Concluímos a leitura da segunda parte do calhamaço deste ano e aqui vai o resumo da maravilhosa continuação de Dom Quixote (com spoilers, obviamente). Deste ponto em diante, todas as façanhas de nosso nobre cavaleiro já são bem conhecidas e ele terá que lidar com uma inesperada fama, além de enfrentar novos desafios em sua segunda jornada.
Aproximadamente depois de um mês da chegada de Dom Quixote, todos pensavam que o mesmo já estaria recuperado de sua loucura. O padre e o barbeiro decidem então visitá-lo para conferir se ele realmente teria ficado são, mas descobrem que o fidalgo continua do mesmo jeito. Nesse interim, Quixote fica sabendo de um bacharel que conhece tudo que fora registrado sobre suas façanhas e o manda chamar para conversarem. O bacharel Sansão Carrasco cita os episódios vivenciados pelo cavaleiro e seu escudeiro, comprovando os fatos com as confirmações feitas pela dupla. O fidalgo logo se vê encorajado a continuar suas aventuras, combinando sair secretamente com Sancho numa nova jornada. A mulher de Sancho, assim como a sobrinha e a criada de Quixote, ficam sabendo de tudo e lamentam a situação. A criada pede ao bacharel que tente convencer seu amo a não partir, porém, ele faz exatamente o contrário e incentiva ainda mais o cavaleiro. Enfim, debaixo de todos os protestos de suas famílias, cavaleiro e escudeiro partem rumo a El Toboso a fim de encontrarem Dulcineia, a desejada dama de Quixote.
Em El Toboso, Sancho sai em busca da suposta princesa enquanto seu mestre aguarda na mata. Sabendo que tal senhora na verdade não existe, Sancho decide enganar seu amo lhe apresentando uma lavadeira que por ali passava com outras duas mulheres montadas em burricos. Quixote logo pensa que sua dona havia sido transformada por meio de algum encantamento e lamenta o ocorrido. Após esse episódio, os dois seguem viagem e encontram um grupo de comediantes fantasiados que se dirigem à cidade para fazer apresentações. Um dos integrantes dessa caravana arruma confusão ao assustar o Rocinante e o cavaleiro vê-se incitado a se vingar, porém desiste sob o argumento de não poder levantar a espada contra meros civis.
Na continuação da jornada, a dupla se surpreende ao encontrar outro cavaleiro andante também acompanhado por um escudeiro. Os quatro fazem amizade, porém Quixote e Sancho são desafiados para um duelo logo ao amanhecer. Assim, Quixote aceita o desafio e o cavaleiro misterioso se prepara para o combate sem mostrar seu rosto enquanto seu escudeiro tenta combinar com Sancho uma luta paralela entre eles. O cavaleiro da Triste Figura consegue sobrepujar seu adversário, que cai como morto em seguida. No mesmo instante é descoberto que o cavaleiro desconhecido era o bacharel Sansão Carrasco, que havia combinado com o padre e o barbeiro um plano para derrotar Quixote e dessa forma fazer com que ele voltasse de vez para casa. O fidalgo não acredita no que vê e acha mais uma vez que estaria sendo enganado por encantamento. O bacharel recobra os sentidos e decide então ir embora com seu suposto escudeiro (que na verdade, era um vizinho de Sancho).
