19/11/2022

Publicado em 19.11.22 por

Albor pueril

Quando criança, o amanhecer era um enigma pra mim. Queria entender como o sol surgia na transição da noite para o dia e achava tudo isso um grande mistério. Desejava muito despertar bem cedo e poder captar o momento certo em que as trevas fugiriam da luz e tudo se transformasse ao calor do Astro-rei. Dormia na esperança de que isso acontecesse, pois na época eu nem sequer tinha um despertador para me ajudar. Enfim, minha curiosidade permanecia incólume com o passar do tempo e aquela doce sensação que eu tinha quando abria os olhos ao acordar sempre me cobrava do espetáculo que eu perdia. 

Foi então que certa vez, por capricho da natureza, despertei por coincidência naquele almejado horário. Fui sem demora ao quintal de casa, que era voltado para o lado onde nascia o sol, e fiquei a observar aqueles raios fulgurantes que abriam caminho em meio à escuridão. A aurora veio e trouxe toda beleza somente encontrada no raiar de um novo dia. Em minha inocente infância, mal sabia eu que aquele vislumbre seria o primeiro de muitos outros. O alvorecer da vida estava apenas começando.