30/06/2022

Publicado em 30.6.22 por

Descobrindo as riquezas da literatura húngara

Depois de ler duas obras de Ferenc Molnár, me interessei pela literatura húngara e vi nessa pequena antologia uma boa oportunidade de conhecer outros autores da mesma nacionalidade. A seleção dos contos feita por Paulo Schiller nessa edição da Hedra é bem equilibrada, apresentando uma amostra do estilo de cada escritor em narrativas que se passam num período interessante da história da Hungria. 

Dezsö Kosztolányi e Frigyes Karinthy narram histórias com um saudosismo delicioso e ao mesmo tempo agridoce, sempre se reportando a recordações e experiências do passado. A simplicidade permeia quase todos os seus contos, mas não se engane: aquilo que aparenta ser óbvio na primeira leitura esconde pertinentes reflexões numa segunda camada. Já nas narrativas de cunho mais violento e sádico de Géza Csáth nossa perspectiva pode enveredar através de interpelações mais densas e sombrias que revelam o caráter nefasto e decadente do ser humano. 

O último autor da antologia, Gyula Krúdy, foi o meu favorito. A destreza de sua escrita é excepcional e cria um ambiente de afinidade tão grande com o leitor que não há como escapar de sua prosa. Somente em dois contos deu pra perceber todo potencial de Krúdy e ver que ele merece mais traduções de suas obras por aqui. Enfim, esta foi uma leitura inesperada que me apanhou de surpresa e me mostrou facetas únicas de um país que até então eu desconhecia.

Destaques:

Os Velhos
Professor, por favor
O último charuto no Arabs Szürke