Em seguida, nossos heróis encontram outro fidalgo no caminho, chamado Dom Diego, com quem Quixote vai conversando até encontrarem uma carroça que transportava jaulas com dois leões que seriam dados de presente ao rei. O cavaleiro inventa outra de suas loucuras e decide enfrentar os felinos, obrigando o carreiro a soltá-los. O carreiro abre uma das jaulas após inúmeras ameaças e todos se afastam para não serem atacados pelo leão. O animal, no entanto, não se vê motivado a sair e volta pra jaula. Quixote se declara vitorioso e continua sua viagem até chegar na casa de Dom Diego, onde fica hospedado com Sancho durante quatro dias. Após essa estadia, ambos se despedem e seguem viagem rumo a Saragoça. No caminho, encontram um grupo de viajantes que iam para um casamento e o acompanha até o local das festividades. Ficam sabendo então da história dos noivos Camacho e Quitéria e da desdita do pastor Basílio, o qual era enamorado de Quitéria mas não pode desposá-la por ser pobre. No dia seguinte, por ocasião da festa, Basílio aparece fazendo anúncio de seu desapontamento diante de todos os convidados e, no mesmo instante, aparentemente se mata. O padre tenta convencê-lo a fazer sua confissão antes da morte, mas o suicida impõe a condição de antes ter a mão de Quitéria como esposa, ainda que já moribundo. Quitéria aceita o pedido de Basílio e o padre sela a união dos dois ali mesmo. Nesse momento, o pastor revela que na verdade havia fingido tudo por meio de um engenhoso plano. Ressentido pelo embuste, Camacho e seus apoiadores se preparam para um iminente conflito, mas Dom Quixote consegue impedir a contenda. Camacho assim desiste e os amigos do jovem casal vão embora juntamente com o cavaleiro andante e seu escudeiro.
Após três dias em companhia do grupo de Basílio e Quitéria, eles seguem rumo à caverna de montesinos, onde Quixote pretende adentrar em busca de aventuras. Com a ajuda de Sancho e de um estudante de Basílio, o cavaleiro desce para dentro da caverna e lá acaba adormecendo. Ao retornar, meia hora depois, afirma ter visto um castelo encantado com ilustres figuras lendárias e lá permanecido durante três dias, ficando a par de inúmeras histórias a respeito daquela gente. Sancho desdenha da visão de seu amo e novamente afirma sua loucura. Prosseguindo viagem, encontram um homem carregando armas e que promete contar o porquê de sua pressa depois que chegarem na estalagem.
Chegando no local de pernoite, eles escutam a história do homem das armas, que explicou a origem banal da rivalidade entre as aldeias daquela região, as quais estavam em pé de guerra. Em seguida, aparece na estalagem um titereiro chamado Mestre Pedro, o qual também possuía um macaco "vidente" que se dizia revelar fatos do passado e presente. Após dar uma amostra das habilidades do animal, Mestre Pedro oferece seu espetáculo de marionetes, contando a história de Dom Gaifeiros e Melisendra, mas Dom Quixote interrompe a apresentação achando que tudo aquilo era real e parte para cima dos bonecos, destruindo o retábulo. O cavaleiro atribui tal confusão ao encantamento dos supostos magos que o perseguem e se vê em dívida com Mestre Pedro, pagando-lhe em dinheiro pelo prejuízo que lhe trouxe.
Após o episódio das marionetes, o narrador da história revela que o tal Mestre Pedro era na verdade o condenado Ginés de Pasamonte, um dos que haviam sido libertados pelo cavaleiro na Serra Morena e que também roubara o burro de Sancho. Voltando às andanças de Dom Quixote e Sancho Pança, depois que ambos se despediram dos outros que os tinham acompanhado até ali, seguiram caminho até encontrarem um regimento de soldados proveniente justamente daquela intriga antes relatada pelo homem das armas. O cavaleiro tenta convencer os combatentes a desistirem de guerrear contra a outra aldeia, mas é atacado logo em seguida devido um mal entendido que se deu por uma fala imprudente de Sancho.
Chegando ao rio Ebro, encontram um barco que Quixote diz estar encantado e destinado a levá-los a uma aventura léguas dali. Eles embarcam e encontram moinhos que o fidalgo diz ser uma fortaleza onde algum prisioneiro aflito estava necessitado de ajuda. Quando o barco se aproxima, os moleiros tentam impedi-los de se chocarem contra as rodas dos moinhos e a embarcação acaba virando antes disso acontecer. Cavaleiro e escudeiro são imediatamente resgatados pelos moleiros a tempo, mas o barco é destroçado pelas rodas. No final das contas, Dom Quixote acaba tendo que pagar pela embarcação perdida.
