12/04/2022

Publicado em 12.4.22 por

Caleidoscópio interior


O romance de estreia de Clarice já nos apresenta todas as sutilezas que fariam parte de sua obra. Ao perscrutar as profundezas da alma humana, a autora desnuda os pensamentos e sensações da enigmática Joana, nos apresentando a "selvageria" que impulsiona a personagem em toda sua forma de ser. No início, vemos uma menina perdida que não encontra seu lugar no mundo, mas que aos poucos vai aprendendo (ou não) com as perdas e revezes da vida. Já adulta, enfrenta dilemas em um ambiente tão hostil e indecifrável quanto ela mesma.

Uma das características marcantes que sempre me impressiona em Clarice são os oportunos "insights" de seus textos, até mesmo quando ela trata de algo aparentemente banal ou corriqueiro. Nesta obra, há várias passagens memoráveis assim que merecem ser destacadas.

Por ser uma narrativa bem fragmentada e densa, tive que ter uma atenção redobrada na leitura e até revisar diversos parágrafos. Clarice é desse jeito: tão profunda que sempre tem algo a nos dizer ainda que seja nas entrelinhas.