Meridiano de Sangue entrou pra lista de livros que me conquistaram desde a primeira página, superando minhas expectativas e se tornando um dos meus favoritos. Já esperava que essa obra tivesse um clima mais cru e visceral, mas não imaginava que a narrativa fosse tão vivaz. McCarthy descreve as paisagens do velho Oeste americano de forma tão tátil que nos transporta facilmente para dentro da narrativa.
"Meridiano" é uma ficção histórica repleta de violência do começo ao fim. Durante os capítulos vemos insanidade, frieza e uma forte luta pela sobrevivência. O autor não nos poupa de nada nesse universo sangrento e sem compaixão: americanos, índios e mexicanos se enfrentam em batalhas de vida ou morte sob as mais variadas circunstâncias num ambiente inóspito e perigoso.
No início, achei que o personagem Kid (sim, o autor nomeia ele apenas assim) teria maior destaque na trama, mas logo a história foca na jornada de um bando de mercenários liderado por John Glanton (do qual Kid também começa a fazer parte). Tal grupo tem o propósito de matar índios e coletar seus escalpos para o governo. Junto com eles vai um estranho e sinistro homem chamado juiz Holden, que mais parece ser uma forma personificada do próprio demônio. A sangrenta comitiva segue então através de uma terra inóspita e quase sem vida em busca de seus prêmios a preço de muita violência.
Achei interessante a maneira como McCarthy narra as cenas, a ponto de transformar até mesmo um momento brutalmente cruel em algo poético. Em diversos momentos o enredo pode parecer linear, mas guarda inúmeras camadas que revelam muito mais do que a história aparenta ser na superfície. Esse é um livro intenso, que em nenhum momento abre mão da possibilidade de chocar o leitor. Agressivo e perturbador na medida condizente com a época que ele descreve. Um verdadeiro faroeste pra ninguém botar defeito.
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