Definitivamente, Machado de Assis é meu escritor nacional favorito. Seus romances e contos sempre me trouxeram grandes experiências de leitura e satisfação. Nesta obra, ao se utilizar de um "defunto narrador", Machado irá nos apresentar as memórias do personagem Brás Cubas a partir do momento de sua morte, desconstruindo assim a linearidade padrão dos acontecimentos (começo, meio e fim). Acompanhamos então o protagonista em suas desventuras, desde a infância até sua morte, sempre na mesma sina de não concretizar nada que fosse realmente proveitoso para sua vida.
Durante a narrativa é interessante notar as análises psicológicas e sociais que vão sendo feitas, bem como a ironia mordaz de Brás Cubas ao criticar a classe elitista de seu tempo. Por muitas vezes me encontrei rindo sozinho em várias passagens bastante cômicas e até mesmo desconcertantes. Sendo esta uma obra de caráter realista, o efeito de tais episódios dão um toque mais forte nas exemplificações de cada personagem, uma vez que todos representam a sociedade daquela época em algum aspecto específico.
Finalmente, o legado deixado por Brás Cubas resulta em um conjunto de negativas que refletem todo niilismo do defunto em sua autojustificativa por uma existência medíocre e sem conquistas relevantes. A sagacidade de Machado de Assis nunca fora tão certeira como nesta obra, nos fazendo refletir também sobre o quanto a vida pode ser efêmera e superficial dentro de perspectivas igualmente infrutíferas e vazias.
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