10/02/2022

Publicado em 10.2.22 por

A pequenez do homem diante da natureza


Após anos vendo opiniões negativas sobre a obra máxima de Melville, resolvi tirar minhas próprias conclusões quanto a Moby Dick. Constatei que mesmo com tantas passagens repletas de digressões extensas, o livro não perde em nada de sua grandiosidade. É verdade que a história não possui tantos momentos de ação como a maioria imagina (talvez, tal perspectiva surgiu devido as inúmeras adaptações duvidosas que a obra sofreu tanto na TV quanto no cinema). O grande mérito de Moby Dick não se resume nas passagens que narram os conflitos da tripulação do Pequod com as baleias, mas envolve toda uma série de detalhes minuciosos em torno do cotidiano do navio e seu ofício. Além disso, os diálogos (e monólogos) do capitão Ahab são essenciais na trama, mostrando toda sua obsessiva sede por vingança como força motriz na incansável busca pelo cachalote branco.

Dentre as muitas interpretações da obra, pude ver o grande Leviatã principalmente como a representação da fúria e impetuosidade da natureza que se nega a ser domada pelo homem. Já Ahab é a síntese da obstinação humana na perene luta contra os poderes ancestrais, sempre frustrada em suas pífias tentativas contra aquilo que está longe de seu alcance mortal. Moby Dick, apesar de ser uma baleia, ganha um status quase que mítico em toda sua opulência como titã dos mares. Ela se torna o símbolo de tudo aquilo que nunca venceremos em nossa ânsia pelo controle absoluto das coisas.