso e publicaram várias pérolas no YouTube). Para quem não encontrou ainda o que procurava, o desafio agora é conseguir uma boa vitrola acompanhada de um toca-fitas K7 (que ainda estejam funcionando, é claro). Depois de ripadas as músicas para mp3, basta apenas dar o play e viajar no tempo. Como já dizia aquele velho ditado popular: “recordar é viver”, e em se tratando de canções, sabemos que “música boa jamais envelhece, vira clássico!”


