Wuthering Heights pode até ser deprimente e melancólico em boa parte, mas a leitura não se torna desinteressante por causa disso, ao contrário, seus personagens são tão controversos que chamam atenção pela complexidade de seus gênios. Heathcliff, Catherine, Hindley e todos os outros integrantes da história são plausivelmente humanos, formando um panorama bastante convincente que poderia muito bem ter acontecido na vida real. Toda sequência de episódios envolvendo os Earnshaw e os Linton é um retrato perfeito das crises familiares em seu estado mais mordaz e altivo, assim como das consequências resultantes de qualquer atitude nefasta cultivada dentro do seio familiar.
Quanto às questões preconceituosas abordadas no livro, as mesmas não estão lá para fazer apologia à discriminação racial/social, mas sim como alerta contra tais mazelas, uma vez que a autora mostra os efeitos nocivos causados pelas mesmas e como isso afeta a convivência até mesmo nos círculos mais íntimos.
No fim de tudo, as intenções de Heathcliff podem facilmente ser classificadas como doentias, ainda que o mesmo possa ter lá suas "razões" de vingança. Cathy também demonstra diversas atitudes de caráter duvidoso em muitas passagens, o que expõe sempre seus conflitos como uma ferida aberta que não quer cicatrizar. É bom notar que Brontë deixa certas "entrelinhas" em algumas partes, ficando à critério do leitor a interpretação das ambiguidades presentes na obra. Esta seria então uma história de amor? Talvez, mas não a leia esperando um "romance açucarado" aos moldes de Hollywood. Aguarde somente pelo choque de realidade que a trama pode lhe causar.

