Confesso que antes de ler este romance possuía uma ideia completamente diferente dele. Vi logo que isso era fruto dos anos de influências das adaptações cinematográficas que Frankenstein sofreu no decorrer do último século. Fiquei surpreendido quando pude constatar que a história original era muito diferente dos filmes (e animações) inspirados na obra. Considero, inclusive, o livro muito superior em todos os aspectos, principalmente, pelo fato de o protagonista ser o próprio Dr. Frankenstein (revelando suas crises e temores), e não o monstro criado por ele. A propósito, a narrativa é bastante profunda e até mesmo filosófica, não sendo em nenhum momento enfadonha como já ouvi muita gente dizer. As relações entre transgressão e culpa são pontos muito bem trabalhados na trama, assim como as consequências decorrentes das atitudes de Victor. É certo que muitas passagens possuem uma atmosfera até deprimente, mas isto faz parte do contexto da história e não é algo que possa ser considerado incômodo ou apelativo.
Além das críticas ao cientificismo e à sociedade do século XIX, a obra também tem muito a dizer a respeito da própria essência da natureza humana em confronto com os medos criados por nós mesmos. Ainda assim, cabe ao leitor descobrir quais elucidações lhe virão à tona durante sua análise de Frankenstein, pois este é um clássico que vai além das inúmeras releituras que a obra recebeu, não se limitando apenas a um tipo de interpretação.

