23/05/2022

Publicado em 23.5.22 por

Duas novelas regidas com muita competência


Em A Promessa, Dürrenmatt subverte o romance policial com uma sagacidade admirável. Ao mesmo tempo em que o autor ironiza o gênero ele também faz uma primorosa homenagem ao mesmo, o que acabei achando sensacional. Essa misteriosa trama é muito bem conduzida e possui um anticlímax curioso que não chega a decepcionar quem entendeu o verdadeiro propósito da história.

Tudo se desenrola durante a interminável caçada pelo assassino de uma garotinha. Neste caso, o experiente inspetor Matthäi acaba vivendo um fracasso que não é necessariamente uma derrota em si, representando desse modo um paradoxo contundente que condiz com a realidade e foge das fórmulas que muitas vezes estamos acostumados a ver na ficção policial.

Na segunda novela presente no volume, intitulada A Pane, temos uma narrativa bastante original que nos apresenta um julgamento em forma de "jogo". Um grupo de idosos experientes na área jurídica penal põe em cheque toda certeza de inocência de um caixeiro-viajante que até então se achava isento de qualquer delito em sua vida. Além da atmosfera cômica, temos novamente assuntos como justiça e culpa sendo abordados em situações delicadas e cruciais.