No episódio seguinte, encontram uma Duquesa e um Duque caçando por meio da arte da falcoaria. Os nobres, que já conheciam a fama dos dois, os convidam para se hospedar em sua casa de campo. Lá, Quixote e Sancho são tratados com todas as honras e cortesias devidas à ordem da cavalaria andante. O Duque e a Duquesa fingem levar tudo a sério, mas ao mesmo tempo se divertem com as loucuras da dupla. A Duquesa aproveita a ocasião para questionar a Sancho sobre a mentira que ele usou para enganar seu amo no tocante ao suposto encantamento de Dulcineia. O escudeiro admite o embuste, mas a Duquesa faz de conta que Quixote está certo quanto à transformação de sua senhora pelos magos inimigos. Passados alguns dias, a Duquesa e seu esposo decidem enganar o cavaleiro no que diz respeito ao desencantamento de Dulcineia e armam um mirabolante plano.
Após um dia de caça de montaria, todos retornam à tenda para repousar quando surge um inesperado desfile de figuras fantásticas, que na verdade, era uma encenação preparada para ludibriar Quixote e Sancho. Entre os personagens dizia-se estar a formosa Dulcineia e o mago Merlim, o qual dá instruções sobre como tirá-la do encantamento. A condição seria que Sancho se submetesse a uma penitência de três mil e trezentos açoites no traseiro em favor de Dulcineia. Sancho não gosta nem um pouco da imposição do castigo e tenta contornar a situação, mas acaba aceitando a sofrida pena.
Depois desses acontecimentos, Sancho dita uma carta que ele pretende enviar para sua esposa, mas antes, apresenta a correspondência à supervisão da Duquesa. Logo depois, chega o escudeiro Trifaldi da Barba Branca, que vinha da parte de sua senhora, a condessa Ama Dolorida, a qual pedia a ajuda de Dom Quixote. Os duques autorizam a entrada da condessa e todos escutam sua história (a qual também fazia parte da encenação já maquinada para enganar o cavaleiro andante). Ao final de seu relato, a condessa e suas amas revelam seus rostos, os quais estavam repletos de barbas como consequência do suposto encanto do mago Malambruno. A missão de Dom Quixote e Sancho seria encontrar o mago para daí conseguir quebrar o encanto, porém, eles deveriam aguardar o transporte que os levaria até seu longínquo destino no reino de Candaia. O referido meio seria através de um cavalo de madeira mágico chamado Cravelenho, que apareceu logo depois sendo trazido por selvagens. A dupla monta no cavalo após muita relutância de Sancho e os olhos de ambos são vendados mediante um protocolo que, na verdade, era apenas para evitar que eles vissem as montagens da farsa sendo feitas. É iniciada a partir daí a fabulosa viagem pelos céus rumo a Candaia. Durante o pouco tempo em que eles passam montados em Cravelenho, os criados do duque usam vários artifícios para simular a suposta viagem e ao fim inesperado da mesma, Quixote e Sancho realmente acreditam terem voado no cavalo. Eles encontram então uma mensagem de Malambruno os congratulando pela coragem, ainda que não tivessem concluído a jornada por inteiro. Com isso, a tarefa havia sido cumprida e a condessa com suas amas estavam libertas do encanto.
Contentes com o sucesso de suas brincadeiras, os duques colocam em andamento a próxima peça a ser pregada, que seria dar o governo de uma ilha a Sancho. Entusiasmado com a promoção de seu escudeiro, Dom Quixote lhe dá diversos conselhos de como ser um bom governante. Após a partida de Sancho, o cavaleiro descobre que uma das aias do castelo estaria apaixonada por ele (outra armação dos duques), mas o mesmo a ignora sob o pretexto de não trair sua amada Dulcineia. Enquanto isso, Sancho começa a lidar com suas responsabilidades de governador, julgando diversos casos e tentando resolver problemas em sua ilha. Numa noite, Quixote recebe em seu quarto a visita da ama dona Rodríguez, que expõe seu problema com respeito a sua filha, que havia sido desonrada pelo filho de um camponês rico. Voltando ao governo de Sancho na ilha, o mesmo continua a empregar seu ofício de forma insultada e cômica, solucionando os mais diversos casos que vão aparecendo.
