Machado mais uma vez se superou em uma história repleta de fina ironia e perspicácia. Nessa pequena novela, o médico Simão Bacamarte diagnostica como loucura qualquer característica particular que possa aparentar uma possível "ameaça" à saúde pública e assim vai vivendo uma série de controvérsias que acabam afetando toda população de Itaguaí e até ele mesmo. A principal questão que fica então é: o que realmente distingue uma pessoa louca de uma sã?
Dos vários escritos de Machado de Assis, esse é certamente um dos que achei mais engraçados e mordazes. A crítica que o autor faz ao cientificismo é incisiva e com boas doses de humor, sendo tudo isso expresso de maneira bem enxuta em poucas páginas. Por essas e por outras que Machado é o meu autor brasileiro favorito.
Obs: Apesar de ser uma narrativa curta, essa novela apresenta muitas referências que podem passar despercebidas ao leitor. Recomendo alguma edição com notas de rodapé, que ajudam bastante na contextualização de certas passagens. Há desde edições mais simples, como a da Martin Claret e da L&PM Pocket, até outras mais luxuosas, como da Antofágica.
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