Faz algum tempo que Dostoiévski se tornou um dos meus autores preferidos e cada livro dele tem me trazido grandes surpresas e insights espetaculares. Desta vez, não foi diferente. Ainda que O Jogador tenha sido escrito às pressas, em menos de um mês, o autor conseguiu novamente imprimir uma complexidade emocional ímpar em seus personagens, nos apresentado um mundo onde as paixões se desenrolam em meio à forte adrenalina do risco e da perda.
Uma coisa que achei bastante peculiar nesse livro foram as diversas pitadas de humor, as quais ainda não tinha visto desse jeito em nenhuma outra obra de Dostoiévski. Nessa novela, há passagens sarcásticas que se entrelaçam com situações sérias em boa parte dos capítulos. Outra curiosidade notável é que o próprio autor também era um jogador compulsivo e trouxe um pouco de sua experiência pessoal para essa obra.
A propósito, embora o título faça referência ao jogo, a obra não se atém completamente a esse aspecto durante toda a trama, pois há um conjunto tão grande de situações em torno da família do general e das peripécias do jovem preceptor Aleksei Ivánovitch que o cassino acaba ficando em segundo plano. Em contrapartida, o dinheiro é o pivô de quase todas as relações dos personagens e seus problemas, da ascensão à ruína.
Interessante notar que Dostoiévski questiona a natureza do jogo tanto no sentido literal como numa metáfora para os riscos que enfrentamos em nosso cotidiano. O livro também reserva um espaço para reflexões a respeito do valor do amor e a busca pelo sentido da vida sob as tortuosas dúvidas do coração. Certamente, não há como ler essa obra sem se encantar com a talentosa escrita do Russo dos russos. Esse é mais um que vai pra minha lista de favoritos.
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