No decorrer desses acontecimentos, o pajem enviado pelos duques chega ao povoado onde mora a família dos Pança e entrega à Teresa, mulher de Sancho, duas cartas: uma da duquesa e outra de seu marido. Teresa fica surpresa com tudo que é relatado e sua filha Sanchinha se empolga com a sorte do pai. O padre e o bacharel Sansão não acreditam na história e interrogam o pajem para confirmar a veracidade dos fatos. Em seguida, Sancho recebe uma carta de Dom Quixote lhe elogiando pelo bom mandato e dando mais alguns conselhos. O escudeiro logo responde à carta de seu amo e depois dá prosseguimento às suas ações como governante.
No castelo, dona Rodríguez e sua filha aparecem rogando aos duques pela ajuda do cavaleiro andante no desafio contra o filho do camponês rico. É dada a permissão a Dom Quixote e o mesmo se prepara para duelar com seu adversário dali a seis dias. Nesse meio-termo, o pajem retorna ao castelo trazendo as cartas com a resposta de Teresa à duquesa e a Sancho, as quais são lidas com muito prazer. Na ilha, Sancho é surpreendido com um aviso de ataque inimigo pela madrugada e se embaraça em meio a toda confusão que parte dessa peça. O escudeiro decide então abdicar de seu posto como governante e voltar às andanças ao lado de Dom Quixote.
No caminho de volta ao castelo dos duques, Sancho encontra um grupo de pedintes e um deles o reconhece, revelando ser seu antigo vizinho Ricote, o mourisco. Ricote havia sido deportado da Espanha juntamente com sua família pelo fato dos mesmos serem estrangeiros. Sancho então é convidado por ele para desenterrar um tesouro, mas recusa ajudá-lo alegando que estaria traindo as leis reais. De volta à estrada, já pela noite, Sancho e seu ruço caem em uma cova e lá permanecem até o amanhecer, quando o escudeiro descobre a entrada de uma gruta e tenta encontrar uma saída. Nesse momento, Dom Quixote (que havia saído para treinar para sua luta em defesa da honra da filha de dona Rodríguez) escuta a voz de Sancho e vai buscar auxílio para tirá-lo da gruta. No castelo, Sancho agradece aos duques pelos favores oferecidos quanto ao seu curto governo e entrega seu cargo sem mais delongas.
Chegando o dia do duelo de Dom Quixote contra o filho do camponês rico, todos se organizam para assistir à batalha, mas a mesma é interrompida pelo adversário, que se descobre como sendo apenas Tosilos, o lacaio do Duque, que desiste da luta por já estar apaixonado pela filha de dona Rodríguez. O lacaio havia substituído o adversário original, que fugira antes para não assumir o compromisso do casamento. Após esse episódio, o cavaleiro da Triste Figura se despede dos duques pois via que sua demora no castelo lhe deixava ocioso e longe de outras aventuras onde pudesse ajudar mais pessoas.
Retornando ao caminho para Saragoça, Quixote é surpreendido no mato por uma rede de fios verdes que o prende. Logo, duas formosas pastoras aparecem e revelam que aquela armadilha era do seu povo. Elas então convidam a dupla para visitarem sua família e chegando nas tenhas, Dom Quixote deseja retribuir sua gratidão pela hospitalidade. Ele se coloca no meio da estrada e brada para quem porventura passasse por ali que prestasse respeito às damas daquele lugar, porém, ninguém apareceu de imediato. No entanto, não demora-se muito e aparece uma multidão de homens a cavalo guiando uma manada de touros. Um deles desdenha do cavaleiro e o pede para sair do caminho. Quixote o desafia mas imediatamente acaba sendo atropelado pelos touros juntamente com Sancho.
Seguindo adiante após esse acidente, eles encontram uma estalagem para repousar. Lá conhecem dois cavalheiros que estão lendo uma versão apócrifa da segunda parte da história de Dom Quixote, o que muito desagradou o fidalgo, que apontou todos os erros do livro ilegítimo, decidindo também, a partir daí, tomar o rumo para Barcelona ao invés de Saragoça (destino para onde teria ido o falso Quixote).
Após seis dias de caminhada sem nada de interessante acontecer, Quixote se vê aflito ao ver que Sancho não aplicava em si o castigo dos açoites que era necessário para libertar Dulcineia do encanto. Ele tenta lhe infligir a penitência mas o escudeiro não aceita e diz que irá fazê-la por conta própria. Nesse momento, Sancho se afasta pra começar sua autoflagelação mas se assusta com vários cadáveres de bandoleiros enforcados nas árvores. Ao amanhecer, os dois viajantes observam mais ainda aquele quadro aterrador, quando são surpreendidos por um grupo de bandoleiros que os rendem e começam a roubar seus pertences. Nesse instante, surge Roque Guinart, que era o líder daquele bando, e ordena a todos que deixem de importunar os dois. De sobressalto, aparece nesse momento uma moça chamada Cláudia Jerônima, que vinha pedir proteção a Roque Guinart pelo fato dela ter atirado em Dom Vicente, seu prometido, que a havia enganado quanto ao seu compromisso de casamento. Cláudia e parte do bando de Roque vão ao encontro do grupo de Vicente, mas acham o jovem à beira da morte. Cláudia se arrepende amargamente do que fizera, mas já era tarde demais e Vicente se despede de sua amada e falece. Retornando aonde havia deixado o cavaleiro e seu escudeiro, Roque conversa com Quixote, que o aconselha a abandonar aquela vida de crimes. O chefe dos bandoleiros dá seus motivos para continuar naquela sina e depois muda de assunto, contando o que acontecera com a triste moça Cláudia. Nesse momento, os homens de Roque trazem capturada uma caravana de viajantes para repartir os despojos do roubo. Roque se demonstra misericordioso como se dizia ser e ordena que apenas uma parte do dinheiro fosse tirada dos peregrinos, poupando-lhes a maioria de seus bens e deixando-os irem em paz. Roque aprecia a companhia de Quixote e escreve uma carta para um amigo seu em Barcelona, recomendando que assista às engraçadas façanhas do cavaleiro. Depois disso, Dom Quixote e Sancho passam três dias e três noites com Roque e seu bando e então se despedem após chegarem na praia de Barcelona.
Na entrada da cidade, são recebidos por uma comitiva de cavaleiros liderados por Dom Antônio Moreno, que se torna o anfitrião deles. Dom Antônio revela ao cavaleiro que possue uma cabeça de bronze encantada que responde perguntas que lhe são feitas, mas que só mostraria essa proeza no dia seguinte. Enquanto isso, Dom Antônio convida Quixote para sair a passeio pela cidade e coloca nas costas do mesmo um pergaminho indicando seu famoso nome. As pessoas na rua param abismadas para contemplar o cavaleiro após lerem o pergaminho. Voltando à casa de Dom Antônio, ocorre um baile para entretenimento de todos e no dia seguinte, o anfitrião leva Quixote, Sancho e mais algumas pessoas para comprovarem o poder da suposta cabeça encantada. A cabeça responde a todas as perguntas de forma incisiva para admiração dos ouvintes. A fama do artefato mágico acaba ganhando notoriedade rapidamente e seu dono se vê obrigado a revelar todo o mecanismo por trás do embuste a fim de não ser mal julgado pelos inquisidores.
No episódio seguinte, Dom Antônio leva Quixote e Sancho para conhecerem as galés e lá se presenciam a perseguição e captura de uma pequena embarcação de mouros e turcos, dentre os quais dois deles mataram a tiros dois soldados das galés em meio ao acossamento. Durante a captura, o general ordena que lhe indiquem quem era o arrais daquele bergantim, para que o mesmo recebesse a pena de morte. Nesse momento, o vice-rei chega e interroga o arrais, que logo se revela uma linda moça disfarçada. A mesma conta toda sua história, incluindo os detalhes sobre seu desterro e retorno à Espanha, além do perigo que corria seu enamorado, Dom Gregório, que havia sido retido pelo rei de Argel sob o disfarce de donzela. Ao terminar seu relato, surge o velho Ricote, ainda vestido como peregrino, e se lança aos pés da moça revelando ser ela sua filha Ana Félix, a qual ele há tanto tempo ele procurava. O vice-rei e o general compreendem a situação da jovem e a liberam, assim como a todos os outros tripulantes do barco. Dom Antônio Moreno fica então encarregado de levar consigo a mourisca e seu pai para casa, a fim de lhes dar hospedagem.
Em uma manhã, enquanto passeava na praia, Dom Quixote encontra um novo adversário, que se autodeclarava "O Cavaleiro da Branca Lua". É desafiado por ele para um duelo naquele mesmo instante, ao que Quixote aceita conforme os termos impostos pelo seu oponente, os quais incluíam a retirada do fidalgo para sua terra. Quixote perde o duelo e se vê humilhado pela derrota. O vice-rei, que assistira ao embate, fica curioso para saber a verdadeira identidade do Cavaleiro da Branca Lua e ordena que Dom Antônio investigue o caso. O mesmo fica sabendo que o cavaleiro misterioso é na verdade o bacharel Sansão Carrasco, que novamente se disfarçara para enganar Quixote. Nesse meio tempo, Dom Gregório é resgatado e volta para os braços de sua amada Ana Félix. O vice-rei e Dom Antônio se dispõem a ajudar Ricote e sua filha na reintegração deles como cidadãos espanhóis. Após esse sucesso, Dom Quixote e Sancho tomam o caminho de volta para casa a fim de o cavaleiro honrar sua palavra dada no duelo em que havia perdido.
Na estrada, são capturados por homens armados que os levam de volta ao castelo dos duques, onde presenciam um macabro cenário e o corpo da donzela Altisidora, que jazia em cima de um túmulo. Os duques também se faziam presentes juntamente com os juízes do inferno: Minos e Radamanto (criados fantasiados que também faziam parte da encenação). São proferidas pelos juízes as condições para que Altisidora retorne à vida, sendo necessário que Sancho levasse uma série de bofetadas, beliscões e alfinetadas. O pobre escudeiro aceita a penitência depois de muitos protestos e a donzela ressuscita. Passado esse ocorrido, a dupla retoma a viagem e o narrador revela que Sansão Carrasco havia passado no castelo dos Duques um pouco antes e explicado a situação de Quixote.
O derrotado cavaleiro continuava triste e inquieto ao ver que Sancho não se dispunha a sofrer o castigo dos açoites que libertariam Dulcineia do encanto. Quixote então oferece ao escudeiro um merecido pagamento pelo castigo e Sancho resolve cumprir a penitência, mas afastado de seu amo a fim de enganá-lo, simulando o efeito dos açoites na árvores. Já quase no fim da jornada, os dois se hospedam numa estalagem onde encontram Dom Álvaro Tarfe, um dos personagens do livro apócrifo de Quixote. O verdadeiro cavaleiro andante convence Dom Álvaro de sua identidade, assim como a de Sancho, chegando ao ponto de o fazer assinar um documento que comprovasse essa constatação. Em seguida, amo e criado chegam à sua aldeia onde são recebidos pelos seus amigos. Quixote logo revela seu plano de se tornar pastor enquanto cumpre seu retiro de um ano longe do ofício da cavalaria, ideia essa que não agrada sua sobrinha e a ama.
Não demora muito e o fidalgo cai doente de uma febre que lhe deixa seis dias acamado. Nessa situação, já desiludido e entregue à própria morte, chama seus entes queridos e finalmente se mostra em perfeito juízo, renunciando sua loucura como cavaleiro andante e pedindo perdão a todos. Sem perda de tempo, faz sua confissão perante o cura e seu testamento logo em seguida, se despedindo e dando suas últimas palavras. Assim, termina a incrível saga do Cavaleiro da Triste Figura.


