Como exímio escritor, Charles Dickens conduz muito bem suas histórias de uma maneira que podemos encontrar nelas até elementos que precedem à linguagem cinematográfica (isso é notável sobretudo na novela Um Cântico de Natal). Há quadros tão bem traçados que é impossível não imaginarmos certas cenas com uma riqueza ímpar de detalhes. Vale destacar também que a maior parte dos enredos apresenta questões sociais em passagens que denunciam a triste condição de pobreza que já assolava os menos favorecidos naquela época (quesito este bastante abordado pelo autor em várias de suas obras).
Como era de se esperar, as festividades de Natal são o pano de fundo de todas as oito histórias presentes nesse volume, mas isso não torna a temática desgastada durante a leitura, até porque Dickens sabe dar um tratamento distinto para cada conto. Seja em narrativas com influências fantásticas ou simplesmente nos relatos de confraternizações natalinas, passeamos naquilo que há de mais interessante no gênero, mesmo que em alguns momentos o autor exagere um pouco na carga melodramática.
Incisivamente, Dickens consegue nos transmitir a alegria pura e memorável do Natal de um jeito tão encantador quanto reflexivo. É como se estivéssemos ao pé da lareira, numa véspera natalina, atentos à sua voz enquanto ele nos conta uma de suas histórias. Com certeza, não há melhor forma de se comemorar uma data tão emblemática assim que não seja em contato direto com as velhas e saudosas tradições do passado.
Destaques:
A História dos duendes que raptaram um coveiro
Um Cântico de Natal em prosa
O Homem possesso e o pacto com o Fantasma

