25/01/2022

Publicado em 25.1.22 por

Um quebra-cabeças sobre a degradação humana

Ler Faulkner sempre me traz um misto de sensações e resenhar alguma obra dele é algo que não considero fazer com primazia. Mesmo assim, depois de algum tempo da sensacional (e peculiar) experiência que tive com O Som e a Fúria, percebi que era necessário separar outro momento oportuno para voltar ao condado de Yoknapatawpha (inclusive, em breve falarei desse outro clássico dele aqui no blog). 

Pois bem... Santuário, assim como outras obras de Faulkner, se desenvolve em passagens entrecortadas e repletas de lacunas propositais, deixando a cargo do leitor a responsabilidade de decifrar aquilo que fica nas entrelinhas. Por muitas vezes pode ser difícil definir as verdadeiras intenções dos personagens, mas as peças logo vão se encaixando no decorrer da trama. A decadência e a frustração humanas são feridas constantemente tocadas aqui, nos colocando perante embaraçosos dilemas pessoais e/ou éticos.

Pelo menor número de páginas, confesso ter imaginado que seria uma leitura fácil (tinha até ouvido falar que este era o romance mais "acessível" do autor). No entanto, certos capítulos exigiram bastante da minha atenção, exigência esta que só me fez mergulhar ainda mais na história. Quando cheguei ao fim de mais uma jornada "faulkneana", me senti imensamente recompensado pelo esforço empreendido. São obras assim que me tiram da zona de conforto.