Expoente máximo do terror clássico, Drácula me trouxe surpresas que romperam com aquela visão estereotipada que eu já tinha da obra devido suas inúmeras adaptações na cultura pop (inclusive, já falei sobre uma experiência parecida com "Frankenstein" em outra resenha). Sei que é quase impossível desassociar essa obra de seus derivados modernos, mas ao lê-la, tentei deixar de lado algumas dessas influências para me deter apenas no escopo original de Bram Stoker (que achei bem mais interessante).
Um aspecto curioso é que a história se desenrola por meio de uma série de cartas, diários e recortes de jornais, criando um formato narrativo diferenciado para a época. O suspense é constante, sempre dando lugar a novas descobertas feitas pelos heróis da trama. A ambientação gótica impressa nessa obra é de certa forma tão envolvente que imerge o leitor numa jornada repleta de elementos intrigantes que mantêm a tensão e o fascínio ao longo de toda a narrativa.
Outra questão que preciso enfatizar é o fato de que o mal em Drácula nunca é tratado como algo relativo ou ambíguo, ao contrário, é mostrado sempre como uma coisa ruim que deve ser combatida e derrotada com muita coragem e determinação. Assim que Van Helsing e seus amigos entendem a gravidade do problema que estão enfrentando, isso é bastante notório, inclusive, nos pontos cruciais onde a proteção e a resignação divinas são indispensáveis para a vitória.
Enfim, uma coincidência legal que percebi no último capítulo foi que o período de conclusão da minha leitura combinou com a mesma sequência de dias registrados pelos personagens no final da história (1 a 6 de novembro). Com um desfecho rápido, porém satisfatório, o livro encerra entregando um dos maiores romances literatura, provando que sua relevância e impacto tem resistido facilmente ao teste do tempo, conquistando assim novos leitores e ajudando a perpetuar o legado do gótico clássico